===== FILOSOFIA DA AÇÃO ===== (in. Philosophy of Action; fr. Philosophie de l’action; it. [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] dell’azione). Com [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:n:nome:start|nome]] indicam-se algumas manifestações da filosofia contemporânea, caracterizadas pela [[lexico:c:crenca:start|crença]] de que a [[lexico:a:acao:start|ação]] constitui o [[lexico:c:caminho:start|caminho]] mais direto para conhecer o [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] ou o [[lexico:m:modo:start|modo]] mais seguro de possuí-lo. Trata-se de uma filosofia de [[lexico:o:origem:start|origem]] romântica: o [[lexico:m:moralismo:start|moralismo]] de [[lexico:f:fichte:start|Fichte]] fundava-se na superioridade [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] da ação (V. moralismo). O [[lexico:p:primado:start|primado]] da [[lexico:r:razao-pratica:start|razão prática]], de que [[lexico:k:kant:start|Kant]] falara, [[lexico:n:nao:start|não]] tinha [[lexico:s:significado:start|significado]] fora do domínio [[lexico:m:moral:start|moral]]; mas com Fichte esse primado significa que só na ação o [[lexico:h:homem:start|homem]] se identifica com o [[lexico:e:eu:start|eu]] [[lexico:i:infinito:start|infinito]]. O [[lexico:s:simbolo:start|símbolo]] da [[lexico:f:filosofia-da-acao:start|filosofia da ação]] pode [[lexico:s:ser:start|ser]] expresso na [[lexico:f:frase:start|frase]] de Fausto, na [[lexico:o:obra:start|obra]] de [[lexico:g:goethe:start|Goethe]], que propunha traduzir In principio erat Verbum do IV Evangelho por "No [[lexico:p:principio:start|princípio]] era a ação". Foi com esses pressupostos românticos que a filosofia da ação se vinculou; na França, através de Ollé-Laprune (1830-99) e de [[lexico:b:blondel:start|Blondel]] (1861-1949), assumiu [[lexico:f:forma:start|forma]] religiosa: para ela a ação é o núcleo [[lexico:e:essencial:start|essencial]] do homem e só uma [[lexico:a:analise:start|análise]] da ação pode mostrar as necessidades e as deficiências do homem, assim como sua [[lexico:a:aspiracao:start|aspiração]] ao infinito, que, por sua vez, só pode ser satisfeita pela ação gratuita e misericordiosa de [[lexico:d:deus:start|Deus]]. A supremacia da ação era transferida por George Sorel (1847-1922) do domínio [[lexico:r:religioso:start|religioso]] para o [[lexico:s:social:start|social]] e [[lexico:p:politico:start|político]]. Aqui a ação se desembaraçava de toda [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] factual ou [[lexico:r:racional:start|racional]] e era reconhecida como capaz de [[lexico:c:criar:start|criar]] [[lexico:p:por-si:start|por si]], com o [[lexico:m:mito:start|mito]], a sua própria [[lexico:j:justificacao:start|justificação]] (Réflexions sur la violence, 1906). A crença de que a ação possa produzir por si só as condições do seu êxito e por si só justificar-se de modo absoluto, constitui o [[lexico:a:ativismo:start|ativismo]] [[lexico:p:proprio:start|próprio]] de algumas correntes filosóficas e políticas contemporâneas. Por uma das não raras ironias da [[lexico:h:historia:start|história]] do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], justamente uma das correntes que pertencem à filosofia da ação deveria levar a [[lexico:n:nocao:start|noção]] de ação até seus limites máximos e encaminhá-la para uma nova fase interpretativa. Essa corrente é o [[lexico:p:pragmatismo:start|pragmatismo]]. Se, num primeiro [[lexico:m:momento:start|momento]], William [[lexico:j:james:start|James]] declara que a ação é a [[lexico:m:medida:start|medida]] da [[lexico:v:verdade:start|verdade]] do conhecer e, portanto, considera-a capaz de justificar proposições morais e religiosas teoricamente injustificáveis, as análises empiristas de James e, melhor ainda, as de [[lexico:d:dewey:start|Dewey]] deveriam evidenciar o [[lexico:c:condicionamento:start|condicionamento]] da ação por [[lexico:p:parte:start|parte]] das circunstâncias que a provocam, sua [[lexico:r:relacao:start|relação]] com a [[lexico:s:situacao:start|situação]] que constitui seu [[lexico:e:estimulo:start|estímulo]] e, daí, os limites da sua [[lexico:e:eficiencia:start|eficiência]] e da sua [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]]. Mas, desse [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista, a ação deixa de [[lexico:e:estar:start|estar]] ligada unicamente ao [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] e de encontrar unicamente nele ou na [[lexico:a:atividade:start|atividade]] dele ([[lexico:v:vontade:start|vontade]]) o seu princípio. Perde a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de consumar-se e de exaurir-se no próprio sujeito; e torna-se um [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]], cuja análise deve prescindir da [[lexico:d:divisao:start|divisão]] das [[lexico:f:faculdades:start|faculdades]] ou dos poderes da [[lexico:a:alma:start|alma]], enquanto deve [[lexico:t:ter:start|ter]] presente a situação ou o [[lexico:e:estado:start|Estado]] de [[lexico:c:coisas:start|coisas]] a que deve adequar-se (V. ação; comportamento). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}