===== IDEIA ===== gr. ἰδέα/εἶδος, [[lexico:i:idea:start|idea]]/[[lexico:e:eidos:start|eidos]], ideia/[[lexico:f:forma:start|forma]] A ideia, ou [[lexico:c:conceito:start|conceito]], é a [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:r:representacao:start|representação]] intelectual de um [[lexico:o:objeto:start|objeto]]. Difere essencialmente da [[lexico:i:imagem:start|imagem]], que é a representação determinada de um objeto [[lexico:s:sensivel:start|sensível]]. Significa "forma", o conceito reproduz em nós as formas ou similitudes dos objetos; gr. eidos significa também "[[lexico:e:especie:start|espécie]]", é pelas espécies (e pelas diferenças específicas) que conhecemos os objetos. Na [[lexico:l:leitura:start|leitura]] dos discursos textuais ecoam-se [[lexico:i:ideias:start|ideias]] do autor no leitor, segundo a abertura e a [[lexico:a:adequacao:start|adequação]] do objeto tratado à [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] de ambos. A [[lexico:n:nocao:start|noção]] que o [[lexico:e:espirito:start|espírito]] forma de [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]]. A ideia tem um [[lexico:c:carater:start|caráter]] intelectual que a distingue do simples [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]]. Uma verdadeira ideia é "clara e distinta", dizia [[lexico:d:descartes:start|Descartes]]; ela pode provar-se, explicar-se. As discussões filosóficas focalizam-se na [[lexico:n:natureza:start|natureza]] da ideia: é ela uma simples representação, à maneira de um "quadro" (Descartes)? Na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], [[lexico:n:nao:start|não]] se "representa" uma ideia, ela é "compreendida"; e a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] consiste, em [[lexico:g:geral:start|geral]], numa "[[lexico:r:relacao:start|relação]] intelectual"; em outros termos, a ideia coincide com um [[lexico:m:movimento:start|movimento]] do espírito, define-se como uma "[[lexico:t:tendencia:start|tendência]]" ([[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]]). No que concerne à [[lexico:o:origem-das-ideias:start|origem das ideias]], distingue-se as que resultam da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]], que Descartes denominava ideias "adventícias" e que caracterizam como ideias "gerais" (resultam da [[lexico:r:repeticao:start|repetição]] de um certo [[lexico:n:numero:start|número]] de fatos numa [[lexico:o:ordem:start|ordem]] imutável: é uma ideia geral que o frio vem com o inverno e o calor com o verão), e as que têm sua [[lexico:o:origem:start|origem]] no espírito [[lexico:h:humano:start|humano]] (ideias "inatas" ou [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] [[lexico:a:a-priori:start|a priori]]: por ex., a ideia do [[lexico:d:dever:start|dever]] [[lexico:m:moral:start|moral]], da [[lexico:j:justica:start|justiça]]. . ., está inscrita no espírito antes de qualquer experiência ; essas ideias não são gerais, são "[[lexico:u:universais:start|universais]]"). Na [[lexico:v:vida:start|vida]] de [[lexico:t:todo:start|todo]] dia formamos nossas ideias no decurso de discussões onde cada um pode exprimir-se livremente; a [[lexico:e:expressao:start|expressão]] de uma ideia, diferindo da expressão de um sentimento, exclui todo o [[lexico:f:fanatismo:start|fanatismo]]. Significa primeiramente o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] manifesto de uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] segundo seus traços característicos; em segundo [[lexico:l:lugar:start|lugar]], designa sobretudo o aspecto interior ou conteúdo [[lexico:e:essencial:start|essencial]] que naquele se revela. Enquanto o conceito se segue ao [[lexico:s:ser:start|ser]] das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] e reproduz a [[lexico:e:essencia:start|essência]] das mesmas, a ideia antecipa-se a [[lexico:e:esse:start|esse]] ser, como [[lexico:a:arquetipo:start|arquétipo]] [[lexico:e:eterno:start|eterno]] e [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]], em conformidade com o qual as coisas foram configuradas. Assim, a ideia é essencialmente [[lexico:c:causa-exemplar:start|causa exemplar]] ([[lexico:c:causa:start|causa]] exemplaris). Apreendida