===== FILOSOFIA E SITUAÇÃO ===== Portanto, longe está a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] de [[lexico:s:ser:start|ser]] uma [[lexico:r:realidade:start|realidade]] sub specie aeternitatis, válida sem mais para toda [[lexico:s:situacao:start|situação]], de [[lexico:v:verdade:start|verdade]] exaustiva e exclusiva. E isso porque a realidade do [[lexico:h:homem:start|homem]] presente está constituída, entre outras [[lexico:c:coisas:start|coisas]], por um [[lexico:c:concreto:start|concreto]] [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de tangência, cujo [[lexico:l:lugar:start|lugar]] geométrico se chama situação. Quando entramos em nós mesmos, descobrimo-nos numa situação que nos pertence constitutivamente e na qual se encontra inscrito nosso peculiar [[lexico:d:destino:start|destino]], eleito algumas vezes, imposto outras. Daí a justa [[lexico:p:ponderacao:start|ponderação]] de Xavier [[lexico:z:zubiri:start|Zubiri]] ao afirmar que ainda que a situação [[lexico:n:nao:start|não]] predetermine, forçosamente, nem o conteúdo de nossa [[lexico:v:vida:start|vida]] nem de seus problemas, circunscreve, como é evidente, o âmbito destes problemas e, sobretudo, limita as possibilidades de sua solução. Isto é, o homem é sempre [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] graças a suas limitações, que lhe permitem escolher o que pode ser. Deste [[lexico:m:modo:start|modo]], a situação é a realidade concreta em que o homem se acha inserido, condicionando seu modo de ser, ou seja, é o conjunto das condições concretas nas quais se encontra o homem. Com isto, o homem é considerado não como [[lexico:e:essencia:start|essência]] inerente, de modo [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]], ao [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]], mas na sua realidade concreta, na qual o existente [[lexico:h:humano:start|humano]] se converte numa intersecção das [[lexico:r:relacoes:start|relações]] sociais. É precisamente isso que significa o homem em situação, como um ser-em-situação, que pode ser autêntica ou inautêntica, mas que sempre define a [[lexico:c:condicao-humana:start|condição humana]]. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], como adverte [[lexico:s:sartre:start|Sartre]], "se é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] achar em cada homem uma essência [[lexico:u:universal:start|universal]] que seria a [[lexico:n:natureza-humana:start|natureza humana]], existe contudo uma universalidade humana de [[lexico:c:condicao:start|condição]]. Não é por [[lexico:a:acaso:start|acaso]] que os pensadores de hoje falam mais facilmente da condição do homem que da sua [[lexico:n:natureza:start|natureza]]. Por condição entendem mais ou menos distintamente o conjunto dos limites [[lexico:a:a-priori:start|a priori]] que esboçam a sua situação fundamental no [[lexico:u:universo:start|universo]]. As situações históricas variam: o homem pode nascer [[lexico:e:escravo:start|escravo]] numa [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] paga ou senhor feudal ou proletário. Mas o que não varia é a [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] para ele de [[lexico:e:estar-no-mundo:start|estar no mundo]], de lutar, de [[lexico:v:viver:start|viver]] com os outros e de ser mortal. Os limites não são nem subjetivos nem objetivos, têm antes uma face objetiva e uma face subjetiva. Objetivos porque tais limites se encontram em [[lexico:t:todo:start|todo]] o lado e em todo o lado são reconhecíveis; subjetivos porque são vividos e [[lexico:n:nada:start|nada]] são se o homem não os viver, quer dizer se o homem não se determina livremente na sua [[lexico:e:existencia:start|existência]] em [[lexico:r:relacao:start|relação]] a eles". [[lexico:f:fenomeno:start|Fenômeno]] [[lexico:d:dinamico:start|dinâmico]], a situação é o conjunto das próprias condições materiais e espirituais que, numa dada [[lexico:e:epoca:start|época]], definem precisamente um conjunto que compreende o homem como [[lexico:s:ser-espiritual:start|ser espiritual]], [[lexico:f:finito:start|finito]] e corpóreo e que abrange desde a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] individual do [[lexico:c:corpo:start|corpo]] humano e do seu psiquismo até o [[lexico:a:ambiente:start|ambiente]] [[lexico:f:fisico:start|físico]] e [[lexico:m:moral:start|moral]] e o ambiente [[lexico:h:historico:start|histórico]]. Dai [[lexico:j:jaspers:start|Jaspers]] afirmar que "o ponto de partida da filosofia está em nossa situação", mas que "só o indivíduo se encontra numa situação". Pode ser [[lexico:g:geral:start|geral]] ou [[lexico:t:tipica:start|típica]], e historicamente condicionada, mas a existência humana será sempre um ‘ser-em-situação’, que não pode sair de uma sem entrar em outra. Em [[lexico:s:suma:start|suma]], podemos dizer que a filosofia nasce da vida [[lexico:s:social:start|social]] e compõe o ambiente ético dos fins, dos sentidos e das interpretações que o homem elabora e deduz de sua [[lexico:a:atividade:start|atividade]] e de sua [[lexico:p:posicao:start|posição]] em face do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:e:exterior:start|exterior]]. Ou, consoante [[lexico:o:ortega-y-gasset:start|Ortega y Gasset]], a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] é uma [[lexico:a:acao:start|ação]] que o homem realiza em vista de uma determinada circunstância e com uma precisa [[lexico:f:fidelidade:start|fidelidade]]. Se ao querer entender uma ideia prescindimos da circunstância que a provoca e do desígnio que a inspirou, teremos dela apenas um perfil [[lexico:v:vago:start|vago]] e abstrato. Este [[lexico:e:esquema:start|esquema]] ou esqueleto impreciso da efetiva ideia é, precisamente, o que se costuma chamar ideia pois é o que, sem mais, se entende, o que parece [[lexico:t:ter:start|ter]] um [[lexico:s:sentido:start|sentido]] ubíquo e [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]]. Mas a ideia só tem seu [[lexico:a:autentico:start|autêntico]] conteúdo, seu [[lexico:p:proprio:start|próprio]] e preciso sentido, quando cumpre o papel ativo para que foi pensada, e [[lexico:e:esse:start|esse]] papel ou [[lexico:f:funcao:start|função]] é o que tem de ação diante de uma circunstância. Não há, pois, [[lexico:i:ideias:start|ideias]] eternas. Toda ideia está agregada, irremediavelmente, à situação ou circunstância diante da qual representa seu ativo papel e exerce a sua função. Isto é, para o homem contemporâneo, a filosofia, antes de ser [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] dentro dele, ele a encontra fora como uma realidade que tem, inclusive, atributos materiais (magistério, livros etc). Dessa maneira, nenhuma filosofia é definitiva, inclusive a nossa, [[lexico:a:atual:start|atual]], pois a submergimos, como qualquer outra, no fluxo histórico do corruptível. A filosofia de hoje é mais um elo da cadeia do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], e com vistas ao elo do porvir, por isso mesmo anunciando-o, postulando-o e preparando-o. Concluindo, chega-se ao seguinte [[lexico:c:conceito:start|conceito]] que se evidencia por [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]: a filosofia, no que tem de realidade, concentra-se na vida humana e deve ser referida sempre a esta para ser plenamente compreendida, pois somente nela e em função dela adquire seu ser [[lexico:e:efetivo:start|efetivo]]. Portanto, o que a filosofia é não se pode conhecer a priori, nem exprimir-se numa [[lexico:d:definicao:start|definição]] abstrata, resultante que é de se achar na vida humana, como um ingrediente seu, com um lugar e uma função determinados dentro da sua [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]], de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com os ensinamentos de Ortega y Gasset. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}