===== HIPERTEXTO ===== De [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com George Landow (1993), o [[lexico:t:termo:start|termo]] hipertexto foi cunhado por Theodor Nelson em 1960, já se referindo “a uma [[lexico:f:forma:start|forma]] de [[lexico:t:texto:start|texto]] eletrônico, uma [[lexico:t:tecnologia:start|tecnologia]] radicalmente nova e um [[lexico:m:modo:start|modo]] de publicação”. Nelson lançava as bases de uma [[lexico:i:ideia:start|ideia]] revolucionária, qual seja a construção de um [[lexico:d:discurso:start|discurso]] não-sequencial, ou seja, [[lexico:c:composto:start|composto]] por uma [[lexico:s:serie:start|série]] de pedaços de texto conectados por ligações que possibilitem uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de livre navegação pelo discurso, sem seguir sua linearidade original. A [[lexico:n:nocao:start|noção]] de hipertexto pode [[lexico:s:ser:start|ser]] melhor compreendida através da noção de rede. O hipertexto é uma espécie de rede que apreende um discurso. Conectando o que um discurso e seu contexto [[lexico:h:historico:start|histórico]] reúne em uma configuração de termos, noções, [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] internos e externos ao [[lexico:p:proprio:start|próprio]] discurso, a rede ordena uma determinada [[lexico:l:leitura:start|leitura]] não-linear, que dele se pode fazer. Se esta rede for muito [[lexico:b:bem:start|Bem]] projetada e tecida, pode-se até dizer que o discurso está sendo [[lexico:a:apropriado:start|apropriado]] segundo uma certa “[[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]]”, que pode [[lexico:e:estar:start|estar]] alinhada ou [[lexico:n:nao:start|não]] com a [[lexico:i:intencao:start|intenção]] do autor. (1969) se aproxima da noção de rede de maneira negativa, contrapondo-a à linearidade da [[lexico:s:sequencia:start|sequência]] [[lexico:d:dialetica:start|dialética]], ou em nosso caso do discurso. Ele inaugura sua [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] sobre a [[lexico:c:comunicacao:start|comunicação]], por uma reflexão sobre a rede, onde tenta precisar os fundamentos de sua [[lexico:e:epistemologia:start|epistemologia]], nos mesmos passos de sua [[lexico:t:tese:start|tese]] de doutoramento sobre o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] de . Para [[lexico:s:serres:start|Serres]], um diagrama em rede é constituído, em um [[lexico:i:instante:start|instante]] [[lexico:d:dado:start|dado]], por uma “[[lexico:p:pluralidade:start|pluralidade]] de pontos (polos) ligados entre si por uma pluralidade de ramificações (caminhos)”; um polo é a interseção de vários caminhos e reciprocamente um [[lexico:c:caminho:start|caminho]] põe em [[lexico:r:relacao:start|relação]] vários polos. O [[lexico:m:modelo:start|modelo]] de [[lexico:r:racionalidade:start|racionalidade]] representado por um diagrama em rede se oferece, segundo Serres, como um poderoso [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] para lidar com a complexidade, em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] de alguns traços característicos que o diferenciam da linearidade dos conceitos tradicionais da dialética, entre os quais: a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de sustentar várias entradas e conexões múltiplas, em um mesmo [[lexico:r:raciocinio:start|raciocínio]]; a “plurivocidade” dos tipos de [[lexico:r:relacoes:start|relações]] entre os polos; a ampla [[lexico:d:diferenciacao:start|diferenciação]] das determinações dos polos e dos caminhos, “em [[lexico:n:natureza:start|natureza]], em [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] de fluxo e em direção”. O hipertexto se configura exatamente como uma rede de termos em um discurso, nos moldes desta [[lexico:d:definicao:start|definição]] de Serres. Mas a rede do hipertexto tem um intenção: o que Debray denomina "transmitir". A rede imposta pelo hipertexto sobre um discurso se apresenta e se realiza, desta forma, como uma [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] artificial ou [[lexico:t:tecnica:start|técnica]] de conquista e de gestão do discurso. Parafraseando Debray, o [[lexico:p:problema:start|problema]] é que já existe um discurso. O que significa que a rede, por [[lexico:m:meio:start|meio]] da qual a transmissão atua de forma ordenadora, através de métodos colegiais e quadros coletivos, vai apenas propiciar a “re-produção” multifacetada do discurso. Em outros termos, a rede possibilita, pela transmissão, que uma [[lexico:c:cultura:start|cultura]] se re-potencialize e se re-operacionalize, segundo novas bases, e, portanto, segundo um “novo” discurso. Podemos assim concluir que o discurso se desdobra na rede, que, por sua vez, informa o discurso ou conforma um novo discurso. Deste modo, podemos também entender o hipertexto como um [[lexico:a:artefato:start|artefato]] sobreposto ao discurso, realizando uma espécie de [[lexico:a:anamorfose:start|anamorfose]]. Parafraseando a formulação de Pierre Lévy (1997) sobre o “[[lexico:v:virtual:start|virtual]]”: a rede do hipertexto virtualiza o discurso, na [[lexico:m:medida:start|medida]] que permite re-potencializar os termos e as noções carregados pelo discurso, elevando-o a sua [[lexico:v:virtualidade:start|virtualidade]], ou a uma [[lexico:m:modalidade:start|modalidade]] tal, a partir da qual ele é capaz de ser então atualizado, segundo novas problemáticas, alinhadas, por sua vez, segundo os interesses os mais diversos. Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, o poder metafórico que guardam os termos e noções no contexto do discurso fica mais que multiplicado pelas novas configurações de significados que uma leitura não-linear, baseada na rede do hipertexto, pode oferecer. Neste [[lexico:s:sentido:start|sentido]], as [[lexico:c:ciencias-cognitivas:start|ciências cognitivas]] também deram uma importante contribuição para o [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] da relevância das metáforas em seu papel fundamental na [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] de nosso [[lexico:s:sistema:start|sistema]] conceitual. Essa breve incursão através de algumas das principais temáticas que pretendemos tratar, teve também a intenção de embasar ainda mais nossa [[lexico:p:problematica:start|problemática]] do hipertexto, enquanto rede “inteligente” imposta sobre um discurso. O discurso mobilizado pelo hipertexto se transforma em uma nova [[lexico:f:formacao:start|formação]] discursiva ou até mesmo em uma [[lexico:r:representacao:start|representação]] polissêmica do discurso original. A este novo [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de discurso, potencializado pelo hipertexto, denominamos "HyperLogos" ou vulgarmente “hiperlogos”. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}