===== FILOSOFIA MODERNA ===== Na mesma [[lexico:s:situacao:start|situação]] da [[lexico:f:filosofia-medieval:start|filosofia medieval]] a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] "[[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]]" continua designando [[lexico:t:todo:start|todo]] [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]], menos o de [[lexico:d:deus:start|Deus]]. E assim adentrou muito o século XVII. E ainda existem no [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:m:moderno:start|moderno]] alguns resíduos desse [[lexico:s:sentido:start|sentido]] totalitário da palavra "filosofia". Por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], no século XVII, o livro em que Isaac Newton expõe a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da gravitação [[lexico:u:universal:start|universal]], que é um livro de [[lexico:f:fisica:start|física]], diríamos hoje, leva por título Philosophiae, Naturalis [[lexico:p:principia-mathematica:start|Principia Mathematica]], ou seja "[[lexico:p:principios:start|Princípios]] matemáticos da [[lexico:f:filosofia-natural:start|filosofia natural]]". Quer dizer, que na [[lexico:e:epoca:start|época]] de Newton a palavra "filosofia" significava ainda o mesmo que na Idade Média ou na época de [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]]: a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] total das [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. Mas na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], a partir do século XVII, o [[lexico:c:campo:start|campo]] imenso da filosofia começa a partir-se. Começam a sair do seio da filosofia as ciências particulares, [[lexico:n:nao:start|não]] somente porque essas ciências vão se constituindo com seu [[lexico:o:objeto:start|objeto]] [[lexico:p:proprio:start|próprio]], seus métodos próprios e seus progressos próprios, como também porque pouco a pouco os cultivadores vão igualmente se especializando. Ainda [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] é ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]], matemático e [[lexico:f:fisico:start|físico]]. Ainda [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] é ao mesmo tempo matemático, filósofo e físico. Ainda são [[lexico:e:espiritos:start|espíritos]] enciclopédicos. Ainda pode-se dizer de Descartes e de Leibniz, [[lexico:c:como-se:start|como se]] diz de Aristóteles, "o filósofo", no sentido de que abrange a ciência toda de tudo quanto pode [[lexico:s:ser:start|ser]] conhecido. Talvez ainda de [[lexico:k:kant:start|Kant]] possa se dizer algo parecido, embora Kant já não soubesse toda a [[lexico:m:matematica:start|matemática]] que havia em seu tempo; Kant já não sabia toda a física que havia em seu tempo; não sabia toda a [[lexico:b:biologia:start|biologia]] que havia em seu tempo. Kant já não descobre [[lexico:n:nada:start|nada]] em matemática, nem em física, nem em biologia, enquanto que Descartes e Leibniz ainda descobrem teoremas novos em física e em matemática. Mas a partir do século XVIII não resta nenhum [[lexico:e:espirito:start|espírito]] [[lexico:h:humano:start|humano]] capaz de conter numa só [[lexico:u:unidade:start|unidade]] a [[lexico:e:enciclopedia:start|enciclopédia]] do [[lexico:s:saber:start|saber]] humano; e então a palavra "filosofia" não designa a enciclopédia do saber; desse total foram desprendendo-se as matemáticas por um lado, a física por [[lexico:o:outro:start|outro]], a química, a [[lexico:a:astronomia:start|astronomia]] etc. E então que é a filosofia? Pois então a filosofia vem circunscrevendo-se ao que resta depois de se [[lexico:t:ter:start|ter]] tirado tudo isto. Se a todo o saber humano lhe tiram as matemáticas, a astronomia, a física, a química etc. o que resta, isso é a filosofia. **Crise histórica ao [[lexico:l:limiar:start|limiar]] da Idade [[lexico:m:moderna:start|moderna]].