===== HEIDEGGER ===== Heidegger e suas referências HEIDEGGER (Martin), [[lexico:f:filosofo|filósofo]] alemão (Messkirch, Bade, 1889). Aluno de [[lexico:h:husserl|Husserl]], defende em 1916 sua [[lexico:t:tese|tese]] sobre a Doutrina das [[lexico:c:categorias|categorias]] em Duns Scot. Professor em Marburg, publica O [[lexico:s:ser|ser]] e o [[lexico:t:tempo|tempo]] (Sein und Zeit) em 1927. A considerável [[lexico:i:influencia|influência]] dessa [[lexico:o:obra|obra]] (da qual [[lexico:s:sartre|Sartre]] retirou quase todas as suas análises em O [[lexico:s:ser-e-o-nada|Ser e o Nada]], e Carnus a sua [[lexico:n:nocao|noção]] de "[[lexico:a:absurdo|absurdo]]" da [[lexico:e:existencia|existência]]) provém de suas análises existenciais do [[lexico:h:homem|homem]] em [[lexico:s:situacao|situação]]. Entretanto, os mais recentes textos do filósofo têm confirmado a Introdução de Sein und Zeit, segundo a qual [[lexico:n:nao|não]] é a [[lexico:q:questao|questão]] do homem e sim a [[lexico:q:questao-do-ser|questão do ser]], que é, para Heidegger, o centro de sua [[lexico:r:reflexao|reflexão]] (Da [[lexico:e:essencia|essência]] da [[lexico:v:verdade|verdade]] e Carta sobre o [[lexico:h:humanismo|humanismo]], 1947). Esta inclina-se no [[lexico:s:sentido|sentido]] de uma [[lexico:a:analise|análise]] da [[lexico:l:linguagem|linguagem]] poética (Satz vom Grund, 1957; Die Sprache) como [[lexico:u:unico|único]] local da [[lexico:r:revelacao|revelação]] do ser. Pensador mais inspirado que rigoroso, profeta de nossa [[lexico:e:epoca|época]] "decadente" e da era atômica, Heidegger exerce atualmente profunda atração sobre todos os [[lexico:e:espiritos|espíritos]]. Martin Heidegger nasceu em 1889 em Messkirch, na Floresta Negra, na Alemanha, [[lexico:f:filho|filho]] de um toneleiro e sacristão, de [[lexico:f:familia|família]] há muito residente na [[lexico:r:regiao|região]]. No Ginásio de Freiburg, em 1907, lê a tese de Franz [[lexico:b:brentano|Brentano]], Sobre as múltiplas [[lexico:s:significacoes|significações]] do [[lexico:e:ente|ente]] em [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], onde vai pela primeira vez encontrar uma [[lexico:r:referencia|referência]] ao [[lexico:p:problema|problema]] que tanto discutirá depois — a questão do [[lexico:s:sentido-do-ser|sentido do ser]]. Através de Brentano chega a Husserl e à [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]]. Suas investigações começam em 1914 com a dissertação A Doutrina do [[lexico:j:julgamento|julgamento]] no [[lexico:p:psicologismo|psicologismo]], e prosseguem em 1916 com A Doutrina das Categorias e da [[lexico:s:significacao|Significação]] em [[lexico:d:duns-scotus|Duns Scotus]]. Nos dez anos que se seguem, possivelmente guiado por estudos de [[lexico:t:teologia|teologia]] (a [[lexico:r:respeito|respeito]] de que dará cursos, como o Introdução à Fenomenologia da [[lexico:r:religiao|Religião]], de 1921 em Friburgo), tenta fundar a questão do Ser numa [[lexico:a:analitica|analítica]] [[lexico:e:existencial|existencial]] (isto é, numa [[lexico:d:descricao|descrição]] rigorosa e elucidadora) da [[lexico:f:facticidade|facticidade]] e da [[lexico:f:finitude|finitude]] humanas. O resultado desta [[lexico:i:interrogacao|interrogação]] será a publicação, em 1927, de Sein und Zeit ([[lexico:s:ser-e-tempo|Ser e Tempo]]), primeira [[lexico:p:parte|parte]] de um tratado que deveria discutir a questão do Ser na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] ocidental a partir da [[lexico:a:analitica-da-existencia|analítica da existência]] humana. Em 1933 adere ao partido nazista, pouco depois de ser eleito reitor da Universidade de Friburgo mas em 1934 se desilude com Hitler, abandonando a reitoria e o nazismo, e sendo pouco a pouco [[lexico:m:marginalizado|marginalizado]] pelos órgãos oficiais de [[lexico:e:educacao|educação]] da Alemanha. Por está época muda o [[lexico:m:metodo|método]] de ataque à questão do Ser, tentando aprofundá-la [[lexico:a:agora|agora]] através de uma consideração a respeito do desenvolvi-se do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] ocidental, desde os primeiros [[lexico:p:pre-socraticos|pré-socráticos]] até [[lexico:n:nietzsche|Nietzsche]], em [[lexico:q:quem|quem]] vê o [[lexico:u:ultimo|último]] pensador da [[lexico:m:metafisica|metafísica]] ocidental. Publica, então, trabalhos como Sobre a Essência da Verdade (1943), A Doutrina de [[lexico:p:platao|Platão]] sobre a Verdade — Com uma Carta sobre o Humanismo (1947), Caminhos no Bosque (1950), Introdução à Metafísica (1953), Que significa [[lexico:p:pensar|pensar]]? (1954), O [[lexico:p:principio|Princípio]] da Razão- (1957), No [[lexico:c:caminho|caminho]] da Linguagem (1959), Nietzsche (1961), A [[lexico:t:tecnica|Técnica]] e o [[lexico:r:retorno|retorno]] (1962), Marcos no Caminho (1967), Sobre a Questão do Pensamento (1969), [[lexico:h:heraclito|Heráclito]] (com Eugen [[lexico:f:fink|Fink]], 1970). O pensamento de Heidegger nos oferece duas grandes linhas originais. A primeira linha, cuja maior [[lexico:e:expressao|expressão]] está em Ser e Tempo, tenta encontrar a questão do Ser (e sua importância para o pensamento ocidental, na metafísica e na [[lexico:l:logica|lógica]]) a partir de uma analítica do [[lexico:d:dasein|Dasein]]. Uma analítica pretende mostrar, fazer [[lexico:a:aparecer|aparecer]], os constituintes originários de nossa [[lexico:e:experiencia|experiência]]. O [[lexico:n:nome|nome]] Dasein resume a [[lexico:n:natureza|natureza]] destes constituintes: o Dasein somos nós, somos o Ser (Sein) que existe sempre centrado num Aí (Da) perfeitamente determinado, e cuja finitude surgirá deste posicionamento originário. Ser e Tempo teve grande influência (mas que Heidegger considerou como sendo "um mal-entendido") nos existencialismos sartreanos, na teologia de Bultmann e na [[lexico:p:psicanalise-existencial|psicanálise existencial]] de Binswanger. A segunda linha do pensamento de Heidegger volta-se para a [[lexico:h:historia|história]] da metafísica ocidental, vista como um [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] único dentro da história mundial. Esta metafísica começou com os pré-socráticos, sete séculos antes de Cristo, desenvolveu-se pela Idade Média e se extinguiu em Nietzsche, não sem antes [[lexico:t:ter|ter]] gerado a técnica e a [[lexico:c:ciencia|ciência]] contemporâneas. O que marca a [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] da metafísica (e o [[lexico:e:esquecimento|esquecimento]] da questão do Ser, em cuja formulação, há três mil anos, Heidegger vê a [[lexico:o:origem|origem]] do Ocidente como [[lexico:m:movimento|movimento]] cultural) é [[lexico:t:transformacao|transformação]] da "verdade" dos pré-socráticos, a [[lexico:a:aletheia|aletheia]] na veritas. A aletheia significa o não-ocultamento e o não-esquecimento (Léthe era o rio de cujas águas quem bebia perdia a [[lexico:m:memoria|memória]]); indica também a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de um [[lexico:d:destino|destino]], de uma passagem do escuro, do [[lexico:o:oculto|oculto]], ao claro, ao desvelado. A veritas, ao contrário, é um mero ajuste entre dois entes, a concordância entre a [[lexico:p:palavra|palavra]] e certo [[lexico:e:estado|Estado]] de [[lexico:c:coisas|coisas]]. Na veritas perdeu-se a destinação, o sentido em movimento que havia na aletheia. Heidegger tenta nos oferecer uma [[lexico:v:visao|visão]] una da história do ocidente, e sobretudo procura enquadrar, nesta visão, a [[lexico:t:tecnologia|tecnologia]] e a ciência contemporâneas, oferecendo-lhes, como [[lexico:p:perspectiva|perspectiva]], [[lexico:t:todo|todo]] o fundo da [[lexico:c:cultura|cultura]] ocidental, e desmistificando-lhes o "[[lexico:f:fantastico|fantástico]]" e o "assombroso". Por tornar assim [[lexico:f:finito|finito]] o problema da tecnologia contemporânea, a visão de Heidegger é [[lexico:b:bem|Bem]] mais potente que as outras críticas da modernidade feitas por Theodor W. [[lexico:a:adorno|Adorno]], Max Horkheimer, Herbert [[lexico:m:marcuse|Marcuse]], Georg [[lexico:l:lukacs|Lukács]] (no seu livro História e [[lexico:c:consciencia-de-classe|Consciência de Classe]]), e como que ilumina muitas das imprecisões e dos exageros de Oswald [[lexico:s:spengler|Spengler]] em sua obra A [[lexico:d:decadencia-do-ocidente|Decadência do Ocidente]]. (Francisco Doria - [[lexico:d:dcc|DCC]]).