===== FORMALISMO ===== O formalismo é [[lexico:t:tendencia|tendência]] [[lexico:a:a-se|a se]] expressar de maneira [[lexico:l:logica|lógica]] e abstrata, a reunir todos os [[lexico:p:problemas-da-filosofia|problemas da filosofia]] numa [[lexico:f:formula|fórmula]] única. Por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], [[lexico:k:kant|Kant]] reduz todos os problemas a um só: "Como os julgamentos sintéticos seriam possíveis [[lexico:a:a-priori|a priori]]?" — A doutrina [[lexico:m:moral|moral]] de Kant é um formalismo à [[lexico:m:medida|medida]] em que apenas enuncia o [[lexico:p:principio|princípio]] [[lexico:g:geral|geral]] da [[lexico:a:acao|ação]] moral (agir com uma boa [[lexico:i:intencao|intenção]]) e [[lexico:n:nao|não]] especifica nenhum [[lexico:d:dever|dever]] [[lexico:p:particular|particular]] [[lexico:c:concreto|concreto]]. A moral é apenas uma [[lexico:a:atitude|atitude]], uma "[[lexico:d:disposicao|disposição]] da [[lexico:v:vontade|vontade]]", no que fazemos naturalmente na [[lexico:v:vida|vida]]: não preconiza nenhuma vida própria, e sim, uma atitude geral na vida comum. A "moral [[lexico:f:formal|formal]]" opõe-se à "moral concreta" ([[lexico:f:fichte|Fichte]]) ou "[[lexico:e:etica|ética]] material" ([[lexico:s:scheler|Scheler]]). O formalismo na [[lexico:a:arte|arte]] se caracteriza pela tendência excessiva à [[lexico:a:abstracao|abstração]], em detrimento da "arte figurativa". (V. [[lexico:a:abstrato|abstrato]] ). De [[lexico:a:acordo|acordo]] com [[lexico:b:bochenski|Bochenski]], talvez o [[lexico:f:fato|fato]] mais importante da [[lexico:m:metodologia|metodologia]] [[lexico:m:moderna|moderna]] é o ter-se [[lexico:d:dado|dado]] conta de que, operando com a [[lexico:l:linguagem|linguagem]] em seu [[lexico:p:plano|plano]] sintático (e prescindindo, portanto, dos outros dois), facilita-fe enormemente o [[lexico:t:trabalho|trabalho]] intelectual. Este [[lexico:m:modo|modo]] de operar chama-se formalismo e consiste em fazer abstração do [[lexico:s:significado|significado]] dos signos que se empregam e considerá-los exclusivamente como signos gráficos: cm sua [[lexico:f:forma|forma]] gráfica. Chama-se linguagem formalizada toda linguagem construída consoante tais normas. Na aplicação do formalismo é preciso distinguir duas [[lexico:c:coisas|coisas]]: de um lado, temos a própria linguagem, com suas regras sintáticas, regras que se referem exclusivamente à forma material dos signos e nunca á sua [[lexico:s:significacao|significação]]; e de [[lexico:o:outro|outro]] — pelo menos na maioria dos casos —, uma [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] da linguagem dotada de conteúdo, uma ordenação das [[lexico:s:significacoes|significações]] aos signos. Portanto, o formalismo é um [[lexico:m:metodo|método]] que consiste em fazer abstração total do [[lexico:s:sentido|sentido]] [[lexico:e:eidetico|eidético]] dos signos e operar com eles à base de determinadas regras de [[lexico:t:transformacao|transformação]] que afetam apenas à sua forma gráfica. Procede-se com os signos [[lexico:c:como-se|como se]] não fosse tal [[lexico:c:coisa|coisa]], mas figuras de um brinquedo, pedaços que se combinam e ordenam de diferentes modos. Por isso se disse em tom de piada que aquele que emprega o formalismo não sabe o que diz, mas o que diz é [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]]. Não obstante, cumpre fazer as observações seguintes: 1. A [[lexico:f:finalidade|finalidade]] do formalismo é sempre um [[lexico:s:saber|saber]]. Um [[lexico:s:sistema-formal|sistema formal]] cumpre seu cometimento unicamente quando seus resultados são interpretáveis eideticamente. A [[lexico:c:ciencia|ciência]] não é um brinquedo. Nosso saber nem sempre atinge o quê da coisa; às vezes se limita ao como, mas sempre, ao [[lexico:f:fim|fim]] e ao cabo, deve haver um saber. 2. As regras das operações do formalismo devem [[lexico:e:estar|estar]] dotadas de sentido eidético. Se as regras nos dizem o que devemos fazer, é [[lexico:n:necessario|necessário]] que estejamos em condições de entendê-las. Disso se segue que nenhum [[lexico:s:sistema|sistema]] é formalizável totalmente, pelo menos suas regras jamais poderão [[lexico:s:ser|ser]] formalizadas. É certo que se podem formalizar as regras de um sistema dentro de outro; por exemplo, as regras do sistema A no sistema B, mas, por sua vez, o sistema B exige que suas regras tenham sentido Estas poderão ser formalizadas novamente num [[lexico:t:terceiro|terceiro]] sistema C, mas é preciso chegar a um [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida: algumas regras não formalizadas. De resto, as regras de A enquanto se constrói o sistema devem [[lexico:t:ter|ter]] sentido eidético para nós, pois do contrário não adiantaríamos [[lexico:n:nada|nada]] em nosso [[lexico:c:calculo|cálculo]]. 3. Com [[lexico:e:efeito|efeito]], na construção dos sistemas formalizados se procede sempre desta maneira: primeiramente, estabelecem-se signos com sentido e, depois, faz-se abstração de tal sentido, construindo assim o sistema formal, para dar finalmente uma nova interpretação ao sistema acabado. 