===== ILAÇÃO ===== (lat. illatio; in. Illation; fr. Illation; it. Illazione). Em Apuleio e [[lexico:b:boecio|Boécio]], [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:t:termo|termo]] traduz o estoico epiphora; indica a [[lexico:p:proposicao|proposição]] na qual se conclui um [[lexico:s:silogismo|silogismo]]. Esse termo desaparece na [[lexico:l:logica|lógica]] medieval, sendo substituído por conclusio, para reaparecer na idade [[lexico:m:moderna|moderna]] indicando a complexa [[lexico:o:operacao|operação]] mental-discursiva graças à qual se chega a estabelecer determinada proposição, ou essa mesma proposição. Sinônimo de [[lexico:i:inferencia|inferência]] que, segundo Lalande, está desusado; porém [[lexico:n:nao|não]] o é nos estudos lógicos. Vide inferência. Diz-se ilação imediata o [[lexico:a:ato|ato]] pelo qual a [[lexico:m:mente|mente]] de uma proposição afirma consequentemente outra por [[lexico:f:forca|força]] do [[lexico:n:nexo|nexo]] que há entre elas. Ao nexo chama-se [[lexico:c:consequencia|consequência]], o qual consiste no conter uma a outra. A consequência é imediata se não há um [[lexico:t:terceiro|terceiro]] termo, do contrário é mediata. As ilações imediatas são de três classes: 1) Ilação por equipolencia. Nas proposições equipolentes ambas são simultaneamente verdadeiras ou simultaneamente falsas. Da [[lexico:v:verdade|verdade]] ou da [[lexico:f:falsidade|falsidade]] de uma, infere-se a verdade ou a falsidade da outra. Ex. de "nem todos os homens são sábios", infere-se imediatamente "alguns homens não são sábios"; 2) Ilação por [[lexico:c:conversao|conversão]]. Nesta, cada proposição tem [[lexico:s:significado|significado]] diverso, embora com os mesmos termos. As regras são as seguintes: Nas proposições [[lexico:s:simpliciter|simpliciter]] convertíveis (que é a conversão legítima), as proposições são ou simultaneamente verdadeiras ou simultaneamente falsas. Da verdade ou da falsidade de uma, infere-se a verdade ou a falsidade da outra. Ex.: "nenhum [[lexico:h:homem|homem]] é mineral, logo nenhum mineral é homem". Nas conversões [[lexico:p:por-acidente|por acidente]] ([[lexico:p:per-accidens|per accidens]]) da [[lexico:u:universal|universal]] vale a ilação da [[lexico:p:particular|particular]]; da verdade da universal infere-se a verdade da particular; da falsidade da particular infere-se a falsidade da universal, não porém da verdade da particular a verdade da universal. Assim "[[lexico:t:todo|todo]] homem é [[lexico:a:animal|animal]], logo algum animal (nem todo animal) é homem"; 3) A que se dá entre proposição de [[lexico:s:significacao|significação]] diversa com termos também diversos. A esta [[lexico:c:classe|classe]] pertence as ilações por [[lexico:o:oposicao|oposição]], a de [[lexico:p:predicado|predicado]] a predicado e a de [[lexico:s:sujeito|sujeito]] a sujeito, e a de [[lexico:m:modalidade|modalidade]]. Ilação de oposição é aquela que se verifica pela oposição. Da verdade da proposição infere-se a falsidade da contrária ou da contraditória; da falsidade da proposição, a verdade da contraditória. Ilação de predicado a predicado sugere as seguintes regras: a) É válida a ilação afirmativa do termo inferior ao termo [[lexico:s:superior|superior]], não porém quanto à negativa. Assim: "Pedro é homem, logo é animal." Contudo, não é válido inferir: "Pedro não é mineral, logo não é [[lexico:s:substancia|substância]]."; b) É válida a ilação negativa do termo superior ao inferior, não porém a afirmativa. Assim: "mineral não é [[lexico:v:vivente|vivente]], logo não é animal." Contudo, não é válida inferência: "mineral é substância, logo é homem." ; c) É válida a ilação de predicado privativo ao [[lexico:n:negativo|negativo]]. Assim: "É cego, logo não vê", e não : "a pedra não vê, logo é cega." Ilação de sujeito a sujeito que consiste em inferir de uma [[lexico:s:suposicao|suposição]] do sujeito a [[lexico:o:outro|outro]]: a) É válida a ilação, tanto afirmativa quanto negativa, de uma suposição distributiva à particular. Assim: "todo homem é substância, logo algum homem é substância." Não é válida a ilação de uma particular a uma universal; b) Não é válida a ilação ratione formae (segundo a [[lexico:r:razao|razão]] da [[lexico:f:forma|forma]]) só, porém, de uma suposição distributiva à coletiva e vice-versa, apenas quando é válida ratione materiae (em razão da [[lexico:m:materia|matéria]]). Assim: "todo o [[lexico:g:grupo|grupo]] realizou este itinerário, logo algum do grupo realizou esse itinerário." Não é válida: "cem anos são um século, logo algum ano é um século", porque o predicado refere-se à coletividade apenas. Ilação de modalidade é a que decorre do nexo entre ato, [[lexico:p:potencia|potência]], [[lexico:n:necessidade|necessidade]]. O ato supõe apenas a potência; a necessidade supõe a potência e o ato; a potência, [[lexico:p:por-si|por si]] mesma, [[lexico:n:nada|nada]] supõe. É válida a ilação que [[lexico:p:parte|parte]] do [[lexico:s:ser|ser]] para o poder (do ato para a potência). Não o é a ilação do poder para o ser. É válida da potência para o [[lexico:a:agente|agente]] nas [[lexico:c:causas|causas]] necessárias, não nas causas livres.