pelo [[lexico:e:entendimento:start|entendimento]], converte-se em [[lexico:n:norma:start|norma]] ([[lexico:r:regra:start|regra]], [[lexico:c:canon:start|cânon]]), segundo a qual este julga as coisas que se lhe apresentam ou se deixa guiar na realização da ideia ([[lexico:i:ideal:start|ideal]]). [[lexico:p:platao:start|Platão]] considera as ideias como realidades independentes, supramundanas, que representam um [[lexico:r:reino:start|reino]] [[lexico:p:proprio:start|próprio]] sob a ideia suprema do [[lexico:b:bem:start|Bem]]. S. [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]] (precedido por Platino) converte as ideias em [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]], originários e criadores, de [[lexico:d:deus:start|Deus]]. O próprio Deus aparece como a Ideia absoluta ou Ideia das ideias, enquanto sua infinita plenitude abarca todas as [[lexico:e:essencias:start|essências]] (segundo seu núcleo [[lexico:p:positivo:start|positivo]], com exclusão de todo [[lexico:l:limite:start|limite]] [[lexico:n:negativo:start|negativo]]) numa [[lexico:s:superior:start|superior]] inflorescencia. S. [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]] enquadra esta doutrina no seu [[lexico:a:aristotelismo:start|aristotelismo]]. A mesma concepção revive em [[lexico:h:hegel:start|Hegel]], quando denomina "Ideia absoluta" ao seu [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] [[lexico:p:primitivo:start|primitivo]]; todavia, nele tudo converge para o [[lexico:p:panteismo:start|panteísmo]], porque a Ideia absoluta não é perfeita, acabada, em si, mas só se perfaz pelo desdobramento das coisas. [[lexico:d:dado:start|dado]] que as coisas terrestres são configuradas segundo as ideias, estas devem, de algum [[lexico:m:modo:start|modo]], formar [[lexico:p:parte:start|parte]] das mesmas. Nem Platão nem S. Agostinho encontraram para isso [[lexico:f:formula:start|fórmula]] satisfatória. Só a doutrina aristotélica da forma interna das coisas (forma) facilitou a solução a S. Tomás. Este encara a forma essencial como [[lexico:p:participacao:start|participação]] e cópia das ideias divinas; em cada coisa há, por assim dizer, o cunho de um [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] de Deus, que de antemão a determina em sua peculiaridade. Nossos conceitos são capazes de [[lexico:a:apreender:start|apreender]] as ideias. Platão só sabia [[lexico:e:explicar:start|explicar]] isto pela [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] das ideias ([[lexico:i:intuicionismo:start|intuicionismo]]) e S. Agostinho só por irradiação de uma [[lexico:l:luz:start|luz]] procedente das ideias divinas. Unicamente S. Tomás de Aquino, seguindo [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], chegou à [[lexico:a:abstracao:start|abstração]] das ideias, a partir das coisas. Nossos conceitos na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que refletem as ideias, podem denominar-se, num [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:p:profundo:start|profundo]], ideias. Só desde que o [[lexico:c:conceptualismo:start|conceptualismo]] desfez a conexão entre conceito e ideia, conexão obtida pelo [[lexico:c:conhecimento-da-essencia:start|conhecimento da essência]], se dá a todo conceito e até mesmo (no [[lexico:e:empirismo:start|empirismo]]) à [[lexico:i:impressao:start|impressão]] [[lexico:s:sensorial:start|sensorial]] o [[lexico:n:nome:start|nome]] de ideia. — Podemos denominar "ideia" todo conceito, na medida em que ele reproduz um aspecto do ser, contanto que, por sobre este sentido indeciso, não esqueçamos ou eliminemos os fundamentos mais profundos. — Designamos nomeadamente como ideias os pensamentos humanos, quando representam arquétipos criadores (p. ex., ideias artísticas) ou "dão [[lexico:o:ocasiao:start|ocasião]] a [[lexico:p:pensar:start|pensar]] muito". As ideias [[lexico:t:transcendentais:start|transcendentais]] de [[lexico:k:kant:start|Kant]] ([[lexico:m:mundo:start|mundo]], [[lexico:a:alma:start|alma]], Deus) apresentam, por um lado, um lastro conceptualista, porque são unicamente pensadas pelo [[lexico:h:homem:start|homem]] e carecem de toda [[lexico:v:validade:start|validade]] [[lexico:r:real:start|real]]; mas, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, ressoa nelas a profundidade [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]], uma vez que as esboçamos necessariamente como totalidades últimas que de antemão dirigem todo nosso [[lexico:e:esforco:start|esforço]] cognoscitivo. — Lotz. As múltiplas [[lexico:s:significacoes:start|significações]] da [[lexico:p:palavra:start|palavra]] têm dado origem a vários modos de considerar as ideias. Três destas são particularmente importantes: Por um lado, compreende-se a ideia logicamente quando se compara com o conceito. Por outro, compreende-se a ideia psicologicamente quando a equiparamos com certa [[lexico:e:entidade:start|entidade]] mental. Finalmente, compreende-se a ideia metafisicamente quando se equipara a ideia com certa [[lexico:r:realidade:start|realidade]]. Estes três significados têm-se entrecruzado com frequência até ao [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de se [[lexico:t:ter:start|ter]] por vezes tornado difícil [[lexico:s:saber:start|saber]] exatamente que sentido tem uma determinada concepção de ideia. O [[lexico:t:termo:start|termo]] foi usado por vários [[lexico:p:pre-socraticos:start|pré-socráticos]], mas apenas em Platão encontramos uma extensa dilucidação do [[lexico:p:problema:start|problema]]. Platão usou o termo ideia para designar a forma de uma realidade, a sua imagem ou perfil eternos e imutáveis. Por isso é frequente em Platão a [[lexico:v:visao:start|visão]] de uma coisa ser equivalente à visão da forma da coisa sob o aspecto da ideia. A ideia é, portanto, qualquer coisa como o [[lexico:e:espetaculo:start|espetáculo]] ideal de uma coisa. Mas a [[lexico:s:significacao:start|significação]] de ideia em Platão não é simples e unívoca. Platão trata do que são as ideias (ou as formas), da sua relação com as coisas sensíveis e com os números, das ideias como [[lexico:c:causas:start|causas]], como fontes de verdade, etc. Concebe com muita frequência as ideias como modelos das coisas e, de certo modo, como as próprias coisas no [[lexico:e:estado:start|Estado]] de [[lexico:p:perfeicao:start|perfeição]]. As ideias são as coisas como tais. Mas as coisas como tais não são nunca as realidades sensíveis, mas as realidades inteligíveis. Uma ideia é sempre uma [[lexico:u:unidade:start|unidade]] de qualquer coisa que aparece como [[lexico:m:multiplo:start|múltiplo]]. Por isso a ideia não é apreensível sensivelmente, mas visível apenas inteligivelmente. As ideias “veem-se” com o olhar interior. Admitidas as ideias, é preciso saber de que modo pode havê-las. Em [[lexico:p:principio:start|princípio]], parece que pode haver ideias de qualquer coisa. Mas torna-se duvidoso que haja ideias de “coisas vis” ou de coisas insignificantes. Por isso Platão tende cada vez mais a reduzir as ideias a ideias de objetos matemáticos e de certas coisas e qualidades que hoje em dia consideramos como valores (a [[lexico:b:bondade:start|bondade]], a [[lexico:b:beleza:start|beleza]], etc). [[lexico:a:alem:start|Além]] disso, tende a ordenar as ideias hierarquicamente. Uma ideia é o tanto mais quanto mais exprime a unidade de algo que aparece como múltiplo. Mas se esta unidade é uma realidade em si, põe-se a [[lexico:q:questao:start|questão]] de que [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de relação existe entre o [[lexico:u:uno:start|uno]] ideal e o múltiplo. É neste ponto que se manifesta a clássica [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] de opiniões entre Platão e Aristóteles. Este [[lexico:u:ultimo:start|último]] escreve que “não é mister admitir a [[lexico:e:existencia:start|existência]] de ideias, ou do Uno, junto ao múltiplo”. Melhor sucede que “o uno está unido ao múltiplo”. Por outras [[lexico:p:palavras:start|palavras]], Aristóteles nega que as ideias existam num mundo [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]] separado das coisas sensíveis; as ideias são imanentes às coisas sensíveis. De outro modo não se compreenderia como as ideias podem atuar e explicar a realidade sensível. Os escolásticos abriram o [[lexico:c:caminho:start|caminho]] para vários usos do termo ideia. Além