===== FILOSOFIA DA ESSÊNCIA ===== A [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]] constitui a segunda grande corrente filosófica que, em [[lexico:u:uniao|união]] com a [[lexico:f:filosofia-da-vida|filosofia da vida]], mas sob auspícios totalmente diferentes, provocou a [[lexico:r:ruptura|ruptura]] com o século XIX. Falando com maior exatidão, ela [[lexico:n:nao|não]] é mais do que uma das duas tendências do mesmo [[lexico:t:tipo|tipo]], derivadas da doutrina de Franz [[lexico:b:brentano|Brentano]] (1838-1917). A outra [[lexico:t:tendencia|tendência]] é representada por Alexius [[lexico:m:meinong|Meinong]] (1853-1921), ao qual aderiram Alois Höfler (1853-1922) e Christian Ehrenfels (1850-1932). Elaboraram estes uma [[lexico:t:teoria-do-objeto|teoria do objeto]] ([[lexico:g:gegenstandstheorie|Gegenstandstheorie]]) que, em muitos aspectos, se assemelha à fenomenologia. A fenomenologia, incomparavelmente mais importante, foi fundada por Edmund [[lexico:h:husserl|Husserl]], (1859-1938), que foi seguido por uma grande [[lexico:e:escola|escola]] que conta eminentes representantes, primeiro na Alemanha, mais [[lexico:t:tarde|Tarde]] no [[lexico:m:mundo|mundo]] inteiro. Importa sublinhar dois traços fundamentais da fenomenologia. Em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]], ela é um [[lexico:m:metodo|método]] que consiste em descrever o [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]], isto é, [[lexico:o:o-que-e|o que é]] [[lexico:d:dado|dado]] imediatamente. A fenomenologia enquanto tal abstrai das ciências da [[lexico:n:natureza|natureza]] e opõe-se, portanto, ao [[lexico:e:empirismo|empirismo]]; renuncia também — e nisto opõe-se ao [[lexico:i:idealismo|Idealismo]] — a tomar como [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida uma [[lexico:t:teoria|teoria]] ão [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]. Por onde vemos que, como método, aparta-se radicalmente de todos os rasgos [[lexico:d:dominantes|dominantes]] no século XIX. Por [[lexico:o:outro|outro]] lado, seu [[lexico:o:objeto|objeto]] é a [[lexico:e:essencia|essência]], ou seja, o conteúdo [[lexico:i:inteligivel|inteligível]] [[lexico:i:ideal|ideal]] dos fenômenos, captado em [[lexico:v:visao|visão]] imediata: a [[lexico:i:intuicao|intuição]] da essência (Wesensschau). Também por isto está em [[lexico:o:oposicao|oposição]] com a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] do século XIX, a qual não reconhece nem um [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:e:essencial|essencial]] em si subsistente, nem a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de um conhecimento das [[lexico:e:essencias|essências]]. Mais tarde, Husserl elaborou uma teoria que o leva a abeirar-se do [[lexico:n:neokantismo|neokantismo]]. Mas a escola, em seu conjunto, não o seguiu nesse [[lexico:c:caminho|caminho]]. Tanto a fenomenologia como a teoria do objeto têm grande [[lexico:p:parte|parte]] no [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] do novo [[lexico:r:realismo|realismo]] (Moore), da [[lexico:f:filosofia-da-existencia|filosofia da existência]] ([[lexico:h:heidegger|Heidegger]]) e da [[lexico:m:metafisica|metafísica]] (N. [[lexico:h:hartmann|Hartmann]]). Citemos, entre os fenomenólogos, Alexander Pfander (1870-1941), Oskar Becker (1889-1964), Roman Ingarden (1893-1970), H. Conrad-Martius, Moritz Geiger (1880-1937), [[lexico:e:edith-stein|Edith Stein]] (1891-1942), que entrou na [[lexico:o:ordem|ordem]] das Carmelitas e morreu num [[lexico:c:campo|campo]] de concentração nazista, e Adolph Reinach (1883-1916). Entre os fenomenólogos que atuam em França, importa mencionar, sobretudo, A. Koyré e E. [[lexico:l:levinas|Levinas]]. A [[lexico:a:america|América]] possui em Marvin Farber um dos mais eminentes representantes e propagandistas da fenomenologia. Contudo, nenhum se pode [[lexico:c:comparar|comparar]] a Max [[lexico:s:scheler|Scheler]] (1874-1928), que é o pensador mais original e mais influente do [[lexico:g:grupo|grupo]], a par de Husserl. Cabe salientar que a [[lexico:o:obra|obra]] principal de R. Ingarden, A [[lexico:l:luta|luta]] pela [[lexico:e:existencia|existência]] do mundo (até ao presente dois volumes, 1946-48), é uma das mais importantes publicações filosóficas da [[lexico:a:atualidade|atualidade]]. Infelizmente não podemos apresentá-la aqui, nem mesmo incluí-la, sem mais, na filosofia europeia contemporânea, porque só está [[lexico:e:escrita|escrita]] em polonês, [[lexico:l:lingua|língua]] inacessível à maior parte dos filósofos europeus. Citamo-la aqui unicamente em [[lexico:s:sinal|sinal]] de protesto contra o [[lexico:c:costume|costume]] deplorável, mas muito espalhado, de publicar trabalhos estritamente filosóficos Cem idiomas nacionais somente acessíveis a um [[lexico:c:circulo|círculo]] mais ou menos [[lexico:i:ilimitado|ilimitado]] de leitores, circunstância que se agrava no caso de línguas como o finlandês, o polonês e o holandês. Deveria tomar-se a [[lexico:d:decisao|decisão]] de publicar todas as obras desta [[lexico:e:especie|espécie]] numa só língua, que, na [[lexico:s:situacao|situação]] [[lexico:a:atual|atual]], seria, de preferência, o inglês. Um [[lexico:e:estudo|estudo]] sério da filosofia pressupõe, aliás, o conhecimento do [[lexico:g:grego|grego]] e do latim; se acrescentarmos a estas duas as três principais línguas europeias, temos um total de cinco línguas que os filósofos devem aprender, e não vemos [[lexico:r:razao|razão]] pela qual esta lista não deva continuar ad infinitum.