===== HUMANISTAS ===== Pode-se perguntar — e já se tem perguntado — se os humanistas eram verdadeiros "filósofos". E é [[lexico:v:verdade|verdade]] que [[lexico:n:nao|não]] produziram nenhuma "[[lexico:f:filosofia|Filosofia]]". Mas mergulharam numa corrente de [[lexico:p:pensamento|pensamento]] que conduzia de uma filosofia a outra. A [[lexico:r:renascenca|Renascença]], ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] que era [[lexico:a:acao|ação]], afirmava-se também como [[lexico:r:reacao|reação]]. Voltava-se contra uma [[lexico:e:epoca|época]] ou uma concepção da [[lexico:v:vida|vida]] que tinha demasiada pressa em sepultar e, diante de valores novos, desfazia-se com excessiva facilidade dos velhos. A [[lexico:c:critica|crítica]] dos humanistas, entretanto, não se dirigiu desde o [[lexico:c:comeco|começo]] contra o fundo, mas visou sobretudo o [[lexico:m:metodo|método]]. Deixava ou fingia prudentemente deixar de lado os dogmas para ater-se aos textos, e a [[lexico:d:dialetica|dialética]] era substituída pela [[lexico:f:filologia|filologia]]. [[lexico:t:trabalho|trabalho]] inocente na [[lexico:a:aparencia|aparência]], mas que levava longe. Restabelecia-se o [[lexico:s:sentido|sentido]] e a [[lexico:o:origem|origem]] dos textos, que eram esmiuçados e relacionados uns com os outros ou com fontes comuns. Tudo isso era ótimo, enquanto se tratava apenas de livros profanos, mas a [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] contraía assim certos hábitos e surgiriam questões mais espinhosas quando se chegasse aos livros sagrados. Não temos a citar aqui senão alguns nomes que pertencem mais à [[lexico:l:literatura|literatura]] do que à filosofia propriamente dita. Lourenço Valla, de Roma, e o frisão Rodolfo Agrícola atacam [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] criticando-lhe o método e lançando suspeitas sobre a sua [[lexico:m:moral|moral]], a que opõem ainda a moral cristã. O famoso [[lexico:e:erasmo|Erasmo]] de Roterdão, padre, levou pelo [[lexico:a:amor|amor]] ou pela [[lexico:c:ciencia|ciência]] das Letras uma vida peregrina e recolheu e difundiu as máximas dos antigos nos Colóquios, nos Apotegmas e no [[lexico:e:elogio-da-loucura|Elogio da Loucura]]. Exprimia-se numa [[lexico:l:linguagem|linguagem]] bastante livre para se tomar suspeito aos protestantes como aos católicos e merecer as censuras da Sorbona, Parecia hesitar entre os dois partidos, embora defendesse o [[lexico:l:livre-arbitrio|livre arbítrio]] contra [[lexico:l:lutero|Lutero]] e fosse amigo de Tomás More, mártir da [[lexico:f:fe|fé]] ortodoxa. Em Ramus, ou Pierre de la Ramée, temos um grande humanista francês. De origem campônia e nascido em 1515, foi um autodidata, criado que era de um aluno do Colégio de Navarra, e sustentou publicamente que tudo o que se encontra em Aristóteles não passa de "[[lexico:f:falsidade|falsidade]]". Voltou à carga contra o Estagirita em diversos tratados, o que fez com que fosse condenado pela Universidade de Paris. Isto não o impediu de tornar-se, em 1545, reitor do Colégio de Presles e, em 1551, professor da [[lexico:e:escola|escola]] régia que se converteria mais [[lexico:t:tarde|Tarde]] no Colégio de França. Fez-se protestante e pereceu, em 1572, na chacina da noite de S. Bartolomeu. Escrevera em francês uma Dialética (1555) dedicada a seu protetor o Cardeal de Lorena e onde se tem querido [[lexico:v:ver|ver]] um [[lexico:s:sinal|sinal]] precursor do [[lexico:d:discurso|discurso]] do Método. Nessa [[lexico:o:obra|obra]] distinguia uma "dialética [[lexico:n:natural|natural]]" que compreendia a [[lexico:i:invencao|invenção]], isto é, a busca ou o descobrimento das [[lexico:i:ideias|ideias]] comuns, e o [[lexico:j:juizo|juízo]], que as ordena; e uma "dialética artificial", que consistia na [[lexico:e:expressao|expressão]] da primeira. Eram prescritos e descritos exercícios práticos. Vemos que perspectivas se abriam dessa [[lexico:f:forma|forma]]. Encontrou logo seguidores entusiastas e o "ramismo" tornou-se uma filosofia da [[lexico:m:moda|moda]]. Era sobretudo uma "[[lexico:l:logica|lógica]]" e tem-se pensado encontrar vestígios seus na Lógica de [[lexico:p:port-royal|Port-Royal]]. Ramus granjeou renome mundial, e sustentado na França por Omer Talon, na Inglaterra por Milton e W. Temple, na Alemanha por Fabricius, na Holanda por Arminius e por outros em outros países. O "ramismo", todavia, apresenta um [[lexico:v:valor|valor]] mais [[lexico:h:historico|histórico]] do que fundamental; dele não poderíamos hoje aproveitar quase [[lexico:n:nada|nada]] e Aristóteles não foi de forma alguma abalado pelos seus ataques. Mas não deixa de [[lexico:s:ser|ser]] apreciável [[lexico:e:exemplo|exemplo]] de uma nova [[lexico:o:orientacao|orientação]] do [[lexico:e:espirito|espírito]]. Os humanistas eram mais eruditos do que pensadores e realizavam sobretudo [[lexico:t:tarefa|tarefa]] de literatos. Embora vacilassem quanto ao partido a tomar em [[lexico:r:religiao|religião]], não foram, pelo menos os dessa [[lexico:g:geracao|geração]] inicial, anti-religiosos ou ateus. Continuam, como eles mesmo dizem, respeitadores das crenças e alguns até são animados de sentimentos piedosos. Basta [[lexico:p:pensar|pensar]], por exemplo, num Casaubon, de [[lexico:q:quem|quem]] Sainte-Beuve nos deixou um dos seus retratos mais felizes, mostrando-o entregue à oração ao nascer do dia, antes de se [[lexico:p:por|pôr]] ao trabalho. Mas era assim que se forjavam armas de que outros se serviriam para um [[lexico:u:uso|uso]] diferente.