do [[lexico:u:uso:start|uso]] [[lexico:o:ontologico:start|ontológico]], segundo o qual as ideias são concebidas como modelos, fixaram o uso gnoseológico, segundo o qual as ideias são [[lexico:p:principios:start|princípios]] de [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]. Este último caso debateu-se com frequência a questão de se se conhece pelas ideias ou de se se conhecem as ideias. Finalmente, o uso [[lexico:l:logico:start|lógico]], segundo o qual a ideia é a representação simples de uma coisa na [[lexico:m:mente:start|mente]]. Estas distinções passaram em parte à [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]]. Os filósofos modernos parece haver predominado cada vez mais o sentido de ideia como “representação mental” de uma coisa. Muitos autores tenderam a considerar as ideias como resultados da [[lexico:a:atividade:start|atividade]] do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] cognoscente. Foi habitual considerar por [[lexico:m:meio:start|meio]] das ideias que o sujeito possui (aspecto [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]]) pode conhecer-se racionalmente (aspecto lógico) o que as coisas são verdadeiramente (aspecto metafísico ou ontológico). O predomínio do ponto de vista que chamamos gnoseológico tem sido comum tanto às tendências racionalistas como às empiristas (pelo menos as ideias verdadeiras e adequadas) têm duas faces: uma, ser, como dizia Espinosa, “conceitos do espírito que este forma porque é uma coisa pensante”; a outra, ser, como afirmava Descartes, as próprias coisas logo que vistas. Este último levou a [[lexico:p:por:start|pôr]] as ideias verdadeiras em Deus, já porque era considerado como “a única coisa pensante”, já porque fosse “o ponto de vista [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]]” do qual são vistas todas as coisas. Como [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] disso, os racionalistas inclinaram-se para o [[lexico:i:inatismo:start|inatismo]]. Quando os [[lexico:m:motivos:start|motivos]] teológicos perderam importância, os racionalistas pensaram que as ideias verdadeiras podiam continuar a ser inatas, por corresponder a sua possessão à natureza do homem. No entanto, a partir do [[lexico:m:momento:start|momento]] em que se sublinhou o aspecto [[lexico:s:subjetivo:start|subjetivo]] da ideia, as posições mantidas aproximaram-se às empiristas, e o problema que permaneceu de pé foi o da origem das ideias na mente. Os empiristas usaram o termo ideia abundantemente; em muitos casos, além disso, elaboraram as suas teorias do conhecimento como uma espécie de “doutrina das ideias”. Assim sucede em [[lexico:l:locke:start|Locke]], [[lexico:b:berkeley:start|Berkeley]] e [[lexico:h:hume:start|Hume]]. Locke pede [[lexico:p:perdao:start|perdão]] ao leitor no princípio do seu ENSAIO pelo uso frequente da palavra ideia, mas esclarece que é a palavra que melhor serve para indicar a [[lexico:f:funcao:start|função]] de re-apresentar qualquer coisa que seja um objeto do entendimento quando um homem pensa: ideia equivale a [[lexico:f:fantasma:start|fantasma]], noção, espécie. As ideias são para Locke apreensões e não propriamente conhecimentos. A maior parte das ideias procedem de uma [[lexico:f:fonte:start|fonte]]: a [[lexico:s:sensacao:start|sensação]]. Podem ser simples (recebidas passivamente) ou complexas (formadas por uma atividade do espírito). As simples podem ser ideias de sensação (provenientes de um sentido como o sabor ou a dureza; ou mais de um sentido, como a [[lexico:f:figura:start|figura]], o repouso, movimento) ou de [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] ([[lexico:p:percepcao:start|percepção]] ou pensamento, [[lexico:v:vontade:start|vontade]]). Há também ideias compostas de sensação e reflexão (como o [[lexico:p:prazer:start|prazer]], a [[lexico:d:dor:start|dor]], a existência). As ideias complexas são-no de modos (como afecções das [[lexico:s:substancias:start|substâncias]], substâncias e [[lexico:r:relacoes:start|relações]])). Os modos podem ser por sua vez simples ou mistos. Pode-se [[lexico:f:falar:start|falar]] também de ideias reais ou fantásticas, adequadas e inadequadas, e até de ideias