===== FILOSOFIA E VIDA ===== [[lexico:n:nao:start|Não]] há [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], pois, que a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] é um fazer na [[lexico:v:vida:start|vida]] do [[lexico:h:homem:start|homem]] — direção para a vida e [[lexico:f:forma:start|forma]] de vida — [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] que o homem faz e, [[lexico:a:alem:start|além]] disso, alguma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] que o converte a ele mesmo, ao homem enquanto tal, em sua primeira [[lexico:r:realidade:start|realidade]]. Com isso a filosofia se transforma, no dizer de Karl [[lexico:j:jaspers:start|Jaspers]], numa arriscada aventura de "penetrar no [[lexico:c:campo:start|campo]] vedado da [[lexico:a:autoconsciencia:start|autoconsciência]] humana". Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, se se partir da [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] de que toda filosofia é simplesmente [[lexico:r:revelacao:start|revelação]] do [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]] que a produziu, do [[lexico:m:meio:start|meio]] em que este viveu e do [[lexico:t:tempo:start|tempo]] em que foi [[lexico:e:escrita:start|escrita]], concluiremos, com [[lexico:d:dilthey:start|Dilthey]], que a [[lexico:m:mundividencia:start|mundividência]] filosófica é uma [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] que resulta do interior da própria vida. E desde que a filosofia emana da vida, é esta que a explica e não os [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] da [[lexico:r:razao:start|razão]] [[lexico:u:universal:start|universal]]. Numa [[lexico:p:palavra:start|palavra]], variando a vida nas suas expressões — o [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] e o meio — variará também a filosofia. Porque uma filosofia é a [[lexico:e:expressao:start|expressão]] de um [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de [[lexico:e:espirito:start|espírito]]; diferentemente das ciências, ela chega a uma [[lexico:i:intuicao-do-mundo:start|intuição do mundo]] que é a expressão de [[lexico:s:ser:start|ser]] do [[lexico:p:proprio:start|próprio]] filósofo e do tipo [[lexico:h:humano:start|humano]] que nele vive. Esta [[lexico:r:reducao:start|redução]] do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] a uma [[lexico:p:perspectiva:start|perspectiva]] e do filósofo a um [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista tem por [[lexico:f:fim:start|fim]] tão apenas explicitar a contínua e inevitável [[lexico:t:tensao:start|tensão]] existente entre aquilo a que a filosofia aspira — a [[lexico:v:verdade:start|verdade]] absoluta — e aquilo que se vê obrigada a admitir — a condicionalidade e a [[lexico:m:mudanca:start|mudança]] de perspectivas. Disto resulta que a filosofia jamais é uma [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] acabada mas uma totalidade [[lexico:p:possivel:start|possível]], já que emana de uma [[lexico:p:personalidade:start|personalidade]] concreta inserida num [[lexico:d:dado:start|dado]] [[lexico:c:circulo:start|círculo]] cultural que compõe uma realidade nacional presa a uma fase do [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] [[lexico:h:historico:start|histórico]]. Claro está que esta filiação de cada filósofo e de cada [[lexico:t:teoria:start|teoria]] filosófica no conjunto de suas condições histórico-sociológicas, assim como sua vinculação ao fundo de sua correspondente mundividência, não equivalem, evidentemente, a uma eliminação da [[lexico:i:ideia:start|ideia]] da filosofia enquanto [[lexico:s:saber:start|saber]] que transcende perpetuamente de seus limites condicionais. Pelo contrário, a filosofia aspira a ser objetiva, ou melhor, o saber filosófico é aquele que exige, ao mesmo tempo, a autenticidade e a verdade. Isto permite [[lexico:e:explicar:start|explicar]] o [[lexico:f:fato:start|fato]] de que a forma de [[lexico:r:relacao:start|relação]] entre o homem que faz filosofia e a própria filosofia seja diferente da que existe nos outros saberes, pois não é apenas uma relação meramente intelectual, mas também vital. Em [[lexico:s:suma:start|suma]], a filosofia é, ao mesmo tempo, alguma coisa na vida humana e diz alguma coisa seja sobre a realidade, seja sobre a [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] que empregamos para [[lexico:f:falar:start|falar]] acerca da realidade. Deste [[lexico:m:modo:start|modo]], a filosofia não está cindida entre o filosofar no [[lexico:v:viver:start|viver]] ou o filosofar no inquirir, pois ambos são manifestações de uma única realidade. Por um lado, a filosofia deve ser entendida como uma [[lexico:a:atitude:start|atitude]] humana; por outro, como um [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] ou uma [[lexico:s:serie:start|série]] de proposições (tanto sobre objetos considerados como próprios, quanto sobre quaisquer proposições com o fim de averiguar seu [[lexico:s:sentido:start|sentido]] ou [[lexico:f:falta:start|falta]] de sentido). No primeiro caso, a filosofia é uma realidade [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]] (ou uma [[lexico:r:realidade-social:start|realidade social]]), e o exame da filosofia é sobretudo o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] de sua [[lexico:g:genese:start|gênese]] pessoal, [[lexico:s:social:start|social]] ou histórica. No segundo caso, a filosofia é um conjunto de proposições, e o exame da filosofia é sobretudo o estudo da índole e características dessas proposições. Entre estes dois extremos — que podem ser considerados como conceitos-limites — oscila a efetiva realidade da filosofia. De qualquer maneira, porém, é legítima a [[lexico:p:posicao:start|posição]] de Dilthey quando afirma que o que seja a filosofia é uma [[lexico:q:questao:start|questão]] que não se pode responder consoante o [[lexico:g:gosto:start|gosto]] de cada um, porquanto sua [[lexico:f:funcao:start|função]] tem de ser empiricamente [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] na [[lexico:h:historia:start|história]]. Esta história, naturalmente, terá de ser entendida a partir da [[lexico:v:vitalidade:start|vitalidade]] espiritual da qual nós mesmos partimos e na qual vivemos a filosofia. Isto porque a [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] não é um desdobramento do indivíduo isolado, compreensível a partir dele, mas é um [[lexico:p:processo:start|processo]] na [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] do [[lexico:g:genero:start|gênero]] humano, sendo este o [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] em que existe a [[lexico:v:vontade:start|vontade]] de conhecimento; só mediante um processo histórico de [[lexico:a:abstracao:start|abstração]] se constitui o [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]], o conhecer, o saber. Conclui Dilthey afirmando que a filosofia, assim entendida, é a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] do [[lexico:r:real:start|real]]. Isto é, a própria inteligência é histórica e emana da própria vida. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}