===== HILEMORFISMO ===== é a [[lexico:t:teoria:start|teoria]], primeiro elaborada por [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] e ulteriormente ampliada na [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]], relativa à composição de todos os seres corpóreos, que são um [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:n:natural:start|natural]], os quais estão integrados por [[lexico:m:materia:start|matéria]] ([[lexico:h:hyle:start|hyle]]) e [[lexico:f:forma:start|forma]] (morphe), na [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] de componentes essenciais. Como corpos que, compostos desta maneira, constituem uma [[lexico:u:unidade:start|unidade]], é [[lexico:c:costume:start|costume]] considerar os [[lexico:e:elementos:start|elementos]], os compostos verdadeiramente tais (mixta), os vegetais, os animais e os homens. Opõem-se ao hilemorfismo, por um lado, o [[lexico:a:atomismo:start|atomismo]] o [[lexico:d:dinamismo:start|dinamismo]] filosófico-natural, os quais admitem um [[lexico:u:unico:start|único]] [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] dos corpos, e, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, o [[lexico:d:dualismo:start|dualismo]] unilateral que admite no [[lexico:s:ser:start|ser]] vivo, ao menos, no [[lexico:h:homem:start|homem]], dois entes, aliás independentes, unidos só por uma [[lexico:i:interacao:start|interação]] acidental. O hilemorfismo denomina-se também [[lexico:s:sistema:start|sistema]] peripatético, do mesmo [[lexico:m:modo:start|modo]] que os sequazes de Aristóteles foram chamados peripatéticos, qualificativo derivado de peripatos. O átrio onde Aristóteles dava suas preleções. A [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] da unidade integrada por dois constitutivos origina-se, em Aristóteles, do [[lexico:p:problema:start|problema]] filosófico-natural do [[lexico:d:devir:start|devir]] no [[lexico:m:mundo:start|mundo]] corpóreo. A [[lexico:o:observacao:start|observação]] cotidiana mostra haver na [[lexico:n:natureza:start|natureza]] mudanças e transformações dos corpos, os quais, pelo menos segundo as aparências, produzem algo de [[lexico:e:especie:start|espécie]] inteiramente diversa. Tais processos, p. ex., a evaporação da água, são interpretados por Aristóteles — nos mais dos casos, apressadamente — como devir [[lexico:s:substancial:start|substancial]], como mudanças substanciais; isto é, operam-se neles [[lexico:n:nao:start|não]] [[lexico:s:simples:start|simples]] mudanças na [[lexico:p:posicao:start|posição]] das partículas mais pequenas ou variações de seu [[lexico:e:estado:start|Estado]] de [[lexico:m:movimento:start|movimento]], mas a produção de substancias corpóreas novas, especificamente diversas; por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], da água se origina o "[[lexico:a:ar:start|ar]]". Pelo que, Aristóteles, para designar estas novas produções, emprega também no domínio do inorgánico o vocábulo "[[lexico:g:geracao:start|geração]]" (generatio, [[lexico:g:genesis:start|genesis]]), vocábulo que significa, portanto, produção de uma nova [[lexico:s:substancia:start|substância]] a partir de outra já existente; inversamente chama "[[lexico:c:corrupcao:start|corrupção]]" (corruptio, [[lexico:p:phthora:start|phthora]]) ao [[lexico:p:processo:start|processo]] de deperecimento de uma substância que se transforma noutra. Mas se o devir substancial não deve ser completa aniquilação e produção inteiramente nova, mas sim [[lexico:t:transformacao:start|transformação]] autêntica, tem de haver algum [[lexico:s:substrato:start|substrato]] permanente comum ao [[lexico:c:corpo:start|corpo]] que perece e ao que se origina: [[lexico:e:esse:start|esse]] substrato comum é a matéria informavel. Se, por outra [[lexico:p:parte:start|parte]], a substância dos dois corpos deve ser distinta, requer-se a [[lexico:e:existencia:start|existência]] neles de um [[lexico:p:principio:start|princípio]] substancial [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] a [[lexico:m:mudanca:start|mudança]], fundamento da [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] específica: a forma substancial. Como porém, segundo a [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] de Aristóteles, todos os corpos são fundamentalmente transformáveis entre si, requer-se, em derradeira [[lexico:i:instancia:start|instância]], uma matéria primitiva comum, uma "[[lexico:m:materia-prima:start|matéria prima]]", substrato [[lexico:u:ultimo:start|último]] de todo devir substancial. A produção de uma nova forma explica-se, dizendo que uma [[lexico:c:causa:start|causa]] eficiente extrínseca a "tira da matéria" (eductio formae a materia); o que, claro está, não significa que a forma já de antemão estivesse contida realmente na matéria, mas só que esta se converte [[lexico:a:agora:start|agora]] naquilo que podia vir a ser, naquilo para o qual estava em [[lexico:p:potencia:start|potência]]. Na escolástica medieval, a par das considerações filosófico-naturais adquiriram maior relevo as controvérsias de [[lexico:o:ordem:start|ordem]] lógico-metafísica. Determinou-se