verdadeiras ou falsas (embora isso corresponda melhor às proposições, pelo que as chamadas “ideias verdadeiras” e “ideias falsas” são ideias nas quais há sempre alguma [[lexico:p:proposicao:start|proposição]] tácita). O conhecimento consiste unicamente na “percepção da conexão e [[lexico:a:acordo:start|acordo]] ou desacordo e [[lexico:r:repugnancia:start|repugnância]] de qualquer das nossas ideias. Só nisto consiste). Berkeley manifesta que os objetos do conhecimento humano consistem em ideias - ideias “efetivamente impressas nos sentidos, ou apercebidas ao estarem presentes nas paixões e [[lexico:o:operacoes-do-espirito:start|operações do espírito]], ou finalmente formadas mediante a [[lexico:m:memoria:start|memória]] e a [[lexico:i:imaginacao:start|imaginação]]”. Não há, para Berkeley, mais que [[lexico:c:compreender:start|compreender]] ou ser compreendido; portanto não há mais que os [[lexico:e:espiritos:start|espíritos]] que compreendem e as ideias que são as coisas logo que compreendidas. Repele as ideias gerais abstratas, embora admita as ideias gerais quando estas não pretendem designar uma “coisa geral” ou uma forma que seja diferente das realidades particulares ou das percepções particulares. Hume, por [[lexico:f:fim:start|fim]], distingue entre [[lexico:i:impressoes-e-ideias:start|impressões e ideias]] e chama ideias às “imagens fracas destas impressões quando se pensa e quando se raciocina” (TRATADO). As ideias (como as impressões) podem ser simples e complexas. As ideias simples são as que não admitem [[lexico:d:distincao:start|distinção]] nem [[lexico:s:separacao:start|separação]]; as complexas, aquelas nas quais podem distinguir- se partes. Hume reformulou a sua doutrina das ideias ao indicar que as percepções do espírito podem dividir-se, conforme o seu maior ou menor [[lexico:g:grau:start|grau]] de [[lexico:f:forca:start|força]] ou [[lexico:v:vivacidade:start|vivacidade]], em duas classes: pensamentos ou ideias e impressões. Hume manifesta que embora as ideias complexas não derivem necessariamente de impressões complexas (assim, a ideia de uma sereia não deriva da impressão de uma sereia), as ideias simples derivam das impressões simples e representam-nas exatamente. Por outras palavras, “todas as nossas ideias ou percepções mais fracas são cópias das nossas impressões ou percepções mais vividas”. As ideias podem ser separadas e unidas mediante a imaginação, mas esta encontra-se guiada por certos princípios universais. As ideias combinam-se mediante os princípios de [[lexico:a:associacao:start|associação]]. Kant pensou que o uso do termo ideia pelos empiristas (nas suas teorias do conhecimento) e pelos racionalistas (nas suas especulações metafísicas) era claramente abusivo. Segundo ele, as sensações, percepções, intuições, etc, são diversas espécies de um [[lexico:g:genero:start|gênero]] comum: a representação em geral. Dentro deste gênero temos a representação com [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] dela ou percepção. A percepção que se refere unicamente ao sujeito como modificação do seu estado chama-se sensação. Quando se trata de uma percepção objetiva temos um conhecimento. Este conhecimento pode ser intuição ou conceito. O conceito pode ser [[lexico:p:puro:start|puro]] ou [[lexico:e:empirico:start|empírico]]. O conceito puro, se tem a sua origem apenas no entendimento e não na pura imagem da [[lexico:s:sensibilidade:start|sensibilidade]], pode qualificar-se de noção. Quando o conceito se forma à base de noções e transcende a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] da experiência, temos uma ideia ou conceito de [[lexico:r:razao:start|razão]]. Os conceitos puros da razão chamam-se ideias transcendentais. Kant tratou de averiguar se tais ideias determinam, segundo princípios, como deve utilizar-se o entendimento ao referir-se à [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] da experiência (pois não pode ser dado aos sentidos nenhum objeto que seja congruente ou correspondente com uma ideia). As ideias como objeto da metafísica são Deus, [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] e [[lexico:i:imortalidade:start|imortalidade]]. Do seu exame