===== FILOSOFIA CRISTÃ ===== toda [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] inspirada pelo cristianismo. — Uma filosofia [[lexico:n:nao:start|não]] é cristã porque fale do cristianismo e procure justificá-lo, mas porque pense a partir de uma [[lexico:c:crenca:start|crença]] fundamental no ensinamento de Cristo (v. [[lexico:f:filosofia-crista:start|filosofia cristã]] de E. Gilson). É portanto a coloração de uma filosofia, o [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] original que a inspira e em torno do qual se desenvolve, que pode caracterizar uma "filosofia cristã", muito mais do que o conteúdo de suas afirmações, que pode [[lexico:s:ser:start|ser]] conforme os dogmas ou, pelo contrário, pode contradizê-los. O [[lexico:p:problema:start|problema]] da filosofia cristã é debatido, porque, por um lado, a filosofia, em [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] à [[lexico:t:teologia:start|teologia]], designa, por sua mesma [[lexico:e:essencia:start|essência]], um [[lexico:s:saber:start|saber]] fundamentado em argumentos da [[lexico:r:razao:start|razão]] humana, não na [[lexico:r:revelacao:start|revelação]] divina; e, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, determinadas formas históricas do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], às quais sem vacilar se costuma dar o [[lexico:n:nome:start|nome]] de "filosofia" — tais como a [[lexico:f:filosofia-patristica:start|filosofia patrística]] e a [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]] medieval e pós-medieval, não se compreendem sem admitir nelas uma profunda [[lexico:i:influencia:start|influência]] da [[lexico:f:fe:start|fé]] cristã. Alguns pensadores católicos (Mandonnet, Manser) procuram subtrair-se à dificuldade, negando à "filosofia" dos Padres da Igreja e à escolástica primitiva o [[lexico:c:carater:start|caráter]] de filosofia propriamente dita e considerando o [[lexico:a:aristotelismo:start|aristotelismo]] escolástico como uma filosofia de [[lexico:n:natureza:start|natureza]] puramente [[lexico:r:racional:start|racional]], [[lexico:i:independente:start|independente]] da revelação; segundo eles, a [[lexico:n:nocao:start|noção]] "filosofia cristã" incluiria, na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], uma [[lexico:c:contradicao:start|contradição]] interna; todavia [[lexico:s:semelhante:start|semelhante]] concepção não faz plena [[lexico:j:justica:start|justiça]] à realidade histórica. Outros inclinam-se, de preferência, a abandonar a noção usual de filