===== IDEALISMO SUBJETIVO ===== [[lexico:b:berkeley|Berkeley]] com uma audácia extraordinária, levanta o [[lexico:p:problema|problema]] [[lexico:o:ontologico|ontológico]] e metafísico: [[lexico:o:o-que-e|o que é]] [[lexico:s:ser|ser]]? o que é [[lexico:e:existir|existir]]? e a [[lexico:a:analise|análise]] psicológica [[lexico:n:nao|não]] lhe permite dar a [[lexico:e:esse|esse]] problema metafísico mais que uma resposta psicológica. O que chamo [[lexico:e:eu|eu]] ser? Ser chamo eu ser brando, ser redondo, ser [[lexico:t:triangulo|triângulo]], ser dois, ser três, ser cinco; tudo isto chamo eu ser. Por conseguinte, "ser" é ser percebido; "ser" é ser percebido como tal branco, como tal dois, como tal cinco, como tal [[lexico:f:forma|forma]]. A [[lexico:p:percepcao|percepção]], como [[lexico:v:vivencia|vivência]], é o [[lexico:u:unico|único]] que constitui o ser. Não me é [[lexico:d:dado|dado]] em nenhuma [[lexico:p:parte|parte]] um ser que não seja percebido por mim. Imaginem, diz, uma [[lexico:r:realidade|realidade]] que não seja percebida, nem possa sê-lo, nem esteja comigo, em [[lexico:s:suma|suma]], em nenhuma [[lexico:r:relacao|relação]] vivencial. Dessa realidade não tenho eu a menor [[lexico:n:nocao|noção]]; não conheço dela [[lexico:n:nada|nada]], não somente ignoro em que consiste, mas nem sequer sei se existe; porque se conhecesse que existe, estaria com ela numa relação vivencial mínima, que é a de existir, e de existir para mim; porque se para mim também não existe, nem sequer posso [[lexico:f:falar|falar]] dela. De [[lexico:m:modo|modo]] que ser não significa outra [[lexico:c:coisa|coisa]] senão ser percebido. Em nossa [[lexico:t:terminologia|terminologia]] (a que nós estamos aqui usando) diremos que para Berkeley o ser das [[lexico:c:coisas|coisas]] é a vivência que delas temos. Aqui chegamos, com Berkeley, ao [[lexico:i:idealismo-subjetivo|idealismo subjetivo]] mais completo, porque nosso problema fundamental: [[lexico:q:quem|quem]] existe? é respondido por Berkeley dizendo: "existo eu com as minhas vivências; mas [[lexico:a:alem|além]] de minhas vivências não existe nada". Ele leva sua [[lexico:p:posicao|posição]] psicologista até esse [[lexico:e:extremo|extremo]]. Chama-se ele a [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] imaterialista; não quer chamar-se idealista porque tem a [[lexico:p:presuncao|presunção]] de afirmar que seu [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista é o de [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:m:mundo|mundo]], embora seja realmente o mais difícil, o mais [[lexico:a:abstruso|abstruso]], o mais antinatural dos pontos de vista. Diz ele: mas, se é o ponto de vista de todo mundo! Você vai pelo [[lexico:c:campo|campo]] e [[lexico:p:pergunta|pergunta]] a um aldeão o que tem diante do si e ele responde: "Uma carroça puxada por bois". Ele quer dizer, naturalmente, que vê, que toca, que ouve o que vê, o que toca, o que ouve. Algo que exista sem poder ser visto, ouvido, tocado, não existe para a [[lexico:m:mente|mente]] humana [[lexico:n:natural|natural]] e espontaneamente. Visivelmente, existe aqui um terrível [[lexico:j:jogo-de-palavras|jogo de palavras]], porque a mente humana espontânea e naturalmente é realista. Quer dizer, que põe primeiro a [[lexico:e:existencia|existência]] em si e [[lexico:p:por-si|por si]] das coisas, e depois sua percepção por nós. Porém Berkeley afirma que a [[lexico:t:tese|tese]] natural é a sua, porque ser, para qualquer um, é precisamente ser tocado com as [[lexico:m:maos|mãos]], ser visto com os olhos e ouvido com os ouvidos.