conclui Kant que as ideias transcendentais ultrapassam toda a possibilidade de experiência, encontrando-se segregadas quase por completo das formas a priori da sensibilidade ([[lexico:e:espaco:start|espaço]] e [[lexico:t:tempo:start|tempo]]) e dos conceitos puros do entendimento ([[lexico:c:categorias:start|categorias]]). Como sínteses metafísicas efetuadas pela [[lexico:r:razao-pura:start|razão pura]], as ideias não são constitutivas. Mas negar que o sejam não é negar-lhes a possibilidade de um uso [[lexico:r:regulador:start|regulador]]. São princípios reguladores da razão. Fundamental é o papel das ideias - ou, melhor, da ideia - em Hegel. A [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] deste autor aparece centrada na noção da Ideia Absoluta. Hegel proclama, com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], que,”Deus e a Natureza da sua vontade são uma e a mesma coisa, e esta é o que filosoficamente chamamos a ideia”. A realidade, enquanto se desenvolve para voltar a si mesma, é a mesma ideia que se vai tornando absoluta. A ideia absoluta é a plena e completa verdade do ser. A ideia é a unidade do conceito e da realidade do conceito e por isso “todo o real é uma ideia”. Se se quiser, a ideia “é o [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] como tal”. A ideia absoluta é a [[lexico:i:identidade:start|identidade]] do [[lexico:t:teorico:start|teórico]] e do [[lexico:p:pratico:start|prático]], uma vez mais: “só a ideia absoluta é ser”. Noutro sentido se usa o termo ideia - e, sobretudo, o plural ideias - quando se faz das ideias pensamentos que têm, ou tiveram os homens em diversas esferas - ideias filosóficas, religiosas, científicas, políticas, etc - e em diversos períodos. O [[lexico:e:estudo:start|estudo]] das ideias neste sentido e, por um lado, um [[lexico:t:tema:start|tema]] de [[lexico:a:antropologia-filosofica:start|antropologia filosófica]] e, por outro lado, um tema de [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] histórica. Por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], tem-se estudado as relações entre as ideias e as individualidades humanas, as gerações, as classes sociais, as formas de vida, os períodos históricos, etc; a relação entre as ideias e os conceitos, as crenças, os dogmas, etc. Várias têm sido as acepções deste termo no decorrer do [[lexico:p:processo:start|processo]] filosófico. Na [[lexico:g:grecia:start|Grécia]] era a forma, a [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]], a natureza, a [[lexico:c:classe:start|classe]], a espécie; Para Platão e [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]] é a essência, o [[lexico:u:universal:start|universal]] eterno, o arquétipo do existente. As ideias (melhor as formas) têm uma [[lexico:h:hierarquia:start|hierarquia]] na ordem divina e são a meta do homem, [[lexico:c:consciente:start|consciente]] ou não. Para os estoicos as elas são as classes dos esquemas mentais do homem: conceitos, ideias gerais. Os neoplatônicos consideravam-nas como os arquétipos das coisas ([[lexico:n:nous:start|noûs]] ou [[lexico:l:logos:start|Logos]]). As ideias ( ou formas) são subsistentes em Deus (cristianismo e [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]]). Com Descartes identificam-se com os conceitos lógicos do pensamento humano. Para Berkeley derivam-se dos objetos na [[lexico:i:introspeccao:start|introspecção]] [[lexico:i:intuitiva:start|intuitiva]]. Segundo Hume é uma mera cópia ficcional das nossas impressões. Para Kant, são conceitos ou representações, mas chama de ideias transcendentais aquelas que não derivam dos sentidos e até os ultrapassam, pois [[lexico:n:nada:start|nada]] podemos encontrar na experiência que delas nos forneça uma imagem. Ideia adequada - Vide [[lexico:a:adequado:start|adequado]]. Ideia fixa - Estado de consciência mórbida que se caracteriza pela persistência de uma ideia, que nem o curso [[lexico:n:normal:start|normal]] das ideias, nem a vontade, conseguem dissipar. Ideia força - Termo proposto por Fouillée para [[lexico:n:nomear:start|nomear]] a ideia que possua propriedades dinâmicas e atue [[lexico:c:como-se:start|como se]] fora uma