===== FILOSOFIA DAS FORMAS SIMBÓLICAS ===== [[lexico:c:cassirer|Cassirer]] [[lexico:n:nao|não]] submeteu somente as ciências a [[lexico:a:analise|análise]] filosófica. Indo [[lexico:a:alem|além]] dos marcos das "duas culturas", ele também pretendeu, com A [[lexico:f:filosofia-das-formas-simbolicas|Filosofia das Formas Simbólicas]], "delimitar as diversas formas fundamentais da ‘[[lexico:c:compreensao|compreensão]]’ do [[lexico:m:mundo|mundo]] umas em [[lexico:r:relacao|relação]] às outras e captar cada uma delas o mais claramente [[lexico:p:possivel|possível]] em sua [[lexico:t:tendencia|tendência]] peculiar e em sua [[lexico:f:forma|forma]] espiritual peculiar". Essas formas fundamentais de "compreensão" do mundo são "formações simbólicas" como o [[lexico:m:mito|mito]], a [[lexico:a:arte|arte]], a [[lexico:l:linguagem|linguagem]] ou também o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]. Somos nós que plasmamos o mundo com a nossa [[lexico:a:atividade|atividade]] [[lexico:s:simbolica|simbólica]], criando e fazendo [[lexico:m:mundos|mundos]] de experiências: "o mito e a arte, a linguagem e a [[lexico:c:ciencia|ciência]] são (...) sinais que-tendem a realizar o [[lexico:s:ser|ser]]", direções da [[lexico:v:vida|vida]] humana, formas típicas da [[lexico:a:acao|ação]] humana. E uma [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] do [[lexico:h:homem|homem]], escreve Cassirer, deveria ser "filosofia que faça conhecer a fundo a [[lexico:e:estrutura|estrutura]] fundamental de cada uma dessas [[lexico:a:atividades|atividades]] humanas e que, nesse [[lexico:m:meio|meio]] [[lexico:t:tempo|tempo]], faça por onde entendê-las como um [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:o:organico|orgânico]]". As formas simbólicas — isto é, a linguagem, a arte, o mito e a ciência — "dão forma e [[lexico:s:sentido|sentido]]", vale dizer, estruturam o [[lexico:m:modo|modo]] de [[lexico:v:ver|ver]] o mundo, criam mundos de significados, organizam a [[lexico:e:experiencia|experiência]]. Com [[lexico:e:efeito|efeito]], "inserido entre o [[lexico:s:sistema|sistema]] receptivo e o sistema [[lexico:r:relativo|relativo]] (encontráveis em todas as espécies animais), existe no homem [[lexico:t:terceiro|terceiro]] sistema, que se pode chamar de sistema [[lexico:s:simbolico|simbólico]], cujo aparecimento transforma toda a sua [[lexico:s:situacao|situação]] [[lexico:e:existencial|existencial]]. Confrontando com os animais, observa-se que o homem não somente vive em [[lexico:r:realidade|realidade]] mais vasta, mas também, por assim dizer, em nova [[lexico:d:dimensao|dimensão]] da realidade". O homem é [[lexico:a:animal|animal]] cultural, diriam os etólogos. E Cassirer o chama de "[[lexico:a:animal-symbolicum|animal symbolicum]]". Os animais têm sinais, os homens produzem [[lexico:s:simbolos|símbolos]]. "A [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre linguagem proposicional e linguagem emotiva constitui o [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] [[lexico:l:limite|limite]] entre o mundo [[lexico:h:humano|humano]] e o mundo animal". E o nascimento da linguagem descritiva ou proposicional que desencadeia o [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] da "[[lexico:c:cultura|cultura]]", isto é, da "[[lexico:c:civilizacao|civilização]]". Com efeito, escreve Cassirer, "é inegável que o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] e o [[lexico:c:comportamento|comportamento]] simbólico são os aspectos mais característicos da vida humana e que todo o [[lexico:p:progresso|progresso]] da cultura baseou-se neles". O homem é animal symbolicum. Com a sua atividade simbólica, ele superou "os limites da vida orgânica". E [[lexico:a:agora|agora]] "não se pode fazer [[lexico:n:nada|nada]] contra essa subversão da [[lexico:o:ordem|ordem]] [[lexico:n:natural|natural]]. O homem não pode se subtrair às condições de [[lexico:e:existencia|existência]] que ele [[lexico:p:proprio|próprio]] criou: deve se conformar a elas. Ele não vive mais em [[lexico:u:universo|universo]] somente [[lexico:f:fisico|físico]], e sim em universo simbólico. A linguagem, o mito, a arte e a [[lexico:r:religiao|religião]] são partes integrantes desse universo, são os fios que constituem o tecido simbólico, a intricada trama da experiência humana. Todo progresso no [[lexico:c:campo|campo]] do pensamento e da experiência fortalece e adensa essa rede". De [[lexico:f:fato|fato]], afirma Cassirer, está fora de qualquer [[lexico:d:duvida|dúvida]] que "o homem não se encontra mais diretamente diante da realidade: por assim dizer, ele não pode mais vê-la face a face. A realidade [[lexico:f:fisica|física]] parece retroceder à [[lexico:m:medida|medida]] que a atividade simbólica do homem avança. Ao invés de se defrontar com as próprias [[lexico:c:coisas|coisas]], em certo sentido o homem está continuamente em colóquio consigo mesmo. Ele cercou-se de formas linguísticas, de imagens artísticas, de símbolos míticos e de ritos religiosos a tal [[lexico:p:ponto|ponto]] que não pode mais ver e conhecer nada senão por meio dessa [[lexico:m:mediacao|mediação]] artificial". E a situação é a mesma no campo [[lexico:t:teorico|teórico]] e no campo [[lexico:p:pratico|prático]]. Também no campo prático o homem não vive em um mundo de puros fatos: ele vive muito mais "entre emoções suscitadas pela [[lexico:i:imaginacao|imaginação]], entre medos e esperanças, entre ilusões e desilusões, entre fantasias e sonhos. Como disse Epicteto, ‘aquilo que perturba e agita o homem não são as coisas, senão suas opiniões e fantasias em torno das coisas’ ".