===== HISTÓRIA DA GNOSIOLOGIA ===== [[lexico:n:nao|Não]] se pode [[lexico:f:falar|falar]] de uma [[lexico:g:gnosiologia|gnosiologia]], no [[lexico:s:sentido|sentido]] de uma [[lexico:d:disciplina|disciplina]] filosófica [[lexico:i:independente|independente]], nem na [[lexico:a:antiguidade|antiguidade]] nem na Idade Média. Na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] antiga encontramos numerosas reflexões gnosiológicas, especialmente em [[lexico:p:platao|Platão]] e [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]]. Mas as investigações gnosiológicas estão ainda englobadas nos textos metafísicos e psicológicos. Como disciplina autônoma a gnosiologia aparece pela primeira na Idade [[lexico:m:moderna|moderna]], sendo considerado seu fundador o [[lexico:f:filosofo|filósofo]] inglês John [[lexico:l:locke|Locke]], em cuja [[lexico:o:obra|obra]] fundamental — Ensaio sobre o [[lexico:e:entendimento|entendimento]] [[lexico:h:humano|humano]], 1690 — trata de [[lexico:f:forma|forma]] [[lexico:s:sistematica|sistemática]] as questões da [[lexico:o:origem|origem]], [[lexico:e:essencia|essência]] e [[lexico:c:certeza|certeza]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] humano. [[lexico:l:leibniz|Leibniz]], em seus [[lexico:n:novos-ensaios-sobre-o-entendimento-humano|Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano]] — editados postumamente em 1765 — tentou uma [[lexico:r:refutacao|refutação]] do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista gnosiológico defendido por Locke. Sobre os resultados por este obtidos edificaram novas construções, na Inglaterra, George [[lexico:b:berkeley|Berkeley]] no seu Tratado dos [[lexico:p:principios-do-conhecimento|princípios do conhecimento]] humano (1710) e David [[lexico:h:hume|Hume]] em sua obra fundamental — [[lexico:t:tratado-da-natureza-humana|Tratado da Natureza Humana]], 1739-40 — e no resumo desse tratado — [[lexico:i:investigacao|Investigação]] sabre o entendimento humano, 1748. Como [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] fundador da gnosiologia dentro da filosofia continental europeia apresenta-se Immanuel [[lexico:k:kant|Kant]]. Na sua obra gnosiológica [[lexico:c:capital|capital]], a Critica da [[lexico:r:razao-pura|razão pura]] (1781), procura, essencialmente, dar uma fundamentação [[lexico:c:critica|crítica]] do [[lexico:c:conhecimento-cientifico|conhecimento científico]] da [[lexico:n:natureza|natureza]]. Ele [[lexico:p:proprio|próprio]] chama ao [[lexico:m:metodo|método]] de que se serve nela "método [[lexico:t:transcendental|transcendental]]". Este método não investiga a origem psicológica mas sim a [[lexico:v:validade|validade]] [[lexico:l:logica|lógica]] do conhecimento. Não [[lexico:p:pergunta|pergunta]] — como o método [[lexico:p:psicologico|psicológico]] — de que maneira surge o conhecimento, mas sim como é [[lexico:p:possivel|possível]] o conhecimento, sobre que bases, sobre que pressupostos supremos ele assenta. Em [[lexico:f:fichte|Fichte]], sucessor [[lexico:i:imediato|imediato]] de Kant, a gnosiologia aparece pela primeira vez com o título de "[[lexico:t:teoria-da-ciencia|Teoria da Ciência]]". Mas já nele se manifesta essa confusão entre a gnosiologia e a [[lexico:m:metafisica|metafísica]], que se acentua francamente em [[lexico:s:schelling|Schelling]] e [[lexico:h:hegel|Hegel]] e que também se encontra de forma evidente em [[lexico:s:schopenhauer|Schopenhauer]] e Von [[lexico:h:hartmann|Hartmann]]. Em [[lexico:o:oposicao|oposição]] a esta forma metafísica de tratar a gnosiologia, o [[lexico:n:neokantismo|neokantismo]] — que surgiu na altura de 1870 — esforçou-se por traçar uma nítida [[lexico:s:separacao|separação]] entre os problemas gnosiológicos e metafísicos. Todavia, tanto procurou colocar os problemas gnosiológicos em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]] que a filosofia correu o [[lexico:r:risco|risco]] de reduzir-se à gnosiologia. [[lexico:a:alem|Além]] disso, o neokantismo desenvolveu a [[lexico:t:teoria|teoria]] kantiana do conhecimento numa direção [[lexico:b:bem|Bem]] determinada. O exclusivismo por ele provocado depressa fez surgir várias correntes gnosiológicas contrárias. É assim que hoje nos encontramos perante uma infinidade de direções gnosiológicas. Portanto, o [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] do conhecimento, enquanto [[lexico:o:objeto|objeto]] de uma disciplina filosófica, só na [[lexico:e:epoca|época]] moderna tornou-se autônomo, não obstante [[lexico:t:ter|ter]] sido a [[lexico:r:reflexao|reflexão]] sobre o conhecer, desde os primórdios da filosofia, um dos primeiros e mais graves problemas. O [[lexico:p:primado|primado]] da [[lexico:q:questao|questão]] [[lexico:o:ontologica|ontológica]] sobre a gnosiológica no [[lexico:p:pensamento|pensamento]] antigo e medieval não impediu, com [[lexico:e:efeito|efeito]], que, com escassas exceções, se tenham esgotados na [[lexico:g:grecia|Grécia]] todas as posições possíveis no [[lexico:p:problema|problema]] do conhecimento. Contudo, somente na época moderna e em [[lexico:p:particular|particular]] somente a partir de Kant atingiu a gnosiologia, em [[lexico:v:virtude|virtude]] da inversão do anterior primado, a maior importância dentro da [[lexico:a:area|área]] filosófica. O descobrimento, por Kant, do [[lexico:p:plano|plano]] transcendental, já preparado desde a crítica renascentista e revezado por uma linha que compreende todos os grandes pensadores dos séculos XVI e XVII é, efetivamente, o que outorgou à [[lexico:e:esfera|esfera]] gnosiológica sua independência com [[lexico:r:relacao|relação]] às freqüentes invasões da crítica psicológica, das implicações lógicas ou das especulações metafísicas. Por isso se [[lexico:f:fala|fala]] propriamente de gnosiologia só a partir de Kant, com o que não se nega a [[lexico:e:existencia|existência]] anterior do problema, mas unicamente sua [[lexico:a:autonomia|autonomia]] e [[lexico:h:hierarquia|hierarquia]] dentro do [[lexico:s:sistema|sistema]] de saberes filosóficos.