===== ILUMINAÇÃO ===== S. [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]] e a [[lexico:e:epistemologia:start|epistemologia]] agostiniano-franciscana do século XIII (p. ex., S. [[lexico:b:boaventura:start|Boaventura]]) dão o [[lexico:n:nome:start|nome]] de iluminação a um peculiar [[lexico:i:influxo:start|influxo]] [[lexico:d:divino:start|divino]] na aquisição do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:h:humano:start|humano]] certo, [[lexico:n:necessario:start|necessário]] e [[lexico:u:universal:start|universal]]. Assim como a produção do [[lexico:c:conhecimento-sensorial:start|conhecimento sensorial]], [[lexico:a:alem:start|além]] da [[lexico:p:potencia:start|potência]] sensitiva e da [[lexico:a:acao:start|ação]] do [[lexico:c:corpo:start|corpo]] presente, requer o concurso da [[lexico:l:luz:start|luz]], assim também para a [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]] do conhecimento intelectual (revestido dos [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] de [[lexico:c:certeza:start|certeza]] absoluta, [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] e universalidade) requer-se, a par da potência cognoscitiva do [[lexico:e:entendimento:start|entendimento]] e da [[lexico:r:representacao:start|representação]] da [[lexico:c:coisa:start|coisa]] pela [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] [[lexico:s:sensorial:start|sensorial]] ou pela [[lexico:f:fantasia:start|fantasia]], uma especial ([[lexico:n:nao:start|não]] só a meramente [[lexico:g:geral:start|geral]]) cooperação de [[lexico:d:deus:start|Deus]], uma iluminação ou irradiação (donde, as denominações de [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da iluminação ou da irradiação de uma luz espiritual, na qual o [[lexico:h:homem:start|homem]] se une com o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] Deus, [[lexico:v:verdade:start|verdade]] eterna e imutável, mediante uma certa [[lexico:v:visao:start|visão]] das rationes aeternae, das normas eternas. Todavia, isto não significa uma [[lexico:v:visao-de-deus:start|visão de Deus]], tal [[lexico:c:como-se:start|como se]] verifica no [[lexico:c:ceu:start|céu]], ou é ensinada pelo [[lexico:o:ontologismo:start|ontologismo]]. Por conseguinte, não basta a [[lexico:f:forca:start|força]] do [[lexico:i:intelecto-agente:start|intelecto agente]], como S. [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] supõe ([[lexico:a:aristotelismo:start|aristotelismo]]). Segundo uma concepção mais recente, a irradiação preconizada pelo augustinismo não é senão a luz [[lexico:s:sobrenatural:start|sobrenatural]] da [[lexico:g:graca:start|graça]]. Os teólogos angustinistas filosofam, partindo da [[lexico:e:existencia:start|existência]] da [[lexico:f:fe:start|fé]] cristã, conforme a [[lexico:s:sentenca:start|sentença]] de S. Anselmo: [[lexico:c:credo-ut-intelligam:start|credo ut intelligam]], creio para [[lexico:c:compreender:start|compreender]]. — Schuster. [[lexico:s:santo:start|santo]] Agostinho não crê necessário demonstrar a [[lexico:e:existencia-de-deus:start|existência de Deus]]. Demonstrar tal existência equivaleria a provar que a [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] “Deus existe” é verdadeira. Mas só em Deus está a verdade; mais ainda Deus é a verdade. Por conseguinte, todas as proposições que se percebem como verdadeiras são-no porque foram previamente iluminadas pela Luz Divina. Compreender algo inteligivelmemnte equivale a extrair da [[lexico:a:alma:start|alma]] a sua [[lexico:i:inteligibilidade:start|inteligibilidade]]; [[lexico:n:nada:start|nada]] se compreende inteligivelmente que de algum [[lexico:m:modo:start|modo]] não se saiba previamente. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], Santo Agostinho - seguindo nisto, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, [[lexico:i:ideias:start|ideias]] platônicas e neoplatônicas - considera que o que torna [[lexico:p:possivel:start|possível]] tal percepção do [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]] não é a [[lexico:r:reminiscencia:start|reminiscência]] de um [[lexico:m:mundo:start|mundo]] das ideias, mas si, a irradiação Divina do inteligível. Em [[lexico:s:suma:start|suma]], há uma “luz eterna da [[lexico:r:razao:start|razão]]”, que procede de Deus e graças à qual há conhecimento da Verdade. Assim, a iluminação Divina é o resultado de uma ação de Deus por [[lexico:m:meio:start|meio]] da qual o homem não pode intuir o inteligível em [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]. O inteligível torna-se tal por [[lexico:e:estar:start|estar]] banhado da Luz Divina, podendo por isso comparar-se à visão das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] pelo olho; nada se veria se não estivesse previamente iluminado. A doutrina agostiniana da iluminação Divina oscila entre a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] da iluminação do conteúdo das verdades inteligíveis e a ideia de uma iluminação da alma com o [[lexico:f:fim:start|fim]] de que esta possa julgar da verdade das ideias inteligíveis. Neste [[lexico:u:ultimo:start|último]] caso a iluminação torna possível o [[lexico:j:juizo:start|juízo]] [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] enquanto verdadeiro. Não é fácil decidir acerca do conhecimento do [[lexico:s:sensivel:start|sensível]] na iluminação Divina. Para Santo Agostinho a iluminação torna possível levar o sensível ao inteligível. Mas o modo como se leva a cabo esta direção para o inteligível do sensível não é sempre claro. A solução dada ao [[lexico:p:problema:start|problema]] depende em grande [[lexico:p:parte:start|parte]] da insistência que se ponha na [[lexico:a:atividade:start|atividade]] da alma. Quanto mais ativa é a alma, embora no nível da percepção do sensível, mais se destaca o papel da iluminação. Muitas interpretações se têm [[lexico:d:dado:start|dado]] da concepção agostiniana, especialmente em [[lexico:r:relacao:start|relação]] com a concepção de S. Tomás. As duas têm em comum não aceitarem que o homem possa [[lexico:t:ter:start|ter]] ideia das coisas sensíveis sem a percepção sensível. Como também não aceitaram que o homem possa chegar a um conhecimento inteligível se a luz humana não for de algum modo uma “luz participada”; ao fim e ao cabo, tanto Santo Agostinho como S. Tomás admitem que o [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]] humano foi criado por Deus, e que o homem foi criado “à [[lexico:i:imagem:start|imagem]] e [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] de Deus”. Mas há uma importante [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre ambas. S. Tomás supõe que há um entendimento ativo que ilumina a [[lexico:e:essencia:start|essência]] do sensível e o torna inteligível ao entendimento [[lexico:p:passivo:start|passivo]]. Obtém-se o conhecimento, portanto, mediante [[lexico:a:abstracao:start|abstração]] dos inteligíveis nas coisas sensíveis. Em compensação, Santo Agostinho não introduz a ideia de um entendimento ativo. Além disso, embora não se separe o conhecimento do sensível, sustenta que a iluminação afeta primordialmente a [[lexico:o:ordem:start|ordem]] inteligível. S. Tomás interessa-se por averiguar o modo como se formam os [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]], enquanto Santo Agostinho se interessa por descobrir o modo como se obtêm, compreende a verdade, ou as verdades, inteligíveis. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}