===== FUNDAMENTO DA INDUÇÃO ===== Até aqui, descrevemos e analisamos o [[lexico:r:raciocinio|raciocínio]] indutivo, porém ainda [[lexico:n:nao|não]] legitimamos filosoficamente o seu emprego Colocado à [[lexico:p:parte|parte]] o caso especial da [[lexico:i:inducao|indução]] completa, o que acontece, nesse [[lexico:t:tipo|tipo]] de raciocínio, é que se passa de alguns singulares a um [[lexico:u:universal|universal]] que os ultrapassa: o cobre, o ferro, o ouro se dilatam com o calor, logo [[lexico:t:todo|todo]] metal se dilata com o calor. O que nos autoriza a passar de algum a todo? Este é o [[lexico:p:problema|problema]] do [[lexico:p:principio|princípio]] ou do [[lexico:f:fundamento-da-inducao|fundamento da indução]]. Observemos, inicialmente que a indução, não podendo [[lexico:s:ser|ser]] reduzida ao [[lexico:s:silogismo|silogismo]], não poderá ser justificada pelos [[lexico:p:principios|princípios]] desse Pode-se perfeitamente colocar em silogismo a [[lexico:m:materia|matéria]] de uma indução, não porém sua [[lexico:f:forma|forma]]. Ademais, quando se diz: "[[lexico:o:o-que-e|o que é]] [[lexico:v:verdade|verdade]] quanto a várias partes suficientemente enumeradas de um certo [[lexico:s:sujeito|sujeito]] universal é verdade quanto a este sujeito universal", atinge-se a um princípio muito [[lexico:e:exato|exato]]. Mas chegou-se ao fundo do problema? O que se trata precisamente de [[lexico:s:saber|saber]], é como uma certa [[lexico:e:enumeracao|enumeração]], incompleta por [[lexico:h:hipotese|hipótese]], pode apesar disto ser suficiente. A [[lexico:r:razao|razão]] [[lexico:m:metafisica|metafísica]] profunda é que há uma [[lexico:c:correspondencia|correspondência]] aproximativa entre o [[lexico:m:mundo|mundo]] da [[lexico:e:existencia|existência]] e o da [[lexico:e:essencia|essência]], entre os fatos e o [[lexico:d:direito|direito]], entre a [[lexico:e:experiencia|experiência]] e as leis. O [[lexico:u:universo|universo]] criado pode ser considerado como uma [[lexico:h:hierarquia|hierarquia]] de [[lexico:e:essencias|essências]] dotadas de determinadas propriedades. Todo [[lexico:e:esse|esse]] conjunto permanece escondido para nós (pelo menos em sua maior parte) e não se nos revela senão pelo [[lexico:c:complexo|complexo]] dos fatos concretos e singulares da experiência. Porém, e é precisamente o que legitimará o raciocínio indutivo, esse complexo de fatos não se dá sem [[lexico:r:relacoes|relações]] com as determinações necessárias das essências e de suas propriedades. As [[lexico:c:causas|causas]] agem cada uma conforme sua [[lexico:n:natureza|natureza]] e, na maioria dos casos, produzem os mesmos efeitos no mundo da experiência. A constância das relações, no nível dos fatos, poderá assim ser interpretada como o [[lexico:s:sinal|sinal]] de uma [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de direito, correspondendo ao [[lexico:p:plano|plano]] das naturezas. Há, portanto, [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de se chegar dos fatos da experiência às determinações necessárias que são a [[lexico:c:causa|causa]] [[lexico:f:formal|formal]] deles, quer dizer, de fazer induções. A indução se acha, assim, fundamentada porém, permanece a dificuldade prática de saber quando um conjunto de observações de [[lexico:f:fato|fato]] autoriza uma indução. Quando é que se pode dizer que uma enumeração é suficiente? Quando, responderemos, o mesmo fato se reproduzir no maior [[lexico:n:numero|número]] de casos e nas circunstâncias as mais variadas possíveis. A [[lexico:t:tecnica|técnica]] prática dessa utilização variada e calculada da experiência provém dos [[lexico:m:metodos-da-inducao|métodos da indução]].