===== FILOSOFIA DOS VALORES ===== A [[lexico:f:filosofia-dos-valores|filosofia dos valores]], como corrente peculiar filosófica, só se desenvolveu depois de H. Lotze. Quando se [[lexico:f:fala|fala]] de [[lexico:t:teoria|teoria]] dos valares, esta [[lexico:e:expressao|expressão]] compreende, na maioria dos casos, [[lexico:a:alem|além]] da [[lexico:i:investigacao|investigação]] filosófica, outra investigação, p. ex., psicológica dos valores e das valorizações. Mais raramente se usa, para a designar, o [[lexico:t:termo|termo]] [[lexico:a:axiologia|axiologia]] (do [[lexico:g:grego|grego]] axion = digno, apreciável). — Já em Lotze, pai da [[lexico:m:moderna|moderna]] [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] dos vatóres, o [[lexico:v:valor|valor]] aparece separado do [[lexico:s:ser|ser]]. Este carece de valor, porque o restringem à [[lexico:r:realidade|realidade]] empírica exclusivamente sujeita às leis matemáticas da [[lexico:c:ciencia-natural|ciência natural]]. Os valores, em que se funda o [[lexico:s:sentido|sentido]] de nossa [[lexico:e:existencia|existência]], formam um [[lexico:r:reino|reino]] [[lexico:p:proprio|próprio]] do valer. A esta duplicidade corresponde no [[lexico:h:homem|homem]] uma [[lexico:d:dualidade|dualidade]] de [[lexico:f:faculdades|faculdades]]; assim como o [[lexico:e:entendimento|entendimento]] conhece o ser, assim a [[lexico:r:razao|razão]] sente os valores. As sugestões de Lotze desenvolveram-se principalmente em duas formas: a filosofia neokantiana e a filosofia fenomenológica dos valores. A primeira acolhe o [[lexico:a:aspecto|aspecto]] da [[lexico:v:validade|validade]]; seu porta-voz é a [[lexico:e:escola-de-baden|escola de Baden]] ([[lexico:w:windelband|Windelband]], [[lexico:r:rickert|Rickert]]). [[lexico:p:parte|parte]] da [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre a [[lexico:n:natureza|natureza]], que deve ser explicada por leis, e a [[lexico:c:cultura|cultura]] histórica, que deve ser compreendida por valores diretivos. Assim, a par da realidade, privada de valor ou indiferente ao valor, ergue-se o reino [[lexico:i:independente|independente]] dos valores, que valem incondicionalmente, mas [[lexico:n:nao|não]] existem, o que autoriza também a qualificá-los de irreais. Ambas as esferas coincidem no "nó do [[lexico:m:mundo|mundo]]", isto é, nos atos valiosos do homem que imprimem também valores ao [[lexico:r:real|real]], sendo por esta [[lexico:f:forma|forma]], criadores de cultura. — Spranger e [[lexico:m:meinong|Meinong]], em sua última fase, professam [[lexico:i:ideias|ideias]] afins. A filosofia fenomenológica dos valores ([[lexico:s:scheler|Scheler]]) aceita sobretudo o que se refere ao [[lexico:s:sentimento|sentimento]] do valor; em [[lexico:o:oposicao|oposição]] ao [[lexico:f:formalismo|formalismo]] de [[lexico:k:kant|Kant]], apaixonadamente posto em destaque, Scheler funda a [[lexico:e:etica|ética]] material dos valores ([[lexico:e:etica-dos-valores|ética dos valores]]). Uma [[lexico:r:reducao|redução]] dos valores ao ser, entendido só no sentido da realidade existente, equivaleria à relativização dos mesmos. Seu [[lexico:c:carater|caráter]] [[lexico:a:absoluto|absoluto]] é unicamente assegurado pela "independência última" relativamente ao ser; consequentemente, formam um reino próprio de "qualidades materiais" (de determinações que possuem a natureza de conteúdos). Devido à sua [[lexico:s:separacao|separação]] do ser, os valores não podem ser conhecidos pelo entendimento, mas só podem ser apreendidos de maneira intuitivo-emocional pelo sentimento [[lexico:i:intencional|intencional]] que, dirigido aos valores como a seu [[lexico:o:objeto|objeto]], se distingue do sentimento puramente [[lexico:s:subjetivo|subjetivo]]. — Afins ao sentimento intencional são o "[[lexico:a:amor|amor]] justo" de [[lexico:b:brentano|Brentano]] e a [[lexico:p:presentacao|presentação]] [[lexico:e:emocional|emocional]] defendida por Meinong em seus últimos anos, ao passo que as teorias psicologistas diluem os valores no sentimento puramente subjetivo. N. [[lexico:h:hartmann|Hartmann]] continua a ética dos valores com [[lexico:i:impulso|impulso]] original. Jaensch caracterizou acertadamente todos estes sistemas como "teorias complementares dualistas", pois que se cingem a complementar o ser [[lexico:p:privado|privado]] de valor, colocando a seu lado, o valor privado de ser em vez de desenvolverem a [[lexico:u:unidade|unidade]] radical de ambos. Contudo só a teoria [[lexico:e:escolastica|escolástica]] dos valores penetra até ao âmago dessa unidade. — Lötz.