===== INCONSCIENTE ===== Os românticos descobriram o Inconsciente, justamente porque cultuaram o magnetismo, o sonambulismo, a [[lexico:a:astrologia:start|astrologia]], a alquimia e o meta-psiquismo. O Inconsciente, Unbewusstsein, descoberto pelos românticos, veio depois a revolucionar completamente toda a [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]]; [[lexico:f:freud:start|Freud]] encontrou o Inconsciente já descoberto há quase cem anos, quando formulou a sua psico-análise. A [[lexico:t:teoria:start|teoria]] do Inconsciente vem de Carus e de G. H. von Schubert, (se [[lexico:n:nao:start|não]] quisermos lembrar as sugestões no mesmo [[lexico:s:sentido:start|sentido]] feitas por [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] e [[lexico:h:hegel:start|Hegel]]), Carus; e von Schubert receberam a [[lexico:i:influencia:start|influência]] de [[lexico:s:schelling:start|Schelling]], que se dedicava a estranhas experiências de sonambulismo. A [[lexico:m:mistica:start|mística]], o sortilégio, o inconsciente, o sub-consciente, a [[lexico:m:magia:start|magia]] branca e a magia negra, o hipnotismo, a dupla [[lexico:p:personalidade:start|personalidade]] (Doppelgang), o poder misterioso dos [[lexico:e:efluvios:start|eflúvios]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]], a audiência das entidades invisíveis, foram temas que fascinaram os românticos. O [[lexico:r:romantismo:start|Romantismo]] foi herdeiro direto da alquimia medieval e da sua mística. Os antecedentes da sua [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] estão em Meister [[lexico:e:eckhart:start|Eckhart]] e Jakob Böhme. Franz von Baader, pelas suas conferencias sobre Böhme, pelo seu convívio com Schelling e pelo seu [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] [[lexico:p:proprio:start|próprio]] é um elo importantíssimo nessa corrente que vem até os neoplatônicos da [[lexico:a:atualidade:start|atualidade]]. Os românticos cultuaram o Inconsciente como [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] noturno da personalidade; tiveram o [[lexico:c:culto:start|culto]] da Noite, não só da noite individual e subjetiva, mas também e principalmente da Noite Cósmica, como anterior ao Dia e mesmo [[lexico:r:revelacao:start|revelação]] dos segredos mais profundos da natureza. G. H. von Schubert escreveu uma [[lexico:o:obra:start|obra]] expressiva até no seu título: Aspectos do lado Noturno das Ciências da Natureza. A obra de Friedrich von Hardenberg, — Novalis — está centrada no culto da Noite e por [[lexico:m:meio:start|meio]] da Noite na compenetração simpática da Natureza. Seus Hinos à Noite e seu estranho fragmento Os Discípulos de Saís, exprimem [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] [[lexico:p:profundo:start|profundo]], Naturgefühl, que faz com que o [[lexico:p:poeta:start|poeta]] e a natureza se identifiquem como duas faces do mesmo [[lexico:e:espirito:start|espírito]]: A [[lexico:i:identidade:start|identidade]] do Espírito e da Natureza, tal é o [[lexico:t:tema:start|tema]] da filosofia idealista, que vê o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] gerado pela magia do Espírito. Joseph von Görres, [[lexico:m:mistico:start|místico]] católico, teve o culto da Noite Cósmica (vide Alfred Beaumler, Der Mythus von Orient und Occident, Beck’sche Verlag, 1956) e dentre suas obras uma das mais importantes foi dedicada à Magia: Die Christliche Mystik: Mystik, Magie und Dämonie. A [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] romântica do Inconsciente enriqueceu extraordinariamente todos os campos do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] e da [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]] humana. O Inconsciente é o [[lexico:r:reino:start|reino]] esquecido aonde se recolhem todas as vivências do passado [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]] e popular. Não é um depósito de recalques, como supunha Freud, mas um [[lexico:p:principio-ativo:start|princípio ativo]] pelo