** Chega um [[lexico:m:momento:start|momento]] na [[lexico:h:historia:start|história]] do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] humano em que a [[lexico:c:crenca:start|crença]] no [[lexico:r:realismo:start|realismo]] aristotélico começa a sofrer desgaste. Para [[lexico:c:compreender:start|compreender]] a nova concepção filosófica que vai substituir o realismo aristotélico não temos mais solução que relembrar a história. A crença aristotélica sofre depreciação a partir do século XV, e [[lexico:e:esse:start|esse]] desgaste vai sendo cada vez maior. Os alicerces do [[lexico:a:aristotelismo:start|aristotelismo]] vão sendo sapados cada vez mais pelas minas que os fatos históricos e as descobertas particulares representam para o [[lexico:m:movimento:start|movimento]] do pensamento humano. Esses fatos históricos são principalmente três. Em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], a [[lexico:d:destruicao:start|destruição]] da unidade religiosa, as guerras de [[lexico:r:religiao:start|religião]], o advento do protestantismo. As lutas entre os homens por distintos credos religiosos fazem cambalear a [[lexico:f:fe:start|fé]] em uma [[lexico:v:verdade:start|verdade]] única que unisse a todos os participantes na cristandade. O [[lexico:f:fato-historico:start|fato histórico]] das guerras de religião é, ao mesmo tempo, como todo [[lexico:f:fato:start|fato]] [[lexico:h:historico:start|histórico]], [[lexico:s:sintoma:start|sintoma]] de uma [[lexico:m:mudanca:start|mudança]] de [[lexico:a:atitude:start|atitude]] nos espíritos e [[lexico:c:causa:start|causa]] de que essa mudança de atitude se torne cada vez mais [[lexico:c:consciente:start|consciente]] e clara, mais profundamente visível aos olhos do [[lexico:h:homem:start|homem]] daqueles tempos. Mas, [[lexico:a:alem:start|além]] das guerras de religião que destroem a crença na unidade ou na [[lexico:u:unicidade:start|unicidade]] da verdade, outros fatos históricos contribuem notavelmente a desgastar a crença na [[lexico:m:metafisica-aristotelica:start|metafísica aristotélica]]. Estes fatos são: em primeiro lugar, a [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] da [[lexico:t:terra:start|Terra]], e em segundo lugar, a descoberta do [[lexico:c:ceu:start|céu]]. Os homens descobrem a terra. Pela primeira vez se dão conta do que é a terra; pela primeira vez um homem dá a volta ao mundo e demonstra pelo fato a redondeza do planeta. Isto muda por completo a [[lexico:i:imagem:start|imagem]] que se tinha da realidade terrestre. Essa mudança radical na imagem que se tinha da realidade terrestre, abala toda a física de Aristóteles. Este abalo é gravíssimo, porque o abalo numa [[lexico:p:parte:start|parte]] do edifício arrasta facilmente o resto. Mas, além de ter descoberto a terra, o homem do século XVI descobre o céu. O novo [[lexico:s:sistema:start|sistema]] planetário, que Kepler e Copérnico desenvolvem, muda também por completo a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] que os homens tinham dos astros e de sua [[lexico:r:relacao:start|relação]] com a terra. A terra deixa já de ser o centro do [[lexico:u:universo:start|universo]], deixa de conter em si o máximo de preeminência antropomórfica; a terra [[lexico:a:agora:start|agora]] é um planeta, e não dos maiores, com uma trajetória; é um grão de areia perdido na imensidade’ dos espaços infinitos. O sistema solar é um dos tantos sistemas de que se compõe a imensidade do céu; e a terra neste sistema solar ocupa um lugar secundário, periférico, que não é, nem de longe, a [[lexico:p:posicao:start|posição]] central única e privilegiada que os antigos e Aristóteles lhe outorgavam. Aí está outro fato que profundamente abala os alicerces da ciência aristotélica. Estes fatos históricos — as guerras de religião, a descoberta da redondeza do planeta, a descoberta da posição da terra no universo astronômico — são outros tantos golpes terríveis a ciência de Aristóteles. Este sistema de [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] que se ajustam perfeitamente à realidade; esse sistema classificativo de conceitos que respondem às hierarquias das [[lexico:e:essencias:start|essências]], começa a rachar-se. Por todos os lados propaga-se a [[lexico:d:duvida:start|dúvida]]; discute-se; não se crê já nele; perdeu-se a crença nele. Neste momento se pode dizer que o saber humano entra na crise mais profunda que conheceu. Dessa crise nasce uma posição completamente nova da filosofia. Ê este um exemplo dos mais notáveis, que faz compreender da maneira mais patente a [[lexico:h:historicidade:start|historicidade]] do pensamento humano. O pensamento humano, longe de ser algo que em [[lexico:e:eternidade:start|Eternidade]] e fora do tempo subsista sempre igual a [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], funcionando nas mesmas condições e capaz das mesmas proezas, está radical e essencialmente condicionado pelo tempo e pela História. O pensamento humano não produz qualquer [[lexico:c:coisa:start|coisa]] em qualquer momento e em qualquer lugar, mas nasce, surge numa [[lexico:m:mente:start|mente]] concreta, num homem de [[lexico:c:carne:start|carne]] e osso, num [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]], o qual vive numa época determinada e pensa num lugar determinado; e este pensamento vem condicionado essencialmente por todo o passado que pressiona sobre a mente na qual se está destilando. **[[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] de colocar de novo os problemas.