===== FILOSOFIA DA SOCIEDADE ===== Numerosas ciências (a [[lexico:s:sociologia|sociologia]], como [[lexico:c:ciencia|ciência]] das formas e estados sociais; a [[lexico:e:etica-social|ética social]]; a [[lexico:p:pedagogia|pedagogia]], a [[lexico:p:psicologia|psicologia]], etc; as ciências políticas, jurídicas e econômicas) investigam, ordenam e interpretam os fenômenos sociais, cada uma do seu [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista. A [[lexico:f:filosofia-da-sociedade|filosofia da sociedade]] propõe-se interpretar a própria [[lexico:s:sociedade|sociedade]], a [[lexico:v:vida|vida]] [[lexico:s:social|social]] em [[lexico:g:geral|geral]], partindo de seus últimos fundamentos, ou seja, partindo da índole naturalmente social do [[lexico:h:homem|homem]]. Consiste esta índole ou [[lexico:n:natureza|natureza]] unicamente na insuficiência e [[lexico:c:consequente|consequente]] [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de complementação para determinados fins exteriores, ou consiste, antes, na [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de edificar com a [[lexico:r:riqueza|riqueza]] de suas disposições uma. [[lexico:c:comunidade|comunidade]] como [[lexico:t:totalidade|totalidade]] [[lexico:s:superior|superior]] e, na comunidade com outros, lograr seu pleno [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] ? De [[lexico:f:fato|fato]], tudo aquilo que denominamos [[lexico:c:cultura|cultura]] só é realizável mediante o trato espiritual. Segundo a primeira concepção, o social seria simplesmente um suplemento e um recurso do homem; de [[lexico:a:acordo|acordo]] com a segunda, é algo [[lexico:e:essencial|essencial]] ao homem, e, via de [[lexico:r:regra|regra]], só dentro do social se consuma sua verdadeira [[lexico:h:humanidade|humanidade]]. [[lexico:n:nao|Não]] se pretende com isto negar que muitas associações (p. ex., para defesa de interesses) possuam só o [[lexico:c:carater|caráter]] de associações auxiliares," contudo, pelo menos, a [[lexico:f:familia|família]] e o [[lexico:e:estado|Estado]] são indispensáveis para que o homem se realize essencialmente enquanto homem. Existem três possibilidades: 1) Considerar o homem [[lexico:p:perfeito|perfeito]], acabado em [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]], de [[lexico:s:sorte|sorte]] que só por [[lexico:m:motivos|motivos]] de oportunidade seja levado a associar-se (vantagens da [[lexico:d:divisao-do-trabalho|divisão do trabalho]], etc). O [[lexico:i:individuo|indivíduo]] é tudo; a sociedade fica reduzida a um [[lexico:m:meio|meio]] sem [[lexico:v:valor|valor]] [[lexico:p:proprio|próprio]]: [[lexico:i:individualismo|individualismo]]. — 2) Considerar, ao invés, o homem como algo inacabado e dependente, que só enquanto membro da sociedade recebe um [[lexico:s:sentido|sentido]] essencial e um [[lexico:f:fim|fim]] para sua [[lexico:e:existencia|existência]]. A sociedade é tudo, o indivíduo como tal carece de valor, vive e morre exclusivamente para a sociedade e por [[lexico:c:causa|causa]] da comunidade: [[lexico:c:coletivismo|coletivismo]]. — 3) O homem individual possui o valor inadmissível de sua [[lexico:p:personalidade|personalidade]] [[lexico:m:moral|moral]], que não lhe permite [[lexico:s:ser|ser]] jamais [[lexico:s:simples|simples]] meio para um fim, [[lexico:p:puro|puro]] membro de um [[lexico:t:todo|todo]] situado por cima dele. Contudo, o homem não é um ser acabado em si, mas sim dotado de essencial [[lexico:r:relacao|relação]] à comunidade. A comunidade (totalidade) não se contrapõe a seus membros como algo estranho; pelo contrário, não é mais do que a [[lexico:u:uniao|união]] dos mesmos. Estes, com sua substantivi-dade [[lexico:p:pessoal|pessoal]], não podem, nessa união (fundada precisamente em sua [[lexico:c:condicao|condição]] de pessoas), antepor-se nem subordinar-se a si mesmos (enquanto totalidade); antes, o que se verifica é uma relação que, por um lado, vincula cada um dos membros com o todo e, por [[lexico:o:outro|outro]] lado, vincula este todo com cada um de seus membros: [[lexico:s:solidarismo|solidarismo]]. Visto tratar-se da sociedade humana, toda [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] social deve tomar como ponto de partida o homem; e, atendendo a que se procura explicá la por suas últimas razões, deve incluir o homem no [[lexico:n:numero|número]] de seus últimos fundamentos essenciais: a filosofia da sociedade é [[lexico:m:metafisica|metafísica]] ([[lexico:o:ontologia|ontologia]]), mais exatamente [[lexico:a:antropologia|antropologia]]. Quando se diz que o homem, em última [[lexico:i:instancia|instância]], vem de [[lexico:d:deus|Deus]], e que em Deus tem seu fim derradeiro, enuncia-se, em [[lexico:s:suma|suma]], a filosofia da sociedade. Se o homem foi elevado por Deus a uma [[lexico:o:ordem|ordem]] [[lexico:s:sobrenatural|sobrenatural]], com isso se alarga necessariamente o âmbito social; uma filosofia da sociedade, que pretendesse ignorar esta [[lexico:r:realidade|realidade]], mutilaria os fatos, em vez de os [[lexico:e:explicar|explicar]]. — Nell-Breuning.