o [[lexico:l:limite:start|limite]] do devir substancial diante da transmutação essencial (trans-substanciação), tal como esta, segundo o [[lexico:d:dogma:start|dogma]] católico, se. opera quando o pão e o vinho se transformam no corpo e no [[lexico:s:sangue:start|sangue]] de Cristo. Enquanto na [[lexico:m:mutacao:start|mutação]] substancial ordinária um [[lexico:e:elemento:start|elemento]] essencial, a matéria, persevera como sustentador das formas que se mudam, na transmutação essencial transforma-se a substância toda ([[lexico:m:materia-e-forma:start|matéria e forma]]), permanecendo só os acidentes sensorialmente perceptíveis. — [[lexico:a:alem:start|Além]] dos processos do devir, tenta-se aduzir, como fundamento da composição essencial dos corpos, a [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] de unidade e [[lexico:m:multiplicidade:start|multiplicidade]] na substância extensa contínua, a circunscrição do ser em si espiritual ao ser não espiritual, e, finalmente, a multiplicação dos indivíduos dentro da mesma espécie, a qual só parece [[lexico:p:possivel:start|possível]] mediante um sujeito arbitrariamente reiterável, distinto da forma especificante, ou seja: a matéria ([[lexico:i:individuo:start|indivíduo]]). Esta última [[lexico:i:ideia:start|ideia]] leva S. [[lexico:b:boaventura:start|Boaventura]] e outros escolásticos a estender o hilemorfismo a todo [[lexico:e:ente:start|ente]] criado, inclusive ao [[lexico:e:espirito:start|espírito]] criado [[lexico:p:puro:start|puro]], o qual, de maneira análoga, é concebido como [[lexico:c:composto:start|composto]] de uma "matéria" espiritual e de uma forma substancial. Discutível é a maneira exata de entender a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] d t [[lexico:e:essencia:start|essência]], principalmente nos seres viventes. A [[lexico:e:escola:start|escola]] tomista opina que um ser natural rigorosamente [[lexico:u:uno:start|uno]] (unum per se) exige a unidade ([[lexico:u:unicidade:start|unicidade]]) de forma substancial, isto é, a composição da matéria primitiva inteiramente indeterminada, que é pura potência, e da [[lexico:a:alma:start|alma]] como única forma substancial; portanto, todo o corpóreo é já [[lexico:e:efeito:start|efeito]] da alma; se se admitisse a composição de uma alma e de um corpo, que independentemente desta já possuísse [[lexico:r:realidade:start|realidade]], o todo resultante não sei ia mais que uma coordenação de duas ou mais [[lexico:s:substancias:start|substâncias]] independentes (unum [[lexico:p:per-accidens:start|per accidens]]). A [[lexico:o:objecao:start|objeção]] principal contra a concepção tomista reside na dificuldade de [[lexico:e:explicar:start|explicar]] a produção das novas formas substanciais que se devem admitir, p. ex., na [[lexico:m:morte:start|morte]] de um [[lexico:v:vivente:start|vivente]]. No [[lexico:e:esquema:start|esquema]] medieval do [[lexico:u:universo:start|universo]], a [[lexico:r:representacao:start|representação]] de um misterioso [[lexico:i:influxo:start|influxo]] dos corpos celestes, que dominava o nascer e o perecer do "sublunar", amortizava a [[lexico:f:forca:start|força]] desta dificuldade. Contudo, fora da escola tomista, na maior parte dos casos, defendia-se geralmente a concepção natural que considera os seres vivos compostos de um corpo já de si [[lexico:r:real:start|real]] e da alma, pensando-se, portanto, que o corpo era composto, por seu turno, da matéria-prima e de uma ou mais formas substanciais; quer dizer, admitia-se uma [[lexico:p:pluralidade:start|pluralidade]] de formas essenciais pelo menos nos seres viventes (e muitas vezes também nos "mistos"). Na apreciação do hilemorfismo, precisamos distinguir entre a composição [[lexico:f:fisica:start|física]] dos seres vivos, demonstrável com [[lexico:c:certeza:start|certeza]] pelos processos vitais ([[lexico:v:vitalismo:start|vitalismo]]) e também pela cooperação de [[lexico:c:corpo-e-alma:start|corpo e alma]] na [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] [[lexico:s:sensorial:start|sensorial]] (corpo e Alma [Relação entre]), e uma composição análoga dos corpos inorgânicos, cuja [[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]] depende da existência de mudanças substanciais nos mesmos. Os resultados da física [[lexico:m:moderna:start|moderna]] insinuam, pelo menos, tais mudanças, p. ex., na geração de um par de eletrões (ou seja, de um eletrão carregado negativamente e de um "positrão" com carga positiva) a partir de um "quanto" de [[lexico:l:luz:start|luz]]. Prescindindo desta composição física, existe igualmente a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de considerar, à base das reflexões especulativas anteriormente indicadas, uma composição "[[lexico:m:metafisica:start|metafísica]]" dos corpos situada num [[lexico:p:plano:start|plano]] mais [[lexico:p:profundo:start|profundo]]; esta ordem de considerações independe da mudança a que está sujeito o esquema científico-natural do universo. — De Vries. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}