===== GOVERNO ===== [[lexico:a:autoridade:start|autoridade]] que detém o poder executivo. — [[lexico:p:platao:start|Platão]] classificou as formas possíveis de governo em cinco rubricas: 1.° a realeza ou a [[lexico:a:aristocracia:start|aristocracia]], que é no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] original, etimológico (do gr. aristos, o melhor), o governo dos melhores, dos mais cultos e dos mais qualificados; 2.° a timarquia (do gr. time, o temor), que é o governo baseado na autoridade militar (governo de Esparta, regimes policiais ou juntas militares do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:m:moderno:start|moderno]]); 3.° a plutocracia (do gr. ploutos, [[lexico:r:riqueza:start|riqueza]]), onde a autoridade se baseia no dinheiro ([[lexico:r:regime:start|regime]] censitário ou capitalismo dos Estados Unidos no [[lexico:f:fim:start|fim]] do séc. XIX); 4.° a democracia (do gr. demos, [[lexico:p:povo:start|povo]]), onde a autoridade é exercida em [[lexico:n:nome:start|nome]] do povo, que exprime sua [[lexico:v:vontade:start|vontade]] e elege os governantes pelo sufrágio [[lexico:u:universal:start|universal]]; 5.° a [[lexico:t:tirania:start|tirania]] que é o governo [[lexico:a:arbitrario:start|arbitrário]] de um só. Vê-se por isto que, na [[lexico:o:ordem:start|ordem]] das [[lexico:c:coisas:start|coisas]], a tirania está próxima da democracia e ameaça sempre o decorrer de suas instituições. Ela advém pela [[lexico:m:mediacao:start|mediação]] da "[[lexico:a:anarquia:start|anarquia]]", que é um caso [[lexico:l:limite:start|limite]] da democracia; "quando cada qual, diz Platão, quer exprimir sua [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] e agir sobre a vontade dos governos, o maior lance dos interesses individuais se substitui ao [[lexico:i:interesse:start|interesse]] [[lexico:g:geral:start|geral]]"; a porta está aberta, pois, à tirania, que, nos nossos dias, seria a de um regime policial ou militar baseado em um partido [[lexico:u:unico:start|único]]. O [[lexico:p:problema:start|problema]] [[lexico:a:atual:start|atual]] consiste em poder conciliar a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de um governo democrático com a de um governo forte: ainda que seja evidente que um governo só pode [[lexico:s:ser:start|ser]] forte tendo base democrática profunda ([[lexico:r:referendum:start|referendum]], sufrágio universal; arbitragem do povo por [[lexico:o:ocasiao:start|ocasião]] de conflitos entre os poderes graças à dissolução das Câmaras etc), foi preciso na França, toda uma [[lexico:e:educacao:start|educação]] para acostumar os franceses à ideia de que um governo pode ser forte sem ser arbitrário, [[lexico:c:continuo:start|contínuo]] sem ser tirânico (os abusos do governo de Carlos X orientaram a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] popular contra qualquer ideia de "poder"), e que um referendum é uma [[lexico:f:forma:start|forma]] de sufrágio universal (tanto a [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] dos referenduns de Napoleão I — que [[lexico:n:nao:start|não]] eram livres nem secretos e constituíam uma paródia de democracia — marcou profundamente a consciência nacional). (V. [[lexico:p:politica:start|política]].) A mais famosa e mais bela [[lexico:r:referencia:start|referência]] a [[lexico:e:esse:start|esse]] assunto é a [[lexico:d:discussao:start|discussão]] das diferentes [[lexico:f:formas-de-governo:start|formas de governo]] em Heródoto (iii. 80-83), na qual Otanes, o defensor da [[lexico:i:igualdade:start|igualdade]] grega (isonomi), declara não “querer governar nem ser governado”. Mas é no mesmo [[lexico:e:espirito:start|espírito]] que [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] diz que a [[lexico:v:vida:start|vida]] do [[lexico:h:homem:start|homem]] livre é melhor que a do déspota, negando, como algo óbvio, a [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] ao déspota (Política, 1325a24). Segundo Coulanges, todas as [[lexico:p:palavras:start|palavras]] gregas e latinas que exprimem algum [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de governo de um homem sobre os outros, como rex, pater, anax, basileus, referiam-se originariamente a [[lexico:r:relacoes:start|relações]] domésticas e eram nomes que os [[lexico:e:escravos:start|escravos]] davam a seus senhores (A [[lexico:c:cidade:start|cidade]] antiga, Anchor, 1956, p. 89ss., 228). [ArendtCH, 5, Nota] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}