===== FORMAÇÃO DO CONCEITO ===== A [[lexico:f:formacao-do-conceito|formação do conceito]], como elaboração de imagens cognitivas [[lexico:n:nao|não]] intuitivas, conduz a [[lexico:a:apreender|apreender]] a "[[lexico:q:quididade|quididade]]", inacessível aos sentidos, dos objetos de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]. Como primeira [[lexico:a:apreensao|apreensão]] intelectual de objetos (para a qual a [[lexico:p:potencia|potência]] intelectiva é imediatamente determinada), ela pode dar [[lexico:o:origem|origem]] a [[lexico:c:conceitos|conceitos]] primeiros ou primitivos ou (por combinação destes) a conceitos segundos derivados. — A origem dos conceitos primeiros não está numa [[lexico:i:intuicao|intuição]] imediata das [[lexico:e:essencias|essências]], como opinam as teorias intuicionistas. Nem ditos conceitos derivam de germes conceituais inatos ("[[lexico:i:ideias|ideias]]" inatas - [[lexico:i:inatismo|inatismo]] ou [[lexico:n:nativismo|nativismo]]: [[lexico:p:platao|Platão]], [[lexico:l:leibniz|Leibniz]]), nem vemos as essências das [[lexico:c:coisas|coisas]] na [[lexico:v:visao|visão]] imediata de ideias divinas ou do [[lexico:a:ato|ato]] criativo de [[lexico:d:deus|Deus]] ([[lexico:o:ontologismo|ontologismo]]: [[lexico:m:malebranche|Malebranche]], Gioberti), uma vez que a [[lexico:e:estrutura|estrutura]] dos conceitos, só analogicamente manifestativos do super-empírico, mostra de [[lexico:m:modo|modo]] inequívoco que, de [[lexico:f:fato|fato]], eles se originam na [[lexico:e:experiencia|experiência]]. Uma visão imediata de Deus, realizada só com as forças naturais, é [[lexico:i:impossivel|impossível]] para o [[lexico:e:espirito|espírito]] [[lexico:f:finito|finito]]. Os conceitos primeiros são adquiridos com a ajuda de dados da experiência externa ou interna. Surge aqui o [[lexico:p:problema|problema]] desde há séculos debatido: como é [[lexico:p:possivel|possível]] elevar-se acima da [[lexico:i:imagem|imagem]] [[lexico:s:sensivel|sensível]] (ou de um [[lexico:d:dado|dado]] consciencial que apresenta a [[lexico:e:essencia|essência]], mas só em sua [[lexico:s:singularidade|singularidade]] concreta) à imagem [[lexico:e:essencial|essencial]] [[lexico:u:universal|universal]] do [[lexico:e:entendimento|entendimento]] ? A [[lexico:t:teoria|teoria]] da [[lexico:a:abstracao|abstração]], tal como [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] a fundamenta, posteriormente elaborada e desenvolvida pela [[lexico:e:escolastica|escolástica]] e discutida ainda hoje nalguns aspectos parciais, apela para uma [[lexico:e:espontaneidade|espontaneidade]] ativa e produtiva do espírito. Aristóteles admitia, a par da potência cognitiva propriamente dita (o entendimento [[lexico:p:passivo|passivo]] que recebe a [[lexico:d:determinacao|determinação]]: intellectus passibilis), uma potência espiritual ativa (o entendimento [[lexico:a:agente|agente]]: intellectus agens) que, por assim dizer, "ilumina" a imagem sensível concreta, dela abstrai a essência e, mediante a imagem essencial desta ([[lexico:s:species|species]] intelligibilis), determina o entendimento passivo ao conhecimento conceptual. Segundo a [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] de notáveis comentadores (e de modo [[lexico:i:identico|idêntico]] o [[lexico:a:averroismo|Averroísmo]]), Aristóteles concebia essa potência ativa como super-individual; ao passo que, mais [[lexico:t:tarde|Tarde]], a escolástica viu nela, com [[lexico:r:razao|razão]], uma [[lexico:f:faculdade|faculdade]] peculiar a cada espírito [[lexico:h:humano|humano]] individual. Partindo de seu [[lexico:h:hilemorfismo|hilemorfismo]], segundo o qual cada [[lexico:c:coisa|coisa]] sensível consta de [[lexico:f:forma|forma]] essencial e de [[lexico:m:materia|matéria]] individualizante da forma essencial, Aristóteles (e, mais tarde, também S. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]]) concebe o conhecimento conceptual como um ato, no qual, por assim dizer, a forma essencial em si universal se desliga da matéria limitante e individuante, de [[lexico:s:sorte|sorte]] que o resultado da abstração é um [[lexico:c:conceito-universal|conceito universal]]. Sobre este [[lexico:p:ponto|ponto]], se os conceitos primeiros são particulares ou [[lexico:u:universais|universais]], como também na ulterior interpretação e esclarecimento das funções do entendimento agente, e finalmente na [[lexico:q:questao|questão]] de [[lexico:s:saber|saber]] se esta potência ativa espontânea se distingue realmente do entendimento cognoscente propriamente [[lexico:d:dito|dito]], divergem os pareceres dos filósofos escolásticos de todas as épocas. Comum a todos eles é, no entanto, a doutrina da [[lexico:f:formacao|formação]] dos conceitos primeiros pela colaboração da imagem primeira empírica, concreta e [[lexico:i:intuitiva|intuitiva]] e de uma espontaneidade ativa do espírito. Quanto aos conceitos segundos, elaboramo-los no [[lexico:p:pensar|pensar]] [[lexico:d:discursivo|discursivo]] [[lexico:c:consciente|consciente]], extraindo, mediante comparação e [[lexico:c:compreensao|compreensão]] de [[lexico:r:relacoes|relações]], o [[lexico:e:elemento|elemento]] comum a vários conceitos previamente obtidos e expondo-o desprovido dos [[lexico:c:caracteres|caracteres]] diferenciais. Também aqui assumem importância básica os complexos intuitivos e as complementações de complexos com que as [[lexico:r:representacoes-intuitivas|representações intuitivas]] estorvam ou estimulam o [[lexico:p:progresso|progresso]] do [[lexico:p:pensamento|pensamento]]. Para estimulá-lo, devem eles geralmente [[lexico:s:ser|ser]] desarticulados sob a direção suprema do pensamento não intuitivo e de suas finalidades e de novo devem seus [[lexico:e:elementos|elementos]] ser combinados. Contudo no âmago do [[lexico:p:processo|processo]] se encontra a compreensão relacionai ou [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] relacionai que se dá na comparação e na [[lexico:i:iluminacao|iluminação]] da "[[lexico:r:relacao|relação]] de [[lexico:v:validade|validade]] universal" do novo [[lexico:c:conceito|conceito]] elaborado (o conceito universal [[lexico:r:reflexo|reflexo]]). A fixação do conteúdo conceptual