força. [[lexico:i:ideias-adventicias:start|ideias adventícias]] - Vide adventícia (ideias). Ideias imagens - Representações emitidas pelos objetos do mundo [[lexico:e:exterior:start|exterior]] e que são reproduzidas como imagens no sujeito, segundo a concepção gnosiológica de [[lexico:d:democrito:start|Demócrito]]. [[lexico:i:ideias-inatas:start|ideias inatas]] - São as ideias fundamentais ou gerais que se supõem presentes no [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] antes da experiência. Vide [[lexico:n:nativismo:start|nativismo]] e a priori e [[lexico:a:a-posteriori:start|a posteriori]]. Ideias negativas - São classificadas como tais as ideias de [[lexico:e:erro:start|erro]], de [[lexico:d:desordem:start|desordem]], de [[lexico:m:mal:start|mal]], de nada, etc. Para Platão, o erro é negativo e consiste em levar ao absoluto um aspecto do real. Se digo que para mim tal coisa parece ser deste ou daquele modo, não estou errado, mas quando, em absoluto, ela é de tal ou qual modo, nesse caso, pode haver erro. Portanto ele é uma verdade parcial (como também o entende [[lexico:s:spinoza:start|Spinoza]]). Só há propriamente o erro quando, ao que é verdadeiro de um ponto de vista, lhe é atribuído o caráter de verdade absoluta. Contrariando esse ponto de vista, William [[lexico:j:james:start|James]] dizia que se o erro é uma verdade parcial, então tudo é verdade parcial. Para [[lexico:b:bergson:start|Bergson]] há desordem ou [[lexico:a:aparencia:start|aparência]] de desordem quando, ao buscar uma das duas espécies de ordem, descobrimos outra, como já o afirmavam os filósofos escolásticos. Por ex.: um quarto será [[lexico:d:dito:start|dito]] em desordem quando ao procurarmos uma ordem finalista descobrimos, simplesmente, uma ordem [[lexico:m:mecanica:start|mecânica]] ou, ao procurarmos a ordem mecânica, encontramos a ordem finalista. Se queremos limpar o quarto, os móveis serão ordenados numa ordem diferente daquela quando nele queremos [[lexico:v:viver:start|viver]]. Em tais casos a desordem somente é a [[lexico:p:presenca:start|presença]] da ordem não desejada, ou não procurada, ou não esperada. Propriamente nunca há desordem em sentido absoluto, mas apenas em sentido [[lexico:r:relativo:start|relativo]]. O nada não é algo propriamente tal que se dê ademais do ser, mas unicamente sua [[lexico:f:falta:start|falta]], sua deficiência. O que se conceitua como nada é uma [[lexico:n:negacao:start|negação]] do ser. Distingue-se: 1) Nada relativo: [[lexico:a:ausencia:start|ausência]] de certa realidade num ser real (ex.: nesta sala não há nada...; sobre este livro não há nada...). Essa ideia de nada é positiva. Apresenta-se de várias espécies: a) pura negação quando consiste na simples ausência de uma coisa que não é normal possuir; b) [[lexico:p:privacao:start|privação]] que consiste na ausência de uma coisa que é [[lexico:n:natural:start|natural]] ter. A cegueira, numa pedra, é uma simples ausência; no homem ou no [[lexico:a:animal:start|animal]], uma privação. 2) Nada absoluto: ausência total de toda realidade. Assim: " Deus criou o mundo do nada", este termo é tomado na primeira acepção. O mundo era ainda nada como realidade, não porém nada como possibilidade de ser. A sua noção é obtida pela negação do ser. Não podemos concebe-lo sem o ser, pois para concebe-lo impõe-se o ser de [[lexico:q:quem:start|quem]] concebe. Mas podemos conceber o ser sem o nada? O ser é concebido por [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]. Já o mesmo não se dá com o nada. Se digo que este livro é insensível, é porque sei [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] como é um ser sensível. Daí considerar-se o mal como um nada do bem, que só é conhecido pelo bem do qual é ele uma ausência ou uma privação. A imperfeição é a ausência de um bem ou de algo melhor; a falta, a privação de um bem que se deveria normalmente possuir; a desordem seria a falta de ordem, concebida pela ordem que deveria [[lexico:e:estar:start|estar]] em seu lugar; a imperfeição, pela perfeição, pois julgo da imperfeição de uma circunferência que posso conceber. Dessa forma o nada é obtido pela representação de um ser real ao qual negamos realidade. A ideia do nada