4. Isso vale sobretudo para a lógica. Ainda que fosse [[lexico:p:possivel|possível]] uma ciência, cujo sistema não tivesse outro sentido que o sintático, tal caso é [[lexico:i:impossivel|impossível]] na lógica, que deve propiciar as regras de conclusão de [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] indireto; e se suas regras não tivessem sentido eidético, não seria possível concluir nada. Por isso os lógicos atuais não acreditam que seja a lógica um sistema puramente formal, que não admita interpretação. Em favor do método formal Bochenski aduz as seguintes razões: 1. Numa [[lexico:s:situacao|situação]] complicada [[lexico:b:bem|Bem]] cedo falha nossa [[lexico:v:visao|visão]] [[lexico:e:eidetica|eidética]] do [[lexico:o:objeto|objeto]]. Diretamente e sem esforços vemos que 2 vezes 3 é igual a 6, mas apenas alguns poucos homens sabem com facilidade e rapidez que o [[lexico:p:produto|produto]] de 1952 por 78.788 é igual a 153.794.176. De igual modo vemos imediatamente que a [[lexico:n:negacao|negação]] de ‘chove’ é a [[lexico:p:proposicao|proposição]] ‘não chove’, mas não é tão fácil [[lexico:v:ver|ver]] a negação do conhecido [[lexico:p:postulado|postulado]] de [[lexico:e:euclides|Euclides]], consoante o qual por um ponto [[lexico:e:exterior|exterior]] a uma reta passa uma única paralela a essa reta. O mesmo se pode dizer de outros [[lexico:p:pensamentos|Pensamentos]] emaranhados, inclusive da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]], Seu [[lexico:g:genio|gênio]] preservou aos melhores pensadores de cair no [[lexico:e:erro|erro]], sem empregar o formalismo, mas os desvios bastantes frequentes no [[lexico:c:campo|campo]] filosófico se devem, em boa [[lexico:p:parte|parte]], á [[lexico:f:falta|falta]] de um método formal [[lexico:a:adequado|adequado]]. 2. Dado que num sistema formal todas as regras se referem exclusivamente à forma gráfica, é impossível nele uma [[lexico:d:demonstracao|demonstração]] com regras e axiomas não formulados. É sabido que os supostos não formulados são perigosos, já que facilmente podem ser falsos e escapam de uma comprovação [[lexico:r:racional|racional]] por não estarem formulados de maneira expressa. O formalismo contribui fundamentalmente para eliminar tais supostos tácitos. 3. Com isto se obtém ainda mais: num sistema [[lexico:a:axiomatico|axiomático]] desenvolvido formalmente, todas as consequências se deduzem dos axiomas escolhidos com certa facilidade e de um modo bem definido. É evidente que os [[lexico:c:conceitos|conceitos]] usados estarão determinados com mais exatidão que o estavam no início do [[lexico:p:processo|processo]]. O formalismo é, pois, um excelente guia para a delimitação e esclarecimento dos conceitos. 4. Finalmente, com o emprego do formalismo se consegue ainda mais uma coisa: quando um sistema está [[lexico:c:construido|construído]] formalmente, pode amiúde permitir várias interpretações, com o que de uma só vez ficam resolvidos vários problemas. Um exemplo é o princípio da [[lexico:d:dualidade|dualidade]] na [[lexico:g:geometria|geometria]] euclideana. Do postulado ‘Dois pontos quaisquer determinam uma reta’ se deduzem (mediante outros axiomas e graças às regras adequadas) uma infinidade de postulados geométricos. Podemos formalizar este postulado desta maneira: ‘Dois A quaisquer determinam um B’; a significação de A e B deve ficar indeterminada (as demais [[lexico:p:palavras|palavras]] da proposição podem ser consideradas como [[lexico:s:simples|simples]] constantes lógicas). Cabem, então, duas possíveis interpretações do princípio: a) pode-se dar a A a significação de ponto, e a B a de reta; b), vice-versa: A significa ‘reta" e B ‘ponto’. Vê-se que a interpretação b e a verdadeira: duas retas paralelas determinam um ponto no [[lexico:i:infinito|infinito]]. Assim se consegue todo um sistema de proposições deduzidas deste postulado (formalizado); de um postulado obtivemos dois, fundamentais ambos em geometria. O mesmo ocorre em outros campos científicos. (in. Formalism; fr. Formalisme,al. Formalismus; it. Formalismó). Toda doutrina que recorra à forma, em qualquer das significações do [[lexico:t:termo|termo]]. No fim do séc XIV, foram chamados de "formalistas" os partidários da [[lexico:m:metafisica|metafísica]] de Duns Scot, que se opunham aos "terministas", partidários de Ockham (Gerson, De conceptibus, p. 806). Foi qualificado de formalismo o ponto de vista kantiano em ética, por recorrer às formas gerais das máximas, sem considerar os fins a que se destinam. Em [[lexico:m:matematica|matemática]] foi [[lexico:c:chamado|chamado]] de formalismo o procedimento que pretende prescindir dos significados dos [[lexico:s:simbolos|símbolos]] matemáticos, especialmente a corrente de Hilbert. Também é considerada formalismo a grande importância atribuída aos procedimentos legais ou a certas normas de [[lexico:c:comportamento|comportamento]] nas [[lexico:r:relacoes|relações]] entre os homens.