===== HUMANIDADE E NAÇÃO ===== O primeiro, e o mais [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]], de todos esses [[lexico:p:principios:start|princípios]], é o [[lexico:p:principio:start|princípio]] da [[lexico:p:permanencia:start|permanência]] do [[lexico:s:ser:start|ser]] — que cada [[lexico:c:corpo:start|corpo]], ou cada [[lexico:e:ente:start|ente]], tem, antes de mais [[lexico:n:nada:start|nada]], a [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] a continuar sendo [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]], a resistir às forças externas que tendam a desintegrá-lo. A [[lexico:d:desintegracao:start|desintegração]] total é difícil na proporção da complexidade do corpo; uma molécula é mais fácil de desintegrar do que uma [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]], porque uma molécula tem uma medíocre [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] de resistência, ao passo que uma sociedade, pela sua complexidade, tem muitas. Mas, ao contrário, os corpos de mais difícil desintegração total, pela sua complexidade, são, por essa mesma complexidade, de-fácil desintegração parcial. O segundo princípio é o de que essa tendência a permanecer tal qual é deriva, em qualquer corpo, de um equilíbrio, ou, antes, realiza-se, ou [[lexico:n:nao:start|não]] se realiza, em qualquer corpo, consoante se mantém, ou se não mantém, determinado equilíbrio. Daí o [[lexico:f:fato:start|fato]] de que o corpo inorgânico ou existe ou deixa de [[lexico:e:existir:start|existir]], ao passo que o corpo [[lexico:o:organico:start|orgânico]] é susceptível, [[lexico:a:alem:start|além]] da [[lexico:m:morte:start|morte]], de uma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] chamada a [[lexico:d:doenca:start|doença]]. A [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]] não existe sociologicamente, não existe perante a [[lexico:c:civilizacao:start|civilização]]. Considerar a humanidade como um [[lexico:t:todo:start|todo]] é, virtualmente, considerá-la como [[lexico:n:nacao:start|nação]]; mas uma nação que deixe de ser nação passa a ser absolutamente o seu [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:m:meio:start|meio]]. Ora um corpo que passa a ser absolutamente do meio onde vive é um [[lexico:c:corpo-morto:start|corpo morto]]. A morte é isso — a absoluta entrega de si próprio ao [[lexico:e:exterior:start|exterior]], a absoluta [[lexico:a:absorcao:start|absorção]] no que cerca. Por isso o [[lexico:h:humanitarismo:start|humanitarismo]] e o internacionalismo são [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] de morte, só cérebros saudosos do inorgânico o podem agradavelmente conceber. Todo o internacionalista devia ser fuzilado para que obtenha o que quer, a [[lexico:i:integracao:start|integração]] verdadeira no meio a que tende a pertencer. Só existem nações; não existe humanidade. (Presumivelmente de 1928) {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}