** Quando no século XVI e [[lexico:c:comeco:start|começo]] do século XVII, o desconserto científico e filosófico chega a termos tais que torna absolutamente preciso colocar de novo os principais [[lexico:p:problemas-da-filosofia:start|problemas da filosofia]], o pensamento que os recoloca não está já nas mesmas condições em que estava [[lexico:p:parmenides:start|Parmênides]]. Transcorreram vinte séculos desde então, e estes séculos que transcorreram não transcorreram em vão, mas antes, acumulando-se o tesouro das experiências e das teorias filosóficas do passado, esse tesouro pressiona sobre o presente para que o pensamento que quer despertar nesse presente não possa [[lexico:e:estar:start|estar]], não esteja de fato, nas mesmas condições em que estava na época de Parmênides Ao tempo de Parmênides a filosofia nasce, a filosofia pensa pela primeira vez, a filosofia não tem um passado no qual apoiar-se e ao qual depender, mas é livre dos vínculos da História. Faz o que pode, o que de si mesmo dá o pensamento humano. Parmênides se encontra virgem; encontra problemas virgens, problemas que não foram antes dele abordados por ninguém, e, portanto, cujas soluções inexistentes não podem de [[lexico:m:modo:start|modo]] algum pressionar ou condicionar a direção do seu próprio pensamento. Parmênides encontra-se com a descoberta (feita pelos Pitagóricos e pelos geômetras) da [[lexico:r:razao:start|razão]], do pensamento humano; e entusiasmado com essa descoberta da razão, confere-lhe integralmente a missão de descobrir o ser. Porque inevitavelmente pensa também que o ser se deixa descobrir pela razão, que o ser é [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]]; que as coisas, na sua [[lexico:e:essencia:start|essência]], são inteligíveis. Este [[lexico:p:pensamento-filosofico:start|pensamento filosófico]] de Parmênides é, pois, um pensamento espontâneo, autóctone, livre. Porém o pensamento de Descartes, o pensamento dos homens do século XVI, já não é autóctone, nem espontâneo, nem livre. Vem depois de vinte séculos de filosofia. Tem atrás de si a filosofia de Aristóteles, que foi crença da [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]] durante tantos séculos; que foi crença e que é agora também malogro. Portanto, a posição do [[lexico:p:problema:start|problema]] é completamente diferente. O homem encontra-se com uma realidade histórica conceptual, mental, que é o sistema de Aristóteles, o realismo aristotélico que está aí, e que o homem, não pode apagar da realidade porque ela existe historicamente aí e pressiona numa determinada direção o pensamento novo. Começa neste momento a segunda navegação da filosofia. Parmênides iniciou a primeira; a segunda inicia-a Descartes. Mas aqueles navegantes — Parmênides, [[lexico:p:platao:start|Platão]], Aristóteles — eram navegantes inocentes. Não tinha sofrido ainda a filosofia desilusão alguma. Pelo contrário, o navegante novo, o navegante Descartes, já perdera a virgindade, já perdera a inocência. Não estava nas mesmas condições. Tinha atrás de si um passado filosófico instrutivo, uma [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] prévia, que fracassou. E então ele teve que começar a filosofar, não com a [[lexico:a:alegria:start|alegria]] virginal dos inocentes gregos, mas com a cautela e a [[lexico:p:prudencia:start|prudência]] de [[lexico:q:quem:start|quem]] presenciou um grande fracasso de séculos. Cuidado! — pensa Descartes —. Não vão se enganar! Muito cuidado! É esta atitude de prudência e de cautela que o lugar e o momento histórico impõe inevitavelmente a Descartes, que imprime uma marca indelével no pensamento moderno. O pensamento moderno é tudo quanto se quiser, menos inocente, é tudo quanto se quiser, menos espontâneo. Começa a surgir já com a ideia de precaução e de cautela; é essa mesma ideia de precaução, de não reincidir nos erros do passado, de evitar esses erros, que imprimem uma direção ao curso do seu [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]]. Em que consiste essa cautela? Pois consiste em que o [[lexico:e:espetaculo:start|espetáculo]] histórico da derrubada do aristotelismo coloca no primeiro [[lexico:p:plano:start|plano]] do pensamento moderno uma [[lexico:q:questao:start|questão]] prévia, antes de qualquer