===== HISTÓRIA E SUBJETIVIDADE ===== A partir deste alargamento, da mesma maneira que se [[lexico:f:fala:start|fala]] de um [[lexico:a:a-priori:start|a priori]] [[lexico:u:universal:start|universal]] da [[lexico:c:constituicao:start|constituição]], abarcando todas as intencionalidades, poder-se-á [[lexico:f:falar:start|falar]] de um a priori da [[lexico:i:intencionalidade:start|intencionalidade]] intersubjetiva, correspondente à constituição do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] e à sua [[lexico:h:historia:start|história]]. Estes dois a priori, aliás, fundam-se um no [[lexico:o:outro:start|outro]], de tal maneira que a realização da [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] teórica de si implica necessariamente a de todas as idealidades constituídas intersubjetivamente no mundo da [[lexico:c:cultura:start|cultura]]. Uma compreensão de si ([[lexico:n:nao:start|não]] somente no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:e:empirico:start|empírico]] mas também no sentido [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]]) é uma compreensão histórica de si (La Crise des Sciences Européennes, primeira [[lexico:p:parte:start|parte]]). Este [[lexico:u:ultimo:start|último]] [[lexico:t:tema:start|tema]], que só aparece de maneira explícita bastante tardiamente na [[lexico:o:obra:start|obra]] de [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] — mas que, como a maior parte dos temas husserlianos, se pode revelar como [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] antes que seja [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] a [[lexico:t:tecnica:start|técnica]] da sua [[lexico:e:exposicao:start|exposição]] — dá [[lexico:t:todo:start|todo]] o seu alcance à constituição [[lexico:g:genetica:start|genética]]. O conjunto [[lexico:c:concreto:start|concreto]] da [[lexico:v:vida:start|vida]], no qual se misturam todos os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] estaticamente constituídos, é o todo da História com a sua [[lexico:f:finalidade:start|finalidade]] [[lexico:i:imanente:start|imanente]]. A [[lexico:a:analise:start|análise]] genética explorará o fundo dos elementos sedimentados no [[lexico:i:inconsciente:start|Inconsciente]] da vida individual e no inconsciente [[lexico:h:historico:start|histórico]]. Paradoxalmente, a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] que a [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]] é, reencontra, como último [[lexico:h:horizonte:start|horizonte]] da sua [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]], a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de um inconsciente ou, como escreverá Marleau-Ponty, a [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] «suscitará sempre de novo ura irrefletido» («Le Philosophe et son Ombre», in Signes). É [[lexico:v:verdade:start|verdade]] que o inconsciente, compreendido fenomenologicamente, é «um [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:l:limite:start|limite]] da consciência» (Logique, p. 412). Ela não é o outro [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]], não obedece a outra [[lexico:l:logica:start|lógica]] que não seja a da própria consciência que pode reavê-lo no presente vivo da reflexão. A abertura para a História, para as transmissões inconscientes das comunidades históricas no decurso de sedimentações sucessivas, far-se-á na clausura do [[lexico:e:ego:start|ego]] que medita, que pode, em [[lexico:d:direito:start|direito]], constituir, quer dizer, possuir, na [[lexico:e:evidencia:start|evidência]] [[lexico:a:atual:start|atual]], todos os sentidos: «Nós permanecemos no horizonte da única [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]] na qual vivemos nós próprios [[lexico:a:agora:start|agora]]. Deste horizonte temos uma consciência viva e permanente, e isto como horizonte de [[lexico:t:tempo:start|tempo]] implicado no nosso presente de cada [[lexico:i:instante:start|instante]]» (L’Origine de la Géométrie, p. 199). A desobstrução deste horizonte fará [[lexico:a:aparecer:start|aparecer]], não uma [[lexico:m:massa:start|massa]] de factos, mas um a priori universal de [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]], o da [[lexico:h:historicidade:start|historicidade]] que penetra toda a vida constituinte da [[lexico:s:subjetividade-transcendental:start|subjetividade transcendental]] e [[lexico:f:forma:start|forma]], de algum modo, «a arqueologia» do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]]. O [[lexico:r:retorno:start|retorno]] permanente ao [[lexico:m:mundo-da-vida:start|mundo da vida]], que suscita sempre novas reduções e alarga o [[lexico:c:campo:start|campo]] das possibilidades apriorísticas, completa, portanto, a ideia da [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] na [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] de uma [[lexico:g:genese:start|gênese]] [[lexico:i:intencional:start|intencional]] total. Se retomamos a [[lexico:q:questao:start|questão]] do [[lexico:o:objeto:start|objeto]] da fenomenologia como ciência, ressalta que este objeto que se alarga até [[lexico:c:compreender:start|compreender]] a [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] do mundo e do seu horizonte, não é outro senão «o ser-sujeito». E é precisamente pela descoberta do ser-sujeito que ela funda a sua pretensão à ciência, a uma ciência «das [[lexico:o:origens:start|origens]]» que pode, em cada etapa do seu percurso, proceder à sua própria legitimação. Por isso, a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] interna da obra de Husserl, ao longo das modificações nominativas, da descoberta de novas técnicas de análise, dos deslocamentos de interesses para novos problemas, explica-se pela continuidade do seu [[lexico:p:projeto:start|projeto]]. [Schérer] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}