===== FRASE ===== Tentando [[lexico:v:visualizar|visualizar]] a [[lexico:f:forma|forma]] da frase, estamos, com [[lexico:e:efeito|efeito]], tentando visualizar o cosmos da nossa [[lexico:r:realidade|realidade]], estamos investigando o [[lexico:s:sachverhalt|Sachverhalt]] [[lexico:r:real|real]] e procurando [[lexico:s:saber|saber]] que Bewandtnis tem. Se visualizamos a frase como um tiro ao alvo ou como uma [[lexico:p:projecao|projeção]] cinematográfica, estamos, com efeito, visualizando assim o nosso cosmos. Ao dizer que a frase consiste em [[lexico:s:sujeito|sujeito]], [[lexico:o:objeto|objeto]] e [[lexico:p:predicado|predicado]] organizados entre si em forma de um [[lexico:p:projeto|projeto]] comparável ao tiro ou à projeção, estamos dizendo, com efeito, que a nossa realidade consiste em sujeitos, objetos e processos assim organizados. A [[lexico:a:analise|análise]] [[lexico:l:logica|lógica]] da frase é uma análise [[lexico:o:ontologica|ontológica]] da realidade. Assim [[lexico:c:como-se|como se]] comportam as [[lexico:p:palavras|palavras]] dentro da frase “o [[lexico:h:homem|homem]] lava o carro”, assim se comportam as [[lexico:c:coisas|coisas]] na realidade. Toda [[lexico:i:investigacao|investigação]] ontológica deveria, portanto, partir da análise da frase. Como a aranha deveria considerar a sua teia antes de qualquer consideração de moscas, se quiser evitar um aracnismo ingênuo, assim devemos considerar, antes de mais [[lexico:n:nada|nada]], a [[lexico:e:estrutura|estrutura]] da frase, se quisermos evitar a [[lexico:a:atitude|atitude]] ingênua chamada “[[lexico:h:humanismo|humanismo]]” em nossos dias. Essa estrutura nos é dada pela [[lexico:l:lingua|língua]] dentro da qual pensamos tão irrevogavelmente quanto é dada a teia no caso da aranha. Querer fugir da estrutura da realidade em sujeito, objeto e predicado é querer precipitar-se, num [[lexico:s:suicidio|suicídio]] metafísico, para dentro das malhas da nossa teia. Uma realidade consistente somente em sujeitos ([[lexico:l:loucura|loucura]] parmenideana), ou somente em objetos (loucura platônica), ou somente em [[lexico:p:predicados|predicados]] (loucura heracliteana), é [[lexico:e:exemplo|exemplo]] dessa [[lexico:f:fuga|fuga]] suicida. Por incômoda que possa [[lexico:s:ser|ser]], devemos aceitar a tríplice [[lexico:o:ontologia|ontologia]] como um [[lexico:d:dado|dado]] imposto pela língua. O resto é [[lexico:m:metafisica|metafísica]], portanto, [[lexico:s:silencio|silêncio]]. [FLUSSER, Vilém. DA DÚVIDA. São Paulo: É Realizações, 2018, p. 48-50]