===== FILOSOFIA DA NATUREZA ===== (in. Philosophy of nature; fr. Philosophie de la nature; al. Naturphilosophie; it. [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] della natura). Esta [[lexico:e:expressao:start|expressão]], diferente da tradicional "[[lexico:f:filosofia-natural:start|filosofia natural]]" que designa a [[lexico:f:fisica:start|física]] ou as ciências naturais em [[lexico:g:geral:start|geral]], foi empregada pela primeira vez por [[lexico:k:kant:start|Kant]] para designar uma [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] nitidamente distinta da [[lexico:c:ciencia:start|ciência]]. Por [[lexico:f:filosofia-da-natureza:start|filosofia da natureza]] ou [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]], Kant entendeu a disciplina que "abarca todos os [[lexico:p:principios:start|princípios]] racionais puros que derivem de [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] [[lexico:s:simples:start|simples]] (portanto com exclusão da [[lexico:m:matematica:start|matemática]]) do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:t:teorico:start|teórico]] de todas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]]" (Crít. R. Pura, Doutr. transc., do [[lexico:m:metodo:start|método]], cap. III). Assim entendida, a filosofia da natureza é uma das duas partes fundamentais da filosofia (a outra é a filosofia [[lexico:m:moral:start|moral]]) e compreende apenas os princípios [[lexico:a:a-priori:start|a priori]] nos quais se baseia o conhecimento da natureza, que são os fundamentos da física e das outras ciências teóricas da natureza, mas [[lexico:n:nao:start|não]] as leis, cuja [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]], na própria natureza, cabe à física (Ibid., cf. Crít. do [[lexico:j:juizo:start|Juízo]], Intr., I). Depois de Kant a expressão filosofia da natureza passou a designar uma disciplina que estuda a natureza, mas não como ciência. Foi desse [[lexico:m:modo:start|modo]] que [[lexico:s:schelling:start|Schelling]] interpretou a filosofia da natureza, dedicando-lhe a maior [[lexico:p:parte:start|parte]] de sua [[lexico:a:atividade:start|atividade]]. Schelling julgava que a ciência baseada na [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] [[lexico:e:experimental:start|experimental]] nunca é realmente ciência. De [[lexico:f:fato:start|fato]], a natureza é a priori, no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de que suas manifestações individuais são determinadas de antemão por sua [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]], ou seja, pela [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de uma natureza em geral (Werke, I. EI, p. 279). Substancialmente, a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] da filosofia da natureza é mostrar que a natureza se resolve no [[lexico:e:espirito:start|espírito]] (System der transzendentalen Idealismus, § 1), e [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] permaneceu inalterado em todas as suas manifestações no séc. XIX; nesse sentido, foi grande a [[lexico:i:influencia:start|influência]] de [[lexico:h:hegel:start|Hegel]], que considerou a filosofia da natureza como uma das três grandes [[lexico:d:divisoes-da-filosofia:start|divisões da filosofia]], sendo as outras duas a [[lexico:l:logica:start|lógica]] e a [[lexico:f:filosofia-do-espirito:start|Filosofia do Espírito]]. A lógica seria o [[lexico:s:sistema:start|sistema]] das determinações puras do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]. A filosofia da natureza e a filosofia do espírito seriam ambas uma lógica aplicada; à filosofia da natureza caberia a tarefa "de levar para a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] as verdadeiras formas do [[lexico:c:conceito:start|conceito]], imanentes nas coisas naturais" (System der Phil., ed. Glockner, I, pp. 87-88). A filosofia da natureza, assim entendida, [[lexico:n:nada:start|nada]] mais é que a manipulação arbitrária de conceitos científicos, extraídos de seus contextos, com o [[lexico:f:fim:start|fim]] de reduzi-los a determinações racionais ou pseudo-racionais; continuou assim inclusive quando quis escapar à formulação idealista e foi tratada do [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista realista, como fez Nicolai [[lexico:h:hartmann:start|Hartmann]]. A Filosofia, da natureza (1950), deste [[lexico:u:ultimo:start|último]], conserva a pretensão de entrever ou reconhecer o [[lexico:v:valor:start|valor]] "metafísico" ou "[[lexico:o:ontologico:start|ontológico]]" dos resultados da ciência. Deveria [[lexico:s:ser:start|ser]] tarefa da filosofia da natureza a [[lexico:a:analise:start|análise]] [[lexico:c:categorial:start|categorial]] dos conceitos científicos. Hartmann afirma que "o pensamento matemático não pode dizer o que são [[lexico:e:extensao:start|extensão]], [[lexico:d:duracao:start|duração]], [[lexico:f:forca:start|força]] e [[lexico:m:massa:start|massa]]. Neste ponto, insere-se a análise categorial: é com os portadores ou substratos da [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]] que se ligam os problemas metafísicos de fundo da filosofia da natureza" (Philosophie der Natur, p. 22). Pode-se dizer que o último e mais restrito conceito de filosofia da natureza foi apresentado pelos componentes do [[lexico:c:circulo-de-viena:start|Círculo de Viena]], nos primórdios do [[lexico:e:empirismo-logico:start|empirismo lógico]]. M. Schlick considerava a filosofia da natureza como a análise do [[lexico:s:significado:start|significado]] das proposições próprias das ciências naturais. "Desse ponto de vista" — dizia ele — "a filosofia da natureza não é uma ciência, mas uma atividade dirigida à consideração do significado das leis de natureza" (Philosophy of Nature, trad. in., 1949, p. 3). Neste conceito há ainda alguns vestígios da filosofia como "[[lexico:v:visao:start|visão]] do [[lexico:m:mundo:start|mundo]]" ou [[lexico:s:sintese:start|síntese]] dos resultados mais gerais das ciências particulares. A [[lexico:m:metodologia:start|metodologia]] contemporânea, ao contrário, tem acentuado cada vez mais a ilegitimidade de extrair as proposições científicas de seus contextos e de encontrar nelas significados que vão muito [[lexico:a:alem:start|além]] do que o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] contexto autoriza. Com essa [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] metodológica, a tarefa da filosofia da natureza é cortada pela [[lexico:r:raiz:start|raiz]]. E tudo aquilo que ela legitimamente compreendia, que eram os problemas concernentes à [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] científica em geral e às linguagens das ciências individuais, as [[lexico:r:relacoes:start|relações]] entre as ciências, o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] [[lexico:c:comparativo:start|comparativo]] de seus métodos, etc, hoje encontra [[lexico:l:lugar:start|lugar]] no seio da metodologia das ciências. Segundo a [[lexico:d:divisao:start|divisão]] usual da filosofia é uma das partes da mesma, ao lado da lógica, da [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] e da metafísica. Muitas vezes foi chamada cosmologia. Desde o [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] e especialização das ciências empíricas, a filosofia da natureza tornou-se [[lexico:p:problematica:start|problemática]], não só nos seus resultados como, também, na sua própria [[lexico:e:existencia:start|existência]] e [[lexico:j:justificacao:start|justificação]] como ciência. Não faltam porém, na [[lexico:a:atualidade:start|atualidade]], estudiosos que trataram de fundamentar uma nova filosofia da natureza, harmonizada com os resultados das ciências empíricas, especialmente com a ideia da [[lexico:e:evolucao:start|evolução]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}