===== ÍCONE ===== De [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:s:semelhante|semelhante]] à [[lexico:d:distincao|distinção]] saussuriana entre significante e [[lexico:s:significado|significado]], Charles Sanders [[lexico:p:peirce|Peirce]] diferenciava no representamen (o [[lexico:s:signo|signo]]) as "qualidades materiais" e seu "[[lexico:i:interpretante|interpretante]] [[lexico:i:imediato|imediato]]". À [[lexico:d:diferenca|diferença]] do [[lexico:m:mestre|mestre]] genebrino, contudo, que afirmava o [[lexico:c:carater|caráter]] de [[lexico:a:arbitrariedade-do-signo|arbitrariedade do signo]] (V. arbitrariedade do signo), o linguista norte-americano observava que o representamen abrange três tipos, o ícone, o [[lexico:i:indice|índice]] e o [[lexico:s:simbolo|símbolo]]. O ícone se caracteriza por nele se dar uma similitude de [[lexico:f:fato|fato]] entre o significante e o significado, o que vale dizer, por haver uma [[lexico:m:motivacao|motivação]] entre os dois. São icônicas tanto as representações figurativas de um [[lexico:o:objeto|objeto]] ou de um [[lexico:a:animal|animal]] na pintura, quanto as formas onomatopaicas, muito embora se deva notar a propósito destas que raramente a onomatopeia é motivada [[lexico:n:natural|natural]] e [[lexico:n:nao|não]] culturalmente. O índice se caracteriza por se realizar mediante uma contiguidade de fato entre o significante e o significado. A fumaça é proverbialmente índice de [[lexico:f:fogo|fogo]], a aceleração do pulso, índice da febre. O [[lexico:e:estudo|estudo]] da propaganda, visualizada sob este ângulo, por [[lexico:o:outro|outro]] lado, apresenta uma vasto [[lexico:e:elenco|elenco]] de índices industrialmente provocados, a [[lexico:e:exemplo|exemplo]] de expressões como "a pausa que refresca", "sabor pra frente", etc. Ao símbolo, por [[lexico:f:fim|fim]], corresponde a [[lexico:i:ideia|ideia]] de signo. Este se distingue das duas modalidades anteriores pela [[lexico:a:ausencia|ausência]] de qualquer similitude ou contiguidade entre suas partes constituintes. Assim sendo, se compreende tanto que a maior [[lexico:p:parte|parte]] dos léxicos das línguas pertença a esta [[lexico:e:especie|espécie]], quanto o fato de a [[lexico:l:linguagem|linguagem]] poética implicar o [[lexico:e:esforco|esforço]] de saída de seus limites em busca da motivação encontrada nas modalidades anteriores. Na [[lexico:f:filosofia-grega|filosofia grega]] o substantivo (([[lexico:e:eikon|eikon]])) designa um modo já qualificado da aparição do visível, a [[lexico:s:saber|saber]] sua [[lexico:n:natureza|natureza]] imaginária de [[lexico:s:simulacro|simulacro]] e de [[lexico:i:ilusao|ilusão]]. [[lexico:p:platao|Platão]] prefere em [[lexico:g:geral|geral]] os derivados de phainen, tais como (([[lexico:p:phantasia|phantasia]])), [[lexico:p:phantasma|phantasma]], phasma, que indicam claramente a desvalorização [[lexico:o:ontologica|ontológica]] daquilo que significam. É a [[lexico:t:teologia|teologia]] bizantina que deu ao ícone, enquanto [[lexico:i:imagem|imagem]] religiosa, suas modalidades plásticas, seus [[lexico:u:uso|uso]] litúrgicos e sua [[lexico:s:significacao|significação]] disciplinar. Não somente o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] patrístico do ícone nutriu da [[lexico:r:reflexao|reflexão]] contemporânea na [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]] da imagem, mas o [[lexico:t:termo|termo]] mesmo de ícone foi diretamente retomado pelas filosofias da [[lexico:a:arte|arte]] que tratam da "iconologia" ou da "iconografia" (p.ex. Erwin [[lexico:p:panofsky|Panofsky]]) e as semiologias em continuidade ao pensamento de C.S. Peirce. O ícone designa então de modo muito geral tudo aquilo que está na dependência do [[lexico:c:campo|campo]] impenetrável da [[lexico:r:representacao|representação]] e só mantém com a [[lexico:t:tradicao|tradição]] icônica a ligação [[lexico:d:definicao|definição]] que o fundamenta desde o início enquanto signo [[lexico:r:relacional|relacional]], tendo [[lexico:e:estatuto|estatuto]] de imagem.