===== GLORIFICAÇÃO ===== VIDE [[lexico:g:gloria:start|glória]] Contudo, ao contrário do que certos intérpretes modernos pretenderam ler em fontes cristãs, [[lexico:n:nao:start|não]] há qualquer indicação da [[lexico:m:moderna:start|moderna]] glorificação da [[lexico:a:atividade:start|atividade]] do [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]] no Novo Testamento ou em escritores cristãos pré-modernos. Paulo, que foi [[lexico:c:chamado:start|chamado]] “o apóstolo do trabalho” não era [[lexico:n:nada:start|nada]] disso, e as poucas passagens nas quais se fundamenta tal assertiva ou são dirigidas àqueles que, por [[lexico:p:preguica:start|preguiça]], “comiam o pão do [[lexico:p:proximo:start|próximo]]” ou recomendam o trabalho como [[lexico:b:bom:start|Bom]] [[lexico:m:meio:start|meio]] de evitar problemas, isto é, reforçam a prescrição [[lexico:g:geral:start|geral]] de uma [[lexico:v:vida:start|vida]] estritamente privada e o alerta contra [[lexico:a:atividades:start|atividades]] políticas [Cf. I Ts 4,9-12 e II Ts 3,8-12]. Ainda mais [[lexico:r:relevante:start|relevante]] é o [[lexico:f:fato:start|fato]] de que, na [[lexico:f:filosofia-crista:start|filosofia cristã]] mais recente, e particularmente em [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]], o trabalho tornou-se um [[lexico:d:dever:start|dever]] para aqueles que não tinham [[lexico:o:outro:start|outro]] meio de [[lexico:s:sobrevivencia:start|sobrevivência]], consistindo o dever em manter-se vivo e não em trabalhar: se fosse [[lexico:p:possivel:start|possível]] sustentar-se com esmolas, tanto melhor. [[lexico:q:quem:start|quem]] ler essas fontes com isenção de modernos preconceitos pró-trabalho ficará surpreso ao verificar inclusive quão pouco os Pais da Igreja se aproveitaram da oportunidade óbvia de justificar o trabalho como [[lexico:p:punicao:start|punição]] do [[lexico:p:pecado-original:start|pecado original]]. Assim, Tomás de Aquino não hesita em seguir [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], e não a Bíblia, nesse [[lexico:p:particular:start|particular]], ao dizer que “só a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] de sobrevivência pode compelir ao trabalho manual” . Para ele, o trabalho é o [[lexico:m:modo:start|modo]] pelo qual a [[lexico:n:natureza:start|natureza]] mantém viva a [[lexico:e:especie:start|espécie]] humana, e conclui daí que não é de modo algum [[lexico:n:necessario:start|necessário]] que todos os homens ganhem o pão com o suor do rosto; antes, isso é uma espécie de recurso [[lexico:u:ultimo:start|último]] e desesperado de resolver o [[lexico:p:problema:start|problema]] ou de cumprir o dever . Nem mesmo o [[lexico:u:uso:start|uso]] do trabalho como uma [[lexico:f:forma:start|forma]] de evitar os perigos da ociosidade chega a [[lexico:s:ser:start|ser]] [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] cristã, pois já constituía um lugar-comum na [[lexico:m:moralidade:start|moralidade]] romana. Finalmente, em completo [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com as antigas convicções sobre o [[lexico:c:carater:start|caráter]] da atividade do trabalho está o frequente uso cristão da mortificação da [[lexico:c:carne:start|carne]], na qual o trabalho, principalmente nos monastérios, desempenhava às vezes o mesmo papel de outros dolorosos exercícios e formas de autotortura [v. ponos]. A [[lexico:r:razao:start|razão]] pela qual o cristianismo, a despeito de sua insistência na [[lexico:s:sacralidade:start|sacralidade]] da vida e no dever de se permanecer vivo, jamais desenvolveu uma [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] positiva do trabalho reside na inquestionada [[lexico:p:prioridade:start|prioridade]] atribuída à [[lexico:v:vita-contemplativa:start|vita contemplativa]] sobre todos os tipos de atividade humana. Vita contemplativa [[lexico:s:simpliciter:start|simpliciter]] melior est quam [[lexico:v:vita-activa:start|vita activa]] (“a vida dedicada à [[lexico:c:contemplacao:start|contemplação]] é simplesmente melhor que a vida dedicada à [[lexico:a:acao:start|ação]]”), e, quaisquer que fossem os méritos de uma [[lexico:v:vida-ativa:start|vida ativa]], os de uma vida dedicada à contemplação eram “mais efetivos e mais poderosos” [Tomás de Aquino, Suma teológica, ii. 2. 182. 1, 2. Ao insistir na absoluta superioridade da vita contemplativa, Tomás de Aquino difere de Agostinho de modo característico, uma vez que este último recomenda a inquisitio, aut inventio veritatis: ut in ea quisque proficiat – “pesquisa ou descoberta da verdade, de modo que alguém dela possa beneficiar-se” (A cidade de Deus, xix. 19). Esta, porém, é pouco mais que a diferença entre um pensador cristão formado pela filosofia grega e outro formado pela filosofia romana.]. É [[lexico:v:verdade:start|verdade]] que dificilmente se encontraria tal [[lexico:c:conviccao:start|convicção]], certamente devida à [[lexico:i:influencia:start|influência]] da [[lexico:f:filosofia-grega:start|filosofia grega]], nas pregações de Jesus de Nazaré; contudo, mesmo se a [[lexico:f:filosofia-medieval:start|filosofia medieval]] tivesse se mantido mais próxima do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] dos Evangelhos, dificilmente teria encontrado neles algum [[lexico:m:motivo:start|motivo]] para glorificar o trabalho.85 A única atividade que Jesus de Nazaré recomenda em suas pregações é a ação, e a única [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] que ele salienta é a capacidade de “realizar milagres”. [ArendtCH:C44] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}