===== IMPERATIVO ===== O [[lexico:p:principio:start|princípio]] que tem o [[lexico:c:carater:start|caráter]] de [[lexico:o:obrigacao:start|obrigação]] imperiosa. — O imperativo "[[lexico:c:categorico:start|categórico]]" designa, em [[lexico:k:kant:start|Kant]], o comando obrigatório da [[lexico:m:moral:start|moral]]: manifesta-se em nós pelo [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] de uma [[lexico:i:impossibilidade:start|impossibilidade]] em agir de [[lexico:o:outro:start|outro]] [[lexico:m:modo:start|modo]] ("deves porque deves"). Opõe-se ao imperativo "[[lexico:h:hipotetico:start|hipotético]]", que [[lexico:n:nao:start|não]] é absolutamente obrigatório ("deves fazer isso se queres [[lexico:s:ser:start|ser]] feliz", ou "se queres ser hábil e vencer na [[lexico:v:vida:start|vida]]"). Os mandamentos éticos são formulados numa [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] imperativa. Este imperativo é às vezes [[lexico:p:positivo:start|positivo]], como em “honrarás pai e mãe”, e às vezes [[lexico:n:negativo:start|negativo]] como em “não matarás”. A linguagem imperativa é por sua vez uma [[lexico:p:parte:start|parte]] da linguagem prescritiva. No entanto, no [[lexico:t:todo:start|todo]], a linguagem [[lexico:e:etica:start|ética]] é imperativa. Os juízos de [[lexico:v:valor:start|valor]] moral, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], que pertencem também à ética, são formulados em linguagem valorativa. Por sua vez, os [[lexico:i:imperativos:start|imperativos]] podem ser de diversas espécies. Por exemplo: por exemplo, singulares e [[lexico:u:universais:start|universais]], ou - como Kant indicou - hipotéticos (ou condicionais) e categóricos (ou absolutos). Na ética [[lexico:a:atual:start|atual]] tem-se discutido sobretudo a índole [[lexico:l:logica:start|lógica]] das expressões imperativas. Alguns autores têm declarado que, como os imperativos não são enunciados (os quais se exprimem no modo indicativo), não dizem [[lexico:n:nada:start|nada]] e, por conseguinte, ficam fora de toda a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]]. Segundo esta [[lexico:t:teoria:start|teoria]], os imperativos exprimem apenas os desejos da [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]] que os formula. Para Kant, “a concepção de um princípio [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]], na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que se impõe necessariamente a uma [[lexico:v:vontade:start|vontade]], chama-se um mandamento, e a [[lexico:f:formula:start|fórmula]] deste mandamento chama-se um imperativo”. O imperativo é uma [[lexico:r:regra:start|regra]] prática que se d+á a um [[lexico:e:ente:start|ente]] cuja [[lexico:r:razao:start|razão]] não determina à vontade. Kant subdivide os imperativos hipotéticos em problemáticos (imperativos de habilidade) e assertóricos (ou imperativos de [[lexico:p:prudencia:start|prudência]], chamados também pragmáticos). Os imperativos categóricos não se subdividem porque todo o [[lexico:i:imperativo-categorico:start|imperativo categórico]] é, por sua vez, apodíctico. De [[lexico:f:fato:start|fato]], todo o imperativo que mande incondicionalmente [[lexico:c:como-se:start|como se]] o ordenado fosse um [[lexico:b:bem:start|Bem]] em si, é categórico. Encontram-se em Kant diversas formulações do imperativo, que foram logo classificadas Assim: 1) “obrar só de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com a [[lexico:m:maxima:start|máxima]] pela qual possas ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] querer que se converta em [[lexico:l:lei:start|lei]] [[lexico:u:universal:start|universal]]” (fórmula da lei universal); 2) “obrar como se a máxima da tua [[lexico:a:acao:start|ação]] devesse converter-se pela tua vontade em lei universal da [[lexico:n:natureza:start|natureza]]” (fórmula da lei da natureza); 3) “obrar de tal modo que uses a [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]] tanto na própria pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre por sua vez, nunca simplesmente como um [[lexico:m:meio:start|meio]]” (fórmula do [[lexico:f:fim:start|fim]] em [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]); 4) “obrar de tal modo que a tua vontade possa considerar- se a si mesma como constituindo uma lei universal por meio da sua máxima” (fórmula da [[lexico:a:autonomia:start|autonomia]]); 5) “obrar como se por meio das tuas máximas fosses sempre o membro legislador num [[lexico:r:reino:start|reino]] universal de fins” (fórmula do [[lexico:r:reino-dos-fins:start|reino dos fins]]). Tem-se dirigido várias objecções à doutrina kantiana do imperativo categórico. Entre ela há que separar as que se referem às suposições a partir das quais se formula o imperativo categórico. Tem-se indicado, com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], que uma ética como a kantiana é uma ética rigorista, que nega a [[lexico:e:espontaneidade:start|espontaneidade]] da vida e adscreve valor apenas ao fato contra os próprios impulsos. O imperativo categórico seria, de acordo com estas objecções a [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] da universalização de tal [[lexico:r:rigorismo:start|rigorismo]] ético. Tal objecção é formulada por sua vez a partir de diferentes pontos de vista: sociológicos (o imperativo categórico é a chave de uma ética do [[lexico:h:homem:start|homem]] burguês), teológicos (o imperativo categórico é o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] culminante de uma ética puramente autônoma, que atribui ao homem a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de fazer o bem sem uma [[lexico:g:graca:start|graça]] divina), psicológico-filosóficos (o imperativo categórico faz depender a ética exclusivamente da vontade, sem atender a outras possibilidades de [[lexico:c:compreender:start|compreender]] os valores éticos), ou filosóficos (o imperativo categórico é um imperativo da razão, que pode ser contrário aos imperativos da vida). (in. Imperative; fr. Impératif, al. Imperatiu; it. Imperativo). [[lexico:t:termo:start|termo]] criado por Kant, talvez por [[lexico:a:analogia:start|analogia]] com o termo bíblico "mandamento", para indicar a fórmula que expressa uma [[lexico:n:norma:start|norma]] da razão. Kant diz: "A [[lexico:r:representacao:start|representação]] de um princípio objetivo, porquanto coage a vontade, denomina-se comando da razão, e a fórmula do comando denomina-se imperativo" (Grundlegung zur Met. der Sitten, II). Para o homem, norma da razão é uma [[lexico:o:ordem:start|ordem]], pois a vontade humana não é a [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] de escolher apenas o que a razão reconhece como praticamente [[lexico:n:necessario:start|necessário]], ou seja, como [[lexico:b:bom:start|Bom]]. Se assim fosse, a norma da razão não teria caráter coativo e não seria uma ordem. Isso acontece com os seres dotados de vontade santa, de uma vontade que está necessariamente de acordo com a razão e que só pode escolher [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] [[lexico:r:racional:start|racional]]. Mas, como o homem pode escolher também segundo a inclinação [[lexico:s:sensivel:start|sensível]], a lei da razão assume para ele a [[lexico:f:forma:start|forma]] de ordem e por isso sua [[lexico:e:expressao:start|expressão]] é um imperativo (Crít. R. Prática, I, cap. III). Portanto, a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] imperativo não passa de outro [[lexico:n:nome:start|nome]] para a palavra [[lexico:d:dever:start|dever]] . Kant distinguiu os imperativo em hipotéticos e categóricos. O imperativo hipotético ordena uma ação que é boa relativamente a um objetivo [[lexico:p:possivel:start|possível]] ou [[lexico:r:real:start|real]]. No primeiro caso, ele é um princípio problematicamente [[lexico:p:pratico:start|prático]]; no segundo caso, é um princípio assertivamente prático. O imperativo categórico ordena uma ação que é boa em si mesma, [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesma objetivamente necessária, sendo portanto um princípio apoditicamente prático. Os imperativo problematicamente práticos são os de habilidade (p. ex., as prescrições de um médico). Os imperativo assertivamente práticos são os da prudência: seu objetivo é a [[lexico:f:felicidade:start|felicidade]]. Os imperativo categóricos são os da [[lexico:m:moralidade:start|moralidade]]. Os primeiros poderiam denominar-se imperativo técnicos ou regras, os segundos, imperativo pragmáticos ou conselhos, os terceiros são imperativo morais ou leis da moralidade (Grundlegung, cit., II). Essas observações de Kant foram sobejamente aceitas na [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]] e contemporânea. Isto não quer dizer que a ética kantiana do dever também tenha sido tão aceita, sobretudo na forma proposta por Kant (v. ética). O [[lexico:p:problema:start|problema]] de poder ou não considerar as normas morais como imperativos é fundamental e muitas vezes teve resposta negativa. Toda a [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] utilitarista constitui um exemplo de [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] solução negativa. A ética de [[lexico:b:bergson:start|Bergson]] é outro exemplo. Conceber a norma moral como imperativo (ou dever) significa julgar, como Kant, que ela seja um "fato da razão" um sic volo sic iubeo (Crít. R. Pratica, cap. I, § 7, Escol.): [[lexico:c:coisa:start|coisa]] que nem todos se mostram dispostos a admitir. A partir da [[lexico:o:obra:start|obra]] de Ogden e Richards, The Meaning of Meaning (1923), o imperativo, sobretudo o imperativo moral, foi frequentemente considerado uma "[[lexico:p:proposicao:start|proposição]] emotiva", ou seja, destinada a produzir ação, mas desprovida de [[lexico:s:significado:start|significado]] cognoscitivo. Essa teoria, cuja melhor forma se encontra em [[lexico:a:ayer:start|Ayer]] (Language Truth and Logic, 2a ed., 1948) e Stevenson (Ethics and Language, 1944), após breve [[lexico:s:sucesso:start|sucesso]] deixou de [[lexico:t:ter:start|ter]] defensores (Stroll, The Emotive Theory of Ethics, [[lexico:b:berkeley:start|Berkeley]], 1954). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}