===== IMANÊNCIA VITAL ===== A [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] [[lexico:v:vulgar:start|vulgar]], [[lexico:n:nao:start|não]] contrariada de [[lexico:m:modo:start|modo]] decisivo pela [[lexico:c:ciencia:start|ciência]], sempre distinguiu na [[lexico:n:natureza:start|natureza]] três grandes tipos de seres vivos: vegetais, animais e homens. Fundando-se nesta constatação, a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] reconhecerá uma [[lexico:h:hierarquia:start|hierarquia]] de três graus de [[lexico:v:vida:start|vida]]: [[lexico:v:vida-vegetativa:start|vida vegetativa]], nas plantas; [[lexico:v:vida-sensitiva:start|vida sensitiva]], nos animais; vida intelectiva, no [[lexico:h:homem:start|homem]]; encontrando-se os graus inferiores desta hierarquia também nos superiores. [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] manifestamente se compraz na consideração desta hierarquia dos graus de vida e diversas vezes a representou (cf. Cont. Gent., IV, c. II; S. Th. Ia Pa, q. 18, a. 3 q. 78, a. 1; Quaest. disp. [[lexico:d:de-anima:start|De anima]], a. 13; de Pot. q. 3 a. 11; De Verit, q. 22, a. 1; De spirit. creat. a. 2). Em alguns destes textos, a gradação toma seu [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] na [[lexico:i:imaterialidade:start|imaterialidade]] relativa das formas e de suas [[lexico:a:atividades:start|atividades]], mas é de preferência pela [[lexico:i:imanencia-vital:start|imanência vital]] das diversas operações que as diferenças são estabelecidas. Assim no [[lexico:t:texto:start|texto]] fundamental da Prima Pars (q. 18, a. 3) Tomás de Aquino, partindo do [[lexico:p:principio:start|princípio]] de que um [[lexico:s:ser:start|ser]] tem vida tanto mais elevada quanto mais age por [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], estabelece uma [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] a partir da [[lexico:i:interioridade:start|interioridade]] mais ou menos perfeita dos diversos [[lexico:e:elementos:start|elementos]] ([[lexico:f:forma:start|forma]] principal, forma instrumental, [[lexico:f:fim:start|fim]]) que são supostos pela [[lexico:a:atividade:start|atividade]] de um [[lexico:v:vivente:start|vivente]]. Três casos devem, então, ser distinguidos: - o dos seres (as plantas) que, recebendo da natureza sua forma e seu fim, comportam-se como puros instrumentos de execução; - o dos seres (os animais) que, embora ainda não designando seu fim [[lexico:p:proprio:start|próprio]], adquirem [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmos as formas que dirigem suas atividades, a [[lexico:s:saber:start|saber]], as representações sensíveis que os fazem mover-se; - enfim, o dos seres (os homens) que, dotados de [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]], são ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] capazes de tomar [[lexico:p:posse:start|posse]] de seu fim e da forma que está no princípio de suas operações: "Tendo-se [[lexico:d:dito:start|dito]] que as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] vivem segundo se movem por si mesmas e não segundo são movidas por [[lexico:o:outro:start|outro]], conforme isto convenha mais perfeitamente a uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]], tanto mais a vida nela se encontra de maneira mais perfeita. Ora, nos motores e nos movidos, encontram-se, por [[lexico:o:ordem:start|ordem]], três coisas. O fim, com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], põe de início o [[lexico:a:agente:start|agente]] em [[lexico:m:movimento:start|movimento]]; o agente principal é, de sua [[lexico:p:parte:start|parte]], aquele que age por sua forma própria, e acontece que este agente mesmo só opera através de um [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] que não age por sua forma própria, mas em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] da forma do agente principal, de [[lexico:s:sorte:start|sorte]] que lhe seja atribuída somente a execução da [[lexico:a:acao:start|ação]]. Há, pois, certos seres que se movem por si mesmos, não todavia segundo a forma ou o fim que têm pela natureza, mas quanto à execução do movimento, encontrando-se neles, determinados pela natureza, a forma pela qual agem e o fim segundo o qual agem: tais são as plantas que crescem ou diminuem segundo a forma que lhes foi conferida pela natureza. Há outros que se movem a si mesmos, desta vez não mais somente com [[lexico:r:relacao:start|relação]] à execução do movimento, mas ainda quanto à forma que está no seu princípio, a qual adquirem por si mesmos: deste [[lexico:t:tipo:start|tipo]], são os animais nos quais o princípio de movimento não é uma forma [[lexico:n:natural:start|natural]], mas uma forma recebida pelos sentidos: e quanto mais perfeitos forem seus sentidos, tanto mais perfeitamente movem-se a si mesmos . . . Mas, embora adquiram por [[lexico:m:meio:start|meio]] de seus sentidos as formas que estão no princípio de seus movimentos, tais animais não determinam para si o fim de suas operações e de seus movimentos, sendo-lhes este imposto pela natureza cujo [[lexico:i:instinto:start|instinto]] leva-os a agir por meio da forma apreendida pelos sentidos. Mais acima dos animais encontram-se, portanto, os que a si mesmos se movem mesmo quanto ao fim que estabelecem por si; isto só se pode realizar pela [[lexico:m:mediacao:start|mediação]] da [[lexico:r:razao:start|razão]] e da inteligência à qual convém conhecer o proporcionamento do fim e do meio e ordenar um ao outro". Nesta última [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] convirá ainda distinguir o caso das inteligências inferiores que, como o homem, encontram-se ainda condicionadas ao menos no que concerne aos [[lexico:p:primeiros-principios:start|primeiros princípios]] do [[lexico:e:espirito:start|espírito]], e o caso da inteligência divina que, estando sempre em [[lexico:a:ato:start|ato]], é perfeitamente autônoma, atingindo assim o [[lexico:g:grau:start|grau]] mais elevado da [[lexico:i:imanencia:start|imanência]] vital. No Contra Gentiles (IV, c. II) retoma Tomás de Aquino a mesma [[lexico:e:exposicao:start|exposição]], desta vez no contexto das processões trinitárias. Parte do seguinte princípio: quanto mais uma natureza é elevada, tanto mais o que dela emana é interior. Assim, no grau inferior das coisas encontramos os corpos materiais nos quais só pode haver [[lexico:e:emanacao:start|emanação]] sob a [[lexico:i:influencia:start|influência]] de um outro; segundo este modo, do [[lexico:f:fogo:start|fogo]] é gerado fogo por [[lexico:a:alteracao:start|alteração]] de um [[lexico:c:corpo:start|corpo]] estranho. Acima vêm as plantas, para as quais pode-se já [[lexico:f:falar:start|falar]] em emanação interior. É com efeito no interior mesmo da planta que o [[lexico:h:humor:start|humor]] é convertido em semente. Mas é fácil [[lexico:v:ver:start|ver]] que neste caso não há interioridade perfeita, pois a emanação de que se trata, a semente, acaba realizando um ser inteiramente distinto. Aliás, vendo-se [[lexico:b:bem:start|Bem]], o princípio original desta emanação, o alimento, é [[lexico:e:exterior:start|exterior]]. Mais alto, com os animais, atinge-se a um grau [[lexico:s:superior:start|superior]] de vida que tem o seu princípio na [[lexico:a:alma-sensitiva:start|alma sensitiva]]. Sua emanação termina, desta feita, em um [[lexico:t:termo:start|termo]] verdadeiramente [[lexico:i:imanente:start|imanente]]: a [[lexico:i:imagem:start|imagem]] percebida pelos sentidos, passando pela [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]], atinge a [[lexico:m:memoria:start|memória]] onde é conservada. Contudo, princípio e termo da emanação são ainda aqui distintos, pois as [[lexico:p:potencias-sensiveis:start|potências sensíveis]] não podem refletir sobre si mesmas. Com a inteligência, enfim, que é reflexiva, nos encontramos no grau mais elevado da vida. Mas ainda aqui gradações devem ser estabelecidas, realizando-se a interioridade da atividade desta [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] de maneira mais ou menos perfeita segundo se trate: primeiro, do homem, que busca no exterior o [[lexico:d:dado:start|dado]] primeiro de sua vida intelectual; segundo, do [[lexico:a:anjo:start|anjo]], que consegue conhecer-se diretamente, mas em uma concepção que é ainda distinta de sua [[lexico:s:substancia:start|substância]]; e [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]], de [[lexico:d:deus:start|Deus]], em cuja [[lexico:u:unidade:start|unidade]] e imanência perfeitas a atividade vital atinge sua [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]]. Em definitivo, atividade vital, de uma parte, e imanência ou interioridade, de outra, são termos correlativos cuja progressão paralela corresponde à hierarquia de perfeição dos seres. [[lexico:a:alem:start|Além]] disso, realizada de maneira proporcional nos diversos graus desta hierarquia, a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de vida é essencialmente analógica: assim, a vida de uma planta, a de um [[lexico:a:animal:start|animal]], a de um homem, ou a de um [[lexico:p:puro:start|puro]] espírito, não são especificamente semelhantes, e no caso do homem, no qual diversos graus de vida se encontram, só há semelhantemente proporção analógica entre a atividade de cada um deles Seja dito isto para que se evite tratar destas coisas em espírito de [[lexico:u:univocidade:start|univocidade]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}