qual o passado age no presente. — No mesmo ano, (1814), apareceram a [[lexico:s:simbolica:start|Simbólica]] dos sonhos de G. H. von Schubert (que, com Carus formulou a [[lexico:t:tese:start|tese]] do Inconsciente), e os Contos Populares dos Irmãos Grimm, que fundaram o que depois veio a [[lexico:s:ser:start|ser]] o Volklore. O Inconsciente está associado a todos os contos populares, os contos de heróis e de fadas, tesouros que dormem na [[lexico:a:alma:start|alma]] popular. Ao inconsciente, como relicário das memórias ancestrais, está ligado o culto nostálgico da idade heroica e da Mutterland perdida. Os Irmãos Grimm lançaram um [[lexico:m:movimento:start|movimento]] linguístico e literário que depois acompanhou toda a [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] do romantismo e nutriu o culto das grandes nostalgias e das grandes façanhas. O movimento de ressurreição da Idade Média, iniciado na [[lexico:e:epoca:start|época]] do [[lexico:s:sturm-und-drang:start|Sturm und Drang]], e do qual [[lexico:g:goethe:start|Goethe]] participou, teve, na Alemanha, um forte aspecto nacionalista, que assumiu a sua plenitude com os Irmãos Grimm. A [[lexico:g:gramatica:start|Gramática]] Alemã, a [[lexico:h:historia:start|História]] da [[lexico:l:lingua:start|Língua]] Alemã, a [[lexico:m:mitologia:start|mitologia]] Alemã foram escritas por Jacob Grimm; a reconstituição das lendas heroicas germânicas, inclusive a Rolandslied, se deve a Wilhelm Grimm. O resultado foi a introdução do [[lexico:m:metodo-historico:start|método histórico]] no [[lexico:e:estudo:start|estudo]] da gramática e a revitalização de todas as antiguidades e lendas germânicas: Foi como a ressurreição das fontes da língua, que retornou ao presente com todas as lendas e contos populares a que deu [[lexico:f:forma:start|forma]]. Juntos, os Irmãos Grimm começaram um gigantesco Dicionário da Língua Alemã, cuja [[lexico:p:preocupacao:start|preocupação]] era restabelecer os antigos radicais germânicos, expurgando os termos de procedência estrangeira . Este movimento, associado à [[lexico:i:ideia:start|ideia]] do inconsciente popular, portador das antigas tradições, teve enorme importância para o [[lexico:n:nacionalismo:start|nacionalismo]] cultural. A [[lexico:i:imagem:start|imagem]] da [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]] primordial, os [[lexico:d:deuses:start|deuses]] pré-cristãos, o Walhalla, Wotan e Thor, os heróis legendários, a árvore Ygdrasil, o [[lexico:s:sopro:start|sopro]] e a tempestade das grandes florestas, tudo o que retomou sua forma na [[lexico:m:musica:start|música]] wagneriana, são tesouros do inconsciente do [[lexico:v:volk:start|Volk]]. Os deuses, ardentemente chamados por Hölderlin, voltaram efetivamente com Wagner. Em Wagner, mais do que em Schubert, Beethoven e Brahms, a música se explicitou como [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] específica do inconsciente nacional. A música não tem, como a linguagem falada, um conjunto de significados mais ou menos delimitados, conscientes e lógicos; a música irrompe do inconsciente mais profundo, trazendo consigo a nostalgia, a [[lexico:e:evocacao:start|evocação]], os transes emocionais inexplicáveis^ a música evoca as matrizes originais. Por isso, mais do que a linguagem falada, a música se apresentou muitas vezes aos românticos como a efusão direta da sua Urquelle. O tesouro encontrado por Siegfried na caverna subterrânea é a imagem da [[lexico:r:riqueza:start|riqueza]] sepulta no inconsciente; os anões que guardavam o tesouro petrificaram-se, assim como nas torrentes do movimento [[lexico:e:emocional:start|emocional]] se petrificam os obstáculos conscientes à revelação das vivências profundas. E cada [[lexico:p:povo:start|povo]], segundo os românticos, se encontra e se manifesta a [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], quando descobre esse tesouro [[lexico:o:oculto:start|oculto]] no seu inconsciente. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}