===== IDEIA DE DEUS ===== A [[lexico:r:representacao|representação]] mental de [[lexico:d:deus|Deus]] pode passar por diversas fases de [[lexico:e:evolucao|evolução]]. E inteiramente indeterminada em muitos panteístas que, negando um Deus [[lexico:p:pessoal|pessoal]], admitem, entanto, algo de [[lexico:a:absoluto|absoluto]], [[lexico:s:superior|superior]] ([[lexico:t:transcendente|transcendente]]) ao [[lexico:m:mundo|mundo]] visível, p. ex., uma [[lexico:o:ordem|ordem]] [[lexico:m:moral|moral]] absoluta, uma [[lexico:l:lei|lei]] absoluta, etc. Clara, mas pouco desenvolvida nas linhas fundamentais, encontramo-la nos povos primitivos e semicultos, que reconhecem um legislador supremo, um juiz do [[lexico:b:bem|Bem]] e do [[lexico:m:mal|mal]], um pai amoroso. Pelo [[lexico:t:trabalho|trabalho]] da [[lexico:i:inteligencia|inteligência]], a [[lexico:i:ideia-de-deus|ideia de Deus]], intensamente revestida de [[lexico:f:fantasia|fantasia]] e de [[lexico:e:elementos|elementos]] sentimentais, pouco a pouco se vai transformando no [[lexico:c:conceito|conceito]] científico de Deus, isto é, numa [[lexico:i:imagem|imagem]] intelectualmente depurada, na qual avultam de [[lexico:m:modo|modo]] especial os atributos metafísicos de Deus: [[lexico:i:ilimitado|ilimitado]], [[lexico:p:por-si|por si]] existente. O resultado [[lexico:u:ultimo|último]] da doutrina [[lexico:n:natural|natural]] acerca de Deus é o conceito pleno de Deus com [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] [[lexico:e:explicito|explícito]] de seus atributos mais importantes. Elementos essenciais da [[lexico:n:nocao|noção]] teísta de Deus são a superioridade sobre o mundo e a [[lexico:p:personalidade|personalidade]]. Nossas representações e [[lexico:c:conceitos|conceitos]] nunca podem abarcar Deus de maneira total (adequada); implicam sempre traços humanos e são, outrossim, fortemente influenciados pelo [[lexico:c:carater|caráter]], pela [[lexico:e:educacao|educação]] e pelo [[lexico:m:meio|meio]] [[lexico:a:ambiente|ambiente]]. Daí procedem as várias representações de Deus nas diversas religiões. Neste [[lexico:s:sentido|sentido]], cada [[lexico:h:homem|homem]] cria para si o seu Deus, isto é, sua [[lexico:i:imagem-de-deus|imagem de Deus]]. Todavia podemos chegar a um conhecimento [[lexico:a:analogico|analógico]] de Deus, [[lexico:e:exato|exato]] quanto ao [[lexico:e:essencial|essencial]] ([[lexico:p:provas-da-existencia-de-deus|provas da existência de Deus]]). Porque, tudo quanto neste mundo há de perenemente grande e valioso, principalmente no homem, como [[lexico:s:ser|ser]], [[lexico:v:viver|viver]], conhecer e querer, deve igualmente convir a Deus como autor primeiro de [[lexico:t:todo|todo]] ser, embora, é claro, de modo incomparavelmente mais elevado, embora essencialmente diverso. Este modo [[lexico:d:divino|divino]] de ser, podemos apreendê-lo só pela [[lexico:n:negacao|negação]] do modo criatural correspondente. A [[lexico:i:ideia|ideia]] de Deus torna-se antropomórfica, quando [[lexico:n:nao|não]] for tomada em consideração esta [[lexico:d:diferenca|diferença]] essencial no modo de ser e quando se transferirem para Deus as limitações e barreiras humanas. A [[lexico:a:analogia|analogia]] permite-nos manter o meio-termo entre o [[lexico:a:agnosticismo|agnosticismo]], para o qual Deus é apenas um X desconhecido, e o [[lexico:p:panteismo|panteísmo]], que nega a [[lexico:d:diversidade|diversidade]] essencial entre Deus e o homem. — Do conhecimento analógico de Deus segue-se que as "[[lexico:a:antinomias|antinomias]]" de seu conceito ([[lexico:i:imutabilidade|imutabilidade]] e [[lexico:v:vida|vida]], [[lexico:n:necessidade|necessidade]] e [[lexico:l:liberdade|liberdade]], [[lexico:a:acao|ação]] criadora e [[lexico:q:quietude|quietude]] [[lexico:m:maxima|máxima]]) se resolvem em [[lexico:m:misterios|mistérios]] que, certamente, nunca lograremos decifrar inteiramente, mas nos quais também não é [[lexico:p:possivel|possível]] mostrar uma [[lexico:c:contradicao|contradição]] [[lexico:r:real|real]]. Por isso, Deus é [[lexico:u:unidade|unidade]] ou [[lexico:h:harmonia|harmonia]] dos contrários (coincidentia oppositorium) unicamente no sentido de que supera todas as oposições condicionadas pela [[lexico:f:finitude|finitude]], não porém no sentido de para Ele não ser válido o [[lexico:p:principio-de-contradicao|princípio de contradição]]. Tampouco se pode dizer que possuímos de Deus "apenas" uma, douto [[lexico:i:ignorancia|ignorância]] (docta ignorantia). Épocas e homens dados ao [[lexico:m:misticismo|misticismo]] ou (por [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:m:motivo|motivo]]) também os intelectualmente desalentados ([[lexico:n:neoplatonismo|neoplatonismo]], [[lexico:m:mistica|mística]] medieval; agnosticismo [[lexico:m:moderno|moderno]]) preferirão a [[lexico:t:teologia-negativa|teologia negativa]]. As épocas e os ânimos, que se deleitam no conhecimento, preferem exprimir Deus por meio de conceitos e representações positivas ([[lexico:e:escolastica|escolástica]] clássica, [[lexico:i:idealismo-alemao|idealismo alemão]]). A [[lexico:o:origem|origem]] psicológica da ideia de Deus encontra-se, por um lado, na [[lexico:d:disposicao|disposição]] global do homem, isto é, em sua necessidade de uma [[lexico:c:causa|causa]] e no [[lexico:i:impulso|impulso]] para a idealização, em sua sede de [[lexico:i:infinito|infinito]], bem como em sua fantasia e em seus sentimentos, que fortalecem as primeiras tendências; e, por outro lado, no caráter [[lexico:c:contingente|contingente]] do [[lexico:u:universo|universo]], mas, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], em sua maravilhosa harmonia, nos vestígios de [[lexico:b:beleza|beleza]], de [[lexico:b:bondade|bondade]] e de [[lexico:v:verdade|verdade]]. Todos estes elementos em conjunto garantem simultaneamente a [[lexico:o:objetividade|objetividade]], ou seja o caráter de [[lexico:r:realidade|realidade]] da ideia de Deus. — Rast.