===== IDENTIDADE DOS INDISCERNÍVEIS ===== (lat. identitas indiscernibilium; in. Identity of indiscernibles; fr. Identité des indiscernables; al. Identität der Ununterscheidbaren; it. Identità degll’indiscernibili). [[lexico:p:principio|Princípio]] metafísico que exclui a [[lexico:e:existencia|existência]] na [[lexico:n:natureza|natureza]] de duas [[lexico:c:coisas|coisas]] absolutamente iguais. Já conhecido pelos estoicos (cf. Cícero, Acad., III, 17, 18) e retomado no [[lexico:r:renascimento|Renascimento]] ("Duas coisas no [[lexico:u:universo|universo]] [[lexico:n:nao|não]] podem [[lexico:s:ser|ser]] absolutamente iguais"; [[lexico:n:nicolau-de-cusa|Nicolau de Cusa]], De docta ignor., II, 11), foi defendido e ilustrado por [[lexico:l:leibniz|Leibniz]], que se vangloriou de [[lexico:t:ter|ter]] descoberto este princípio e o [[lexico:p:principio-de-razao-suficiente|princípio de razão suficiente]], como sendo os dois [[lexico:p:principios|princípios]] que "mudam o [[lexico:e:estado|Estado]] da [[lexico:m:metafisica|metafísica]], tornando-a [[lexico:r:real|real]] e demonstrativa" (IV Lett. a Clarke, Op., ed. Erdmann, pp. 755-56). Leibniz expressou-o dizendo simplesmente: "Não existem indivíduos [[lexico:i:indiscerniveis|indiscerníveis]]", ou "[[lexico:p:por|Pôr]] duas coisas indiscerníveis significa pôr a mesma [[lexico:c:coisa|coisa]] sob dois nomes" (Ibid., ed. Erdmann, pp. 755-56). E afirma: "Se dois indivíduos fossem perfeitamente semelhantes e iguais, enfim indistinguíveis [[lexico:p:por-si|por si]] mesmos, não haveria princípio de individualização e nem haveria, ouso dizer, [[lexico:d:distincao|distinção]] entre diferentes indivíduos" (Nouv. ess., II, 27, § 3). Para Leibniz [[lexico:e:esse|esse]] é um [[lexico:a:argumento|argumento]] contra a existência dos átomos (dos átomos materiais, evidentemente), que seriam idênticos por [[lexico:d:definicao|definição]]. Aceito e defendido por [[lexico:w:wolff|Wolff]] (Cosm., §§ 246-48) e por toda a [[lexico:e:escola|escola]] wolffiana, [[lexico:b:bem|Bem]] também — a seu [[lexico:m:modo|modo]] — por [[lexico:h:hegel|Hegel]] (Enc., § 117), esse princípio foi rejeitado por [[lexico:k:kant|Kant]]: "Em duas gotas de água é [[lexico:p:possivel|possível]] abstrair totalmente de qualquer [[lexico:d:diferenca|diferença]] interna (de [[lexico:q:qualidade|qualidade]] e dé [[lexico:q:quantidade|quantidade]]), mas basta que elas sejam intuídas simultaneamente em [[lexico:l:lugares|lugares]] diferentes para considerá-las numericamente diferentes. Leibniz confundiu fenômenos com coisas em si mesmas, portanto confundiu com intelligibilia, ou seja, objetos do [[lexico:i:intelecto|intelecto]] [[lexico:p:puro|puro]] (conquanto as designasse com o [[lexico:n:nome|nome]] de fenômenos porque as considerava representações confusas) e assim o seu princípio dos indiscerníveis tornava-se inatacável" (Crít. R. Pura, [[lexico:a:analitica|Analítica]] dos Princípios, Apêndice). Em outros termos, o princípio da I. dos indiscerníveis valeria para objetos do intelecto puro, não para fenômenos, que já são bastante individualizados por sua [[lexico:p:posicao|posição]] no [[lexico:t:tempo|tempo]] e no [[lexico:e:espaco|espaço]]. Na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] contemporânea há poucos vestígios desse princípio. Alguns lógicos o admitem, mas interpretam-no a seu modo. Quine, p. ex., o expõe com o nome de "[[lexico:m:maxima|máxima]] da identificação dos indiscerníveis" desta [[lexico:f:forma|forma]]: "Objetos indiscerníveis um do [[lexico:o:outro|outro]] dentro dos termos de [[lexico:d:dado|dado]] [[lexico:d:discurso|discurso]] devem ser considerados idênticos para esse discurso" (From a Logical Point of View, IV, 2). Outros o consideram [[lexico:i:indemonstravel|indemonstrável]] e admitem que é logicamente possível que duas coisas tenham em comum todas as suas propriedades (Black, Problems of Analysis, 1954, I, 5).