===== HORIZONTE ===== (gr. [[lexico:p:periekon:start|periekon]]; lat. horizon; in. Horizon; fr. Horizon; al. Horizont; it. Orizzonté). [[lexico:l:limite:start|limite]] que circunscreve as possibilidades de uma [[lexico:i:investigacao:start|investigação]], de um [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] ou de uma [[lexico:a:atividade:start|atividade]] qualquer: limite que pode deslocar-se, mas que volta a mostrar-se após cada deslocamento. [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:t:termo:start|termo]] foi introduzido na [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] por [[lexico:a:anaximandro:start|Anaximandro]] (séc. VI a.C), que considerou o [[lexico:p:principio:start|Princípio]] ([[lexico:i:infinito:start|infinito]] ou [[lexico:a:apeiron:start|apeiron]]) como aquilo que "abarca todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] e as dirige" ([[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], Fís., III, 4, 203b 11). No [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:m:moderno:start|moderno]], esse [[lexico:c:conceito:start|conceito]] foi elucidado por [[lexico:k:kant:start|Kant]], que entendeu por horizonte o limite ou a [[lexico:m:medida:start|medida]] de [[lexico:e:extensao:start|extensão]] do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] e distinguiu o horizonte [[lexico:l:logico:start|lógico]], [[lexico:r:referente:start|referente]] aos poderes cognoscitivos em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao [[lexico:i:interesse:start|interesse]] do [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]], o horizonte estético, referente ao [[lexico:g:gosto:start|gosto]] em relação ao interesse do [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]], e o horizonte pratico, referente ao [[lexico:u:util:start|útil]] em relação ao interesse da [[lexico:v:vontade:start|vontade]]. Em [[lexico:g:geral:start|geral]], "o horizonte concerne ao [[lexico:j:juizo:start|juízo]] e à [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] daquilo que o [[lexico:h:homem:start|homem]] pode [[lexico:s:saber:start|saber]], consegue saber e deve saber"; pode [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]], sendo então [[lexico:h:historico:start|histórico]] ou [[lexico:r:racional:start|racional]], ou [[lexico:s:subjetivo:start|subjetivo]], sendo então [[lexico:u:universal:start|universal]] ou [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]], [[lexico:p:particular:start|particular]] ou [[lexico:p:privado:start|privado]] (Logik, Einleitung, § VI, A). Essa [[lexico:n:nocao:start|noção]] foi retomada na filosofia contemporânea primeiramente por [[lexico:h:husserl:start|Husserl]], que entendeu o horizonte como limite [[lexico:t:temporal:start|temporal]] (compreendido como presente ou [[lexico:a:agora:start|agora]]), no qual estão todas as vivências (Ideen, I, § 82), e depois por [[lexico:j:jaspers:start|Jaspers]], graças a [[lexico:q:quem:start|quem]] passou para o [[lexico:a:atual:start|atual]] [[lexico:u:uso:start|uso]] filosófico. Jaspers diz: "Sempre vivemos e pensamos num horizonte circunscrito. Pelo [[lexico:f:fato:start|fato]] [[lexico:f:forma:start|forma]], no passado, e que, portanto, o passado condiciona, em certos limites (considerados mais ou menos amplos), o [[lexico:f:futuro:start|futuro]] do homem. É neste sentido que [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] disse que o [[lexico:p:projeto:start|projeto]] é o [[lexico:m:modo:start|modo]] de ser fundamental do horizonte (Sein und Zeit, § 31) e [[lexico:s:sartre:start|Sartre]] falou de um projeto fundamental do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] (L’être et le néant, p. 540). No mesmo sentido, John [[lexico:d:dewey:start|Dewey]] falou da mutabilidade da [[lexico:n:natureza-humana:start|natureza humana]] e dos seus chamados instintos ou impulsos fundamentais (Human Nature and Conduct, pp. 95 ss.; 106 ss.). Heidegger insistiu também sobre a [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] da [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de projetar, uma vez que [[lexico:t:todo:start|todo]] projeto incidiria e se achataria naquilo que já foi, nisso consistindo a [[lexico:f:facticidade:start|facticidade]] do horizonte (v. Projeto). Sartre insistiu na [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] absoluta da possibilidade de projetar e considerou puramente arbitrária ou gratuita a [[lexico:e:escolha:start|escolha]] de um projeto qualquer (L’être et le néant, p. 721). Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, Dewey retomou o conceito iluminista de [[lexico:r:racionalidade:start|racionalidade]] (que é ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] [[lexico:c:condicionamento:start|condicionamento]] e liberdade) dos projetos humanos, e o [[lexico:e:existencialismo:start|existencialismo]] [[lexico:p:positivo:start|positivo]] deu ênfase aos mesmos [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] de auto-projeção (cf. [[lexico:a:abbagnano:start|Abbagnano]], Possibilita e liberta, 1956,1, 7; II, 3; etc). Aliás, hoje parece que até os biólogos compartilham dessa concepção. G. G. Simpson diz: "O horizonte pode optar por desenvolver suas capacidades como [[lexico:a:animal:start|animal]] [[lexico:s:superior:start|superior]] e tentar erguer-se ainda mais, ou sua escolha pode ser outra. A escolha é [[lexico:r:responsabilidade:start|responsabilidade]] sua e apenas sua. [[lexico:n:nao:start|Não]] existe [[lexico:a:automatismo:start|automatismo]] que o eleve sem escolha ou [[lexico:e:esforco:start|esforço]], nem existe uma [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] unilateral na direção certa. A [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] não tem objetivos; o horizonte deve dar objetivos a [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]" (The Meaning of Evolution, 6S ed., 1952, p. 310). A [[lexico:h:historia:start|História]], em qualquer [[lexico:e:epoca:start|época]], desenha os contornos da [[lexico:p:presenca:start|presença]] do presente. E esses contornos contornam o seu horizonte. «Horizonte» quer dizer «limitante». Posso crer que o limite não seja sempre o mesmo, isto é, que, de época para época, a presença do presente se dilate e, portanto, que o horizonte histórico de hoje circunscreva os horizontes de épocas pretéritas: mas não posso crer que o futuro traga consigo uma época em que já não se ponha um termo à investigação da proveniência do atual. Isto é o que significa a [[lexico:e:existencia:start|existência]] de um limite, de um horizonte. O mover-se, a História, dentro do seu horizonte, o não poder transpô-lo, também se diz de um modo mais sugestivo: para a presença do presente há um «[[lexico:l:lugar:start|lugar]]» de exaustão dessa mesma presença, e o horizonte histórico é esse «lugar». O horizonte é efetivamente um limitante, porque a presença do presente ficou toda para o lado de cá, sem forças para excedê-lo — exausta daquilo que finalmente se exauriu: a [[lexico:f:forca:start|força]] retroativa da [[lexico:a:atualidade:start|atualidade]], atraindo para si a contrapolar [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]]. Que, do além-horizonte, não há história [[lexico:p:possivel:start|possível]], é o que espero se tenha tornado evidente — por ora, só mediante o facto dogmaticamente indicado de que esse horizonte é precisamente o da História... Talvez não haja limite que não seja liminar. Mas o limite da História não é, certamente, o liminar de outra, nem um prolongamento da mesma, ainda que, traçado em outro [[lexico:p:plano:start|plano]], pareça respeitar a existência de uma descontinuidade ou, até, de um [[lexico:a:abismo:start|abismo]]. Não há, nem pode haver, duas Histórias. Mas, ainda assim, pode invadir-nos e de nós se apossar o irreprimível anseio de saber o que está para [[lexico:a:alem:start|além]] da História. Isso acontece fatalmente àqueles que muito de perto se achegam à linha do horizonte, ou melhor, àqueles que nunca o perdem de vista, pois ninguém a alcançará jamais, por muitos e tão largos passos que se deem a seu encontro. Isso acontece necessariamente a quem muito se ocupa da [[lexico:g:grecia:start|Grécia]] antiga, e com ela se preocupa. [EudoroMito:342] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}