===== IMPERATIVO CATEGÓRICO ===== Ao invés de todos os [[lexico:b:bens|bens]] [[lexico:r:relativos|relativos]] da [[lexico:v:vida|vida]], o [[lexico:u:unico|único]] [[lexico:v:valor|valor]] [[lexico:a:absoluto|absoluto]] da vida humana é, segundo [[lexico:k:kant|Kant]], aquela [[lexico:b:boa-vontade|boa vontade]] que, sem restrições nem condições de [[lexico:e:especie|espécie]] alguma, se prende com a [[lexico:l:lei-moral|lei moral]]. Esta [[lexico:n:nao|não]] põe na [[lexico:c:consciencia|consciência]] [[lexico:i:imperativos|imperativos]] (exigências) hipotéticos, como os que resultam da ligação entre [[lexico:f:fim|fim]] e [[lexico:m:meio|meio]] (se não queres [[lexico:s:ser|ser]] indigente na [[lexico:v:velhice|velhice]], deves trabalhar na juventude), mas só conhece o [[lexico:i:imperativo-categorico|imperativo categórico]] ([[lexico:i:incondicionado|incondicionado]], absoluto): "deves". O que sempre e em toda a [[lexico:p:parte|parte]] é moralmente [[lexico:b:bom|Bom]] não pode deduzir-se [[lexico:a:a-posteriori|a posteriori]] da [[lexico:e:experiencia|experiência]], mas deve ser fixado [[lexico:a:a-priori|a priori]] mediante um [[lexico:p:principio|princípio]] universalmente válido, que Kant formula nos seguintes termos: "Procede de maneira tal que a [[lexico:m:maxima|máxima]] de tua [[lexico:v:vontade|vontade]] possa valer sempre, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], como princípio de uma legislação [[lexico:u:universal|universal]]" (Kritik der praktischen Vernunft, § 7). Portanto, a [[lexico:q:qualidade|qualidade]] [[lexico:m:moral|moral]] de uma [[lexico:a:acao|ação]] pode ser conhecida pela [[lexico:p:propriedade|propriedade]] [[lexico:f:formal|formal]], de que ela pode e deve ser realizada por todos os homens. A [[lexico:m:moralidade|moralidade]] continua sendo [[lexico:l:legalidade|legalidade]], enquanto o [[lexico:a:ato|ato]] fôr conforme ao [[lexico:i:imperativo|imperativo]] [[lexico:c:categorico|categórico]], porém não é autônoma, senão heterônoma, na [[lexico:m:motivacao|motivação]]. Quando a [[lexico:h:heteronomia|heteronomia]] de [[lexico:m:motivos|motivos]] intramun-danos e extramundanos se separa da [[lexico:a:autonomia|autonomia]] do moral, a legalidade converte-se em moralidade, ao passar da heteronomia à autonomia. A boa vontade é sempre também a vontade pura, a qual não tem, como máxima ou [[lexico:n:norma|norma]] e [[lexico:m:motivo|motivo]] de sua ação, interesses e inclinações de qualquer espécie, mas unicamente a [[lexico:l:lei|lei]] moral. Kant assinala de novo com insistência a peculiaridade do [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] moral. A [[lexico:o:obrigacao|obrigação]] possui [[lexico:c:carater|caráter]] absoluto; o proveito ou o prejuízo de uma ação não determinam sua qualidade moral; a [[lexico:i:intencao|intenção]] interna tem a primazia sobre a ação [[lexico:e:exterior|exterior]]; a [[lexico:e:educacao|educação]] endereçada a formar um caráter moral pressupõe [[lexico:l:luta|luta]] e [[lexico:s:sacrificio|sacrifício]]. — Os limites desta [[lexico:t:teoria|teoria]] encontram-se no recurso ao [[lexico:f:formalismo|formalismo]] e à autonomia, de eme se vale Kant para dar uma [[lexico:e:explicacao|explicação]]. O imperativo categórico separa da [[lexico:o:ordem|ordem]] [[lexico:m:metafisica|metafísica]] a exigência formal do [[lexico:d:dever|dever]]. Contudo, só uma ordem dos bens e valores da [[lexico:e:existencia|existência]] humana pode elucidar, em cada [[lexico:s:situacao|situação]], qual o [[lexico:m:modo|modo]] de proceder que vem ao caso como norma universalmente válida. O caráter absoluto da moralidade não exclui os fins intermédios intra-mundanos nem o fim [[lexico:u:ultimo|último]] extramundano do [[lexico:h:homem|homem]], mas procura somente ordenar a [[lexico:t:totalidade|totalidade]] das perspectivas num [[lexico:t:todo|todo]] e pô-las em [[lexico:r:relacao|relação]] com o [[lexico:d:dito|dito]] fim supremo. Tomando por base esta conexão [[lexico:o:ontologica|ontológica]], não se pode manter a radical [[lexico:s:separacao|separação]] entre [[lexico:a:autonomia-e-heteronomia|autonomia e heteronomia]] relativamente à motivação da ação humana, mas a primazia da moralidade exige simplesmente [[lexico:h:hierarquia|hierarquia]] de motivos. — Bolkovac.