===== HESÍODO ===== [[lexico:g:grego|grego]]: Ἡσίοδος Hesiodos Foi um [[lexico:p:poeta|poeta]] grego, cujo período de sua [[lexico:v:vida|vida]] é incerto, sendo [[lexico:p:provavel|provável]] a segunda metade do século XVIII AC. Para os gregos, também foi muito importante Hesíodo com sua [[lexico:t:teogonia|teogonia]], que traça uma [[lexico:s:sintese|síntese]] de [[lexico:t:todo|todo]] o material até então existente sobre o [[lexico:t:tema|tema]]. A Teogonia de Hesíodo narra o nascimento de todos os [[lexico:d:deuses|deuses]]. E, como muitos deuses coincidem com partes do [[lexico:u:universo|universo]] e com fenômenos do cosmos, a teogonia torna-se também [[lexico:c:cosmogonia|cosmogonia]], ou seja, [[lexico:e:explicacao|explicação]] mítico-poética e fantástica da [[lexico:g:genese|gênese]] do universo e dos fenômenos cósmicos, a partir do [[lexico:c:caos|caos]] original, que foi o primeiro [[lexico:a:a-se|a se]] gerar. [[lexico:e:esse|esse]] poema aplainou o [[lexico:c:caminho|caminho]] para a posterior cosmologia filosófica, que, ao invés de usar a [[lexico:f:fantasia|fantasia]], buscaria com a [[lexico:r:razao|razão]] o "[[lexico:p:principio|princípio]] primeiro" do qual tudo se gerou. O mesmo Hesíodo, com seu [[lexico:o:outro|outro]] poema As obras e os dias, mas sobretudo os poetas posteriores, imprimiram na [[lexico:m:mentalidade|mentalidade]] grega alguns [[lexico:p:principios|princípios]] que seriam de grande importância para a [[lexico:c:constituicao|constituição]] da [[lexico:e:etica-filosofica|ética filosófica]] e do [[lexico:p:pensamento-filosofico|pensamento filosófico]] antigo em [[lexico:g:geral|geral]]. A [[lexico:j:justica|justiça]] é exaltada como [[lexico:v:valor|valor]] supremo: "Dá ouvidos à justiça e esquece completamente a prepotência", disse Hesíodo; "Na justiça já estão compreendidas todas as [[lexico:v:virtudes|virtudes]]", afirmou Focílides; "Sem ceder daqui e dali, andarei pelo reto caminho, porque devo [[lexico:p:pensar|pensar]] somente [[lexico:c:coisas|coisas]] justas", escrevia Teógnis; "... sejas justo, [[lexico:n:nao|não]] há [[lexico:n:nada|nada]] melhor", ainda ele. A [[lexico:i:ideia|ideia]] de justiça está no centro da [[lexico:o:obra|obra]] de Sólon. E em muitos filósofos, especialmente em [[lexico:p:platao|Platão]], a justiça se tornaria inclusive um [[lexico:c:conceito|conceito]] [[lexico:o:ontologico|ontológico]], [[lexico:a:alem|além]] de ético e [[lexico:p:politico|político]]. 18. De manifesto propósito, até [[lexico:a:agora|agora]], raramente citamos o [[lexico:t:testemunho|testemunho]] de Hesíodo. A reserva, lançamo-la a crédito das modernas tendências para assinalar a obra do poeta beócio como o início do caminho que termina na [[lexico:c:codificacao|codificação]] [[lexico:l:logica|lógica]] do fascinante [[lexico:m:misterio|mistério]] do [[lexico:h:horizonte|horizonte]]. É claro que, na bibliografia pertinente, isto se diz de outro [[lexico:m:modo|modo]]: o projecto [[lexico:h:historico|histórico]] da [[lexico:f:filosofia-grega|filosofia grega]] arranca da Teogonia de Hesíodo. Advirta-se o leitor de que remetemos para [[lexico:b:bem|Bem]] longe de nossas cogitações comprovar refutar a [[lexico:t:tese|tese]] formulada nestes termos, pois, em qualquer dos casos, cedo ou [[lexico:t:tarde|Tarde]] se abriria a nossos pés a armadilha positivista, no fundo da qual se encontra sempre, bem ou [[lexico:m:mal|mal]] disfarçada, a ideia de que o [[lexico:l:logos|Logos]] substitui o [[lexico:m:mythos|mythos]], em certo estágio da [[lexico:e:evolucao|evolução]] do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] [[lexico:h:humano|humano]], com a [[lexico:i:implicacao|implicação]] de que um encobre o [[lexico:e:erro|erro]] e o outro descobre a [[lexico:v:verdade|verdade]]. Evitando cautelosamente a cilada, digamos que o mais certo é talvez o reverso do que escreveu o poeta: «a Verdade / Nem veio nem se foi: o Erro mudou» (Fernando [[lexico:p:pessoa|pessoa]]). A verdade muda, isto é, o [[lexico:r:real|real]], qualquer que ele seja, desoculta-se (tanto quanto se oculta), não em mais ou menos verídicas expressões, que, vistas ao invés, seriam erros mais ou menos próximos da verdade, mas sim, por respostas diversas a diversas solicitações. Pertence a certo [[lexico:g:genero|gênero]] de solicitação do real, opor [[lexico:i:imaginacao|imaginação]] mítica a pensamento lógico-discursivo, como definitivamente inconciliáveis, no [[lexico:p:plano|plano]] em que se busca a verdade, e depois, anular a [[lexico:o:oposicao|oposição]], excluindo o [[lexico:e:extremo|extremo]] representado pela imaginação mítica. Congênere seria também a solicitação, em [[lexico:o:obediencia|obediência]] à qual se pretendesse excluir o extremo oposto. Qualquer oposição de extremos contraditórios é redutível a uma [[lexico:c:complementaridade|complementaridade]] (v. § 81), o que, para nós, significa que o «mesmo» se oculta por detrás da [[lexico:c:contradicao|contradição]]. Mais duas advertências. A primeira é que, do real [[lexico:a:absoluto|absoluto]], ou como quer que se designe o objecto (nunca objectivo) que toda [[lexico:m:metafisica|metafísica]] procura, saiba ou não, que jamais o achará, sem que por isso deixe de procurá-lo, não há, nem pode haver, [[lexico:e:expressao|expressão]] directa; daí, que se fale de «cifras» e «codificações». A segunda, incide no [[lexico:u:uso|uso]] das [[lexico:p:palavras|palavras]] «solicitação do real», que envolvem uma [[lexico:a:ambiguidade|ambiguidade]]: «do real» é tão subjectivo, quando objectivo, e, por conseguinte, a «solicitação» vem do real que é o [[lexico:m:mundo|mundo]] para o real que nós somos, e vai do real que nós somos para o real que é o mundo; é uma solicitação recíproca e simultânea, dentro do mesmo «[[lexico:r:regime|regime]] de fascinação».