outra. A questão que nos interessa e que interessa ao homem é a questão [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] que formulamos na [[lexico:p:pergunta:start|pergunta]]: quem existe? Mas quando Descartes, e o pensamento moderno simbolizado por Descartes, abordam essa pergunta: quem existe? já não são virgens, já não são inocentes; dizem: Cuidado! E antes de perguntar quem existe querem assegurar-se de que não se vão enganar. .Resolvem, pois, primeiramente, procurar a maneira de não se enganar; resolvem fazer uma [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] prévia, preliminar, de [[lexico:p:propedeutica:start|propedêutica]], que vai consistir em [[lexico:p:pensar:start|pensar]] minuciosamente um [[lexico:m:metodo:start|método]] que permita evitar o [[lexico:e:erro:start|erro]]. **O problema do conhecimento se antepõe ao metafísico.** De maneira que a [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] do pensamento moderno é que, antes de apresentar o problema metafísico propõe outro problema prévio: o problema de como evitar o erro; o problema do método que se há de descobrir para aplicá-lo de [[lexico:s:sorte:start|sorte]] a não cometer erros; o problema da [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] que tem o pensamento humano para descobrir a verdade; o problema de se o pensamento humano pode ou não pode descobrir a verdade; o problema dos [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] que um pensamento haja de revestir para ser [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]]. Em [[lexico:s:suma:start|suma]], toda uma [[lexico:s:serie:start|série]] de problemas que os filósofos hoje abrangem sob a [[lexico:d:denominacao:start|denominação]] de "[[lexico:t:teoria-do-conhecimento:start|teoria do conhecimento]]". A característica do pensamento moderno é que em lugar de começar pela própria [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]], ensaia por uma [[lexico:e:epistemologia:start|epistemologia]], por uma teoria do conhecimento. E por que o pensamento moderno começa por aí, quando o pensamento antigo começara pelo contrário, pela metafísica, pela ontologia? Eis por que o pensamento moderno germina depois de um longo passado histórico. Essa é a sua realidade histórica. Surge e se desenvolve no século XVI. O pensamento humano não é nunca, em nenhum [[lexico:i:instante:start|instante]], a-histórico, fora do tempo e do [[lexico:e:espaco:start|espaço]]; não é pensamento que esteja lançado com o momento histórico, mas antes o pensamento é uma realidade histórica, tem uma realidade histórica. O momento em que um pensamento nasce se compreende pelo que o antecedeu. Todo o passado está projetado nele. Assim como o passado atua sobre nós, ou seja, negativamente, dizendo-nos o que se não deve fazer, o que há de se evitar, assim também o pensamento moderno tem que começar por uma teoria do método, por uma teoria do conhecimento. E os primeiros alvôres do pensamento moderno são constituídos por estudos sobre o método. Já antes de Descartes existe um certo [[lexico:n:numero:start|número]] de obras sobre o método. Existem [[lexico:e:ensaios:start|Ensaios]] de filósofos anteriores a Descartes que tomam como principal objeto de [[lexico:m:meditacao:start|meditação]] a procura e a excogitação de um método [[lexico:a:apropriado:start|apropriado]]. Não vou citar mais do que um, o inglês [[lexico:b:bacon:start|Bacon]] de Verulam, que escreveu o Novum Organum, todo um novo método mais ou menos complicado para evitar os erros e descobrir a verdade. Assim pois, essa característica histórica do pensamento moderno altera por completo a posição do problema. Por isso o problema se recoloca para Descartes, não como nós o colocamos, não como o colocou Parmênides, mas desta outra [[lexico:f:forma:start|forma]]: como descobrir a verdade? E por que pergunta Descartes como descobrir a verdade? Pois pergunta porque as verdades que até agora vinham valendo não valem mais; revelaram-se falsas. Houve, para duvidar delas, [[lexico:m:motivos:start|motivos]] poderosos. Por conseguinte, o que vai interessar agora ao pensamento não é tanto descobrir muitas proposições verdadeiras mas achar uma só, uma só talvez, mas que seja absolutamente certa, da qual não se possa duvidar. O que interessa ao pensamento moderno é a indubitabilidade; é que aquilo que se afirma tenha uma solidez tão grande, que não possa ser posta em dúvida, como aconteceu com o sistema de Aristóteles. Não reincidamos naquelas ilusões. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}