===== IDEIA CONTEMPORÂNEA DE SER ===== Na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] contemporânea, muitas têm sido as tentativas para conseguir alcançar uma [[lexico:o:ontologia|ontologia]]. Por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], para [[lexico:h:heidegger|Heidegger]], há cinco espécies de [[lexico:s:ser|ser]]: 1) o ser de nós mesmos - a [[lexico:e:existencia|existência]] (Existenz); 2) o ser das [[lexico:c:coisas|coisas]] que vemos, como as montanhas, os utensílios, etc; 3) o ser dos entes vivos; 4) o ser dos entes matemáticos, que sub-sistem, sem ser propriamente. Sem [[lexico:e:existir|existir]], sem [[lexico:s:subsistencia|subsistência]] de per se, o 2 é desdobrado em dois, pois ele considera que o ser dos instrumentos, que utilizamos, é um ser irredutível ao das montanhas que vemos. Todos esses seres são irredutíveis uns aos outros. Essa [[lexico:d:divisao|divisão]] é explicada da seguinte [[lexico:f:forma|forma]]: o [[lexico:h:homem|homem]] utiliza instrumentos: primeira fase. Só se torna espectador deles, como cientista, estudioso, posteriormente. [[lexico:n:nao|Não]] compreendemos essa irredutibilidade senão como resultado de uma [[lexico:a:atitude|atitude]], de uma [[lexico:p:perspectiva|perspectiva]]. Vejamos, [[lexico:a:agora|agora]] [[lexico:s:sartre|Sartre]]: para ele, há duas [[lexico:c:categorias|categorias]] de ser: 1) o serem si; 2) o ser para si. [[lexico:j:jaspers|Jaspers]] já nos mostrou que, por ser o homem incapaz de [[lexico:t:ter|ter]] uma [[lexico:v:visao|visão]] total das coisas, a [[lexico:i:ideia|ideia]] de ser lhe é recusada, pois só conhece espécies de ser, o que torna [[lexico:i:impossivel|impossível]] unificar a ideia de ser. Tanto o [[lexico:m:materialismo|materialismo]] de um lado, como o [[lexico:i:idealismo|Idealismo]] de [[lexico:o:outro|outro]], que tentaram nos dar uma visão unificada do ser, malograram. O que temos [[lexico:c:certeza|certeza]] é de uma [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]] de seres, diz ele. Se recordamos [[lexico:p:parmenides|Parmênides]], notaremos desde logo que este, transforma o ser em [[lexico:s:sujeito|sujeito]] [[lexico:u:universal|universal]] de nossos juízos. É uma [[lexico:e:esfera|esfera]] perfeita. Os seres seriam apenas [[lexico:s:simbolos|símbolos]] desse ser. Com [[lexico:s:socrates|Sócrates]] e [[lexico:p:platao|Platão]], o ser muda de [[lexico:l:lugar|lugar]]. De sujeito passa a ser [[lexico:a:atributo|atributo]], o que leva ao [[lexico:p:problema|problema]] da [[lexico:r:realidade|realidade]] das [[lexico:i:ideias|ideias]]. negativas, que mais adiante estudaremos. Para Sócrates é o atributo, o que afirmamos como sendo. O ser, para Platão, era escalar, pois quanto mais perfeita é uma [[lexico:c:coisa|coisa]], mais é. O ser é assim atributo e [[lexico:p:perfeicao|perfeição]]. Para [[lexico:k:kant|Kant]] não é nem perfeição, nem atributo, mas sim [[lexico:v:verbo|verbo]]. Diz Kant que quando afirmamos que uma coisa é, não, ajuntamos nenhum atributo, nenhum [[lexico:p:predicado|predicado]]. O ser é apenas uma [[lexico:p:posicao|posição]] (Setzung), verbo. [[lexico:n:nada|nada]] nos diz que na [[lexico:n:natureza|natureza]] as coisas sejam ordenadas segundo o [[lexico:e:esquema|esquema]] sujeito-predicado. Portanto, na [[lexico:p:proposicao|proposição]] apenas, nada temos ainda do ser. Nada nos diz na natureza que, na realidade, [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]] corresponde a [[lexico:e:esse|esse]] sujeito ser, a esse predicado ser, ou a esse verbo ser. Daí muitos considerarem o ser como uma ideia artificial, como [[lexico:w:wahl|Wahl]]. No "[[lexico:s:sofista|sofista]]", Platão nos disse que ser é [[lexico:d:dynamis|dynamis]], [[lexico:p:potencia|potência]]. Para Wahl o ser é [[lexico:r:relacao|relação]]. Temos o [[lexico:s:sentimento|sentimento]] do ser quando algo nos resiste. Essa resistência é uma realidade que se nos opõe. Já não temos uma ideia do ser, mas um sentir do ser. A aceitação de um [[lexico:d:devir|devir]] na natureza nega a estabilidade de um ser. ([[lexico:o:opiniao|Opinião]] de [[lexico:n:nietzsche|Nietzsche]], [[lexico:b:bergson|Bergson]], [[lexico:p:protagoras|Protágoras]]). Platão, no entanto, ao aceitar o devir do ser (existir) admitia, atrás dele, algo estável, algo que sub-está. O ser, na filosofia, foi muitas vezes confundido com [[lexico:s:substancia|substância]], que seria o sujeito acompanhado de seus atributos. Mostra-nos Bradley que, na realidade, não há [[lexico:d:distincao|distinção]] entre sujeito e atributos, que coincidem na coisa. Sintetizemos – Ser: como sujeito - qualitativo - extensivamente considerado. como atributo - qualitativo - intensivamente considerado. como verbo, relação, conexão - [[lexico:i:inerencia|inerência]], [[lexico:a:acao|ação]] O ser é o sujeito de todos os atributos e o atributo de todos os sujeitos, cuja [[lexico:c:consistencia|consistência]] é ativa ([[lexico:a:ato|ato]], em seus graus, e em sua hibridez com a potência). Todas essas posições encontrarão, nos próximos artigos, argumentos a seu favor, e refutações das mais variadas espécies, vindas de múltiplas direções. Antes, porém, torna-se [[lexico:n:necessario|necessário]] investigar certos aspectos que sobre eles se fundamentarão as análises mais exigentes.