é uma pseudo-ideia. Pensar nele é pensar em alguma coisa, cuja essência consiste em não [[lexico:e:existir:start|existir]]. O nada é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]]; a passagem dele ao ser é um pseudo problema. É o ser que não precisa de [[lexico:e:explicacao:start|explicação]], e não o nada, dizia Bergson, reafirmando uma velha [[lexico:t:tese:start|tese]] da filosofia. Realmente esta ideia implica sempre a ideia de alguma coisa à qual se nega existência. É uma ideia negativa. Mas como ideia é verdadeira. É verdadeira toda ideia negativa, e a do nada não é contraditória em si. O que é contraditório é admitir a existência do nada, um nada existindo, como ser real, espécie de "reserva misteriosa" de onde o criador tirou o real. Ele não é positivo; é a negação de toda realidade positiva. Lembremo-nos da [[lexico:f:frase:start|frase]] de [[lexico:b:bossuet:start|Bossuet]] ao negá-lo: "Que haja apenas um momento em que nada exista, e eternamente nada será". Não se vê que, suprimindo pelo pensamento tudo o que existe, observamos logo que suprimimos em sua fonte toda possibilidade de existência? Resumindo há três posições possíveis sobre o nada: 1) que absolutamente não é; 2) que é, mas é outra coisa diferente que o nada; 3) que é apenas nada. A primeira é a tese de [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]]. Só o ser é; unicamente o ser. A [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] do ser do nada é uma [[lexico:i:ilusao:start|ilusão]]. Os átomos são o ser cortados em pequenas partes, porque há o nada. Portanto é; mas diferente do nada absoluto: a tese de Platão. A [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] só pode explicar-se pelo nada não-absoluto. Ele é a [[lexico:a:alteridade:start|alteridade]]. Para Spinoza toda [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] é negação. Platão diz que para determinar uma ideia é preciso que ela não seja outra ideia... O não ser é; o nada é porque toda coisa é o que ela é, precisamente, porque não é tal, ou tal outra coisa. Para Aristóteles, naturalmente, não há nada absoluto, mas relativo. As coisas podem ser em [[lexico:a:ato:start|ato]] ou em [[lexico:p:potencia:start|potência]]. A ideia do ser puro implica a do nada, diz Hegel, pois ao pensar naquele vêmo-lo logo em face deste. A ideia do ser puro leva-nos a ele, mas a do [[lexico:d:devir:start|devir]] leva-nos ao domínio do real e do [[lexico:c:concreto:start|concreto]]. Também não há o nada absoluto. Para [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] a negação só é [[lexico:p:possivel:start|possível]] porque há um nada anterior. Não é a negação que torna o nada possível, mas este que torna a negação possível. Como o ser não pode ser atribuído a ele, Heidegger criou o termo nichten (nadificar, anihilar). O nada não é, ele nadifica a si mesmo e as outras coisas. É uma atividade de [[lexico:d:destruicao:start|destruição]], cuja realidade afirma. O nada absoluto é indefinível como o próprio ser. No entanto é verdade que, em seus últimos trabalhos, ele não considera o nada um absoluto negativo, mas quer vislumbrar nele um véu do ser através do qual talvez Deus se anuncie de maneira incompleta para nós. De qualquer forma Heidegger termina por conceder-lhe uma atividade e, consequentemente, atribuir-lhe um ato, uma eficacidade e, finalmente, um ser. Desde que se lhe dê uma eficacidade, não o excluímos mais do ser, transitando portanto, de nada para um conteúdo de ser. Surge ainda em filósofos modernos uma [[lexico:e:especulacao:start|especulação]] sobre ele, decorrente da [[lexico:p:problematica:start|problemática]] que apresentam as negatividades, sobretudo na [[lexico:a:atualidade:start|atualidade]] quando o [[lexico:i:impulso:start|impulso]] acósmico atua ante os problemas sociais, favorecendo o surto que se observa desde os dias do século passado das atitudes niilistas. A presença desse problema, com suas características, é bem um [[lexico:s:simbolo:start|símbolo]] de nossa [[lexico:e:epoca:start|época]], e a postulação do nada é o melhor símbolo do acósmico. Vide [[lexico:n:nao-ser:start|não-ser]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}