===== HIEROFANIA ===== O [[lexico:h:homem|homem]] toma [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] do [[lexico:s:sagrado|sagrado]] porque este se manifesta, se mostra como algo absolutamente diferente do profano. A [[lexico:f:fim|fim]] de indicarmos o [[lexico:a:ato|ato]] da [[lexico:m:manifestacao|manifestação]] do sagrado, propusemos o [[lexico:t:termo|termo]] hierofania. Este termo é cômodo, pois [[lexico:n:nao|não]] implica nenhuma [[lexico:p:precisao|precisão]] suplementar: exprime apenas o que está implicado no seu conteúdo etimológico, a [[lexico:s:saber|saber]], que algo de sagrado se nos revela. Poder-se-ia dizer que a [[lexico:h:historia|história]] das religiões – desde as mais primitivas às mais elaboradas – é constituída por um [[lexico:n:numero|número]] considerável de hierofanias, pelas manifestações das realidades sagradas. A partir da mais elementar hierofania – por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], a manifestação do sagrado num [[lexico:o:objeto|objeto]] qualquer, urna pedra ou uma árvore – e até a hierofania suprema, que é, para um cristão, a [[lexico:e:encarnacao|encarnação]] de [[lexico:d:deus|Deus]] em Jesus Cristo, não existe solução de continuidade. Encontramo-nos diante do mesmo ato misterioso: a manifestação de algo “de [[lexico:o:ordem|ordem]] diferente” – de uma [[lexico:r:realidade|realidade]] que não pertence ao nosso [[lexico:m:mundo|mundo]] – em objetos que fazem [[lexico:p:parte|parte]] integrante do nosso mundo “[[lexico:n:natural|natural]]”, “profano”. O homem ocidental [[lexico:m:moderno|moderno]] experimenta um certo [[lexico:m:mal|mal]] [[lexico:e:estar|estar]] diante de inúmeras formas de manifestações do sagrado: é difícil para ele aceitar que, para certos seres humanos, o sagrado possa manifestar-se em pedras ou árvores, por exemplo. Mas, como não tardaremos a [[lexico:v:ver|ver]], não se trata de uma veneração da pedra como pedra, de um [[lexico:c:culto|culto]] da árvore como árvore. A pedra sagrada, a árvore sagrada não são adoradas com pedra ou como árvore, mas justamente porque são hierofanias, porque “revelam” algo que já não é nem pedra, nem árvore, mas o sagrado, o ganz andere. Nunca será demais insistir no [[lexico:p:paradoxo|paradoxo]] que constitui toda hierofania, até a mais elementar. Manifestando o sagrado, um objeto qualquer torna-se outra [[lexico:c:coisa|coisa]] e, contudo, continua a [[lexico:s:ser|ser]] ele mesmo, porque continua a participar do [[lexico:m:meio|meio]] cósmico envolvente. Uma pedra sagrada nem por isso é menos uma pedra; aparentemente (para sermos mais exatos, de um [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista profano) [[lexico:n:nada|nada]] a distingue de todas as demais pedras. Para aqueles a cujos olhos uma pedra se revela sagrada, sua realidade imediata transmuda se numa realidade [[lexico:s:sobrenatural|sobrenatural]]. Em outras [[lexico:p:palavras|palavras]], para aqueles que têm uma [[lexico:e:experiencia-religiosa|experiência religiosa]], toda a [[lexico:n:natureza|natureza]] é suscetível de revelar­-se como [[lexico:s:sacralidade|sacralidade]] cósmica. O Cosmos (v. [[lexico:k:kosmos|kosmos]]), na sua [[lexico:t:totalidade|totalidade]], pode tornar-se uma hierofania.