===== FISIOLOGIA DOS REFLEXOS ===== As experiências mais correntes e mais fáceis do [[lexico:p:pavlovismo:start|pavlovismo]] são aquelas que consistem em associar uma [[lexico:s:serie:start|série]] de respostas reflexas ao [[lexico:i:instinto:start|instinto]] fundamental da fome. As experiências sobre a salivação dos cães tornaram-se clássicas. O bater de um metrônomo faz salivar um cão à [[lexico:r:representacao:start|representação]] da [[lexico:c:carne:start|carne]], se toda vez que lhe derem carne fizerem preceder [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:a:ato:start|ato]] pelo bater do metrônomo. O metrônomo estabelece na zona cortical um arco [[lexico:r:reflexo:start|reflexo]], que nos animais superiores se condiciona rapidamente (o [[lexico:c:condicionamento:start|condicionamento]] de [[lexico:r:reflexos:start|reflexos]] é [[lexico:p:possivel:start|possível]] até nos peixes, cujo córtex é dos mais rudimentares); o reflexo estabelece a ligação entre um [[lexico:e:estimulo:start|estímulo]] do [[lexico:m:meio:start|meio]] [[lexico:a:ambiente:start|ambiente]] e um centro cortical, mas essa ligação é temporária, desaparecendo brevemente, se a [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] [[lexico:n:nao:start|não]] for repetida. O reflexo [[lexico:s:simples:start|simples]] da salivação ao soar do metrônomo pode [[lexico:s:ser:start|ser]] enriquecido e tornado cada vez mais subtil segundo a [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] do paciente e a [[lexico:v:vontade:start|vontade]] do experimentador; pode-se por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] condicionar o reflexo fazendo com que o cão salive tantos ou quantos segundos ou mesmo minutos depois de cessado o som do metrônomo. Podem determinar-se reflexos em cadeia e pode-se, principalmente, depois do [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] da excitação, determinar o reflexo da inibição. Dá-se o caso da inibição externa, por exemplo, se ao metrônomo, que desencadeia a salivação, se associar inesperadamente um excitante não habitual, como o toque estridente de uma campainha; produz-se imediatamente a [[lexico:r:reacao:start|reação]] incondicionada da [[lexico:a:atencao:start|atenção]] e da defesa; e o precário reflexo condicionado da salivação se extingue subitamente. Esta [[lexico:m:mecanica:start|mecânica]] da excitação e da inibição, sugerindo a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] da [[lexico:a:antitese:start|antítese]], foi já transpolada para a [[lexico:t:terminologia:start|terminologia]] filosófica, como [[lexico:i:ilustracao:start|ilustração]] de uma [[lexico:d:dialetica:start|dialética]] do [[lexico:s:sistema:start|sistema]] nervoso; [[lexico:t:tese:start|tese]], a excitação; antítese, a inibição; [[lexico:s:sintese:start|síntese]], o reflexo condicionado, visto como [[lexico:f:fusao:start|fusão]] temporária dum excitante indiferente e de um excitante [[lexico:i:incondicionado:start|incondicionado]]. [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] teria talvez aprovado esta [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]], [[lexico:t:tipica:start|típica]] do seu [[lexico:m:metodo:start|método]]; mas há nesta transpolação um [[lexico:e:erro:start|erro]] grosseiro, porque a síntese — reflexo — não é aqui senão uma síntese da [[lexico:a:analise:start|análise]], isto é, uma decomposição do [[lexico:t:todo:start|todo]] em suas partes e uma [[lexico:s:soma:start|soma]] artificial dessas partes na recomposição do todo. A dialética hegeliana é um [[lexico:j:jogo:start|jogo]] e uma [[lexico:s:sucessao:start|sucessão]] de antíteses sustidas pela [[lexico:u:unidade:start|unidade]] do [[lexico:e:espirito:start|Espírito]] subjacente, que se torna uma infinidade de outros sem deixar de ser sempre [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]. Mas esta dialética, uma vez abolido o Espírito que lhe dá unidade e [[lexico:s:sentido:start|sentido]], se converte aqui num recurso linguístico da mecânica pavloviana; não havendo o substractum metafísico do Espírito, ou da [[lexico:v:vida:start|vida]], mas apenas o jogo dos contrastes, a dialética fica sendo apenas um jogo pelo jogo, uma [[lexico:e:escolha:start|escolha]] arbitrária de teses e antíteses sem sentido, a menos que se restaure alguma unidade do metafísico, na variedade das manifestações dialéticas. Se os discípulos de [[lexico:p:pavlov:start|Pavlov]] não se detiverem a [[lexico:t:tempo:start|tempo]] no [[lexico:u:uso:start|uso]] da terminologia hegeliana, correrão o perigo de transformar a [[lexico:f:fisiologia-dos-reflexos:start|fisiologia dos reflexos]] numa [[lexico:e:especie:start|espécie]] de [[lexico:p:panlogismo:start|panlogismo]] do [[lexico:a:absurdo:start|absurdo]]. Porque a dialética de Hegel só tem sentido no [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]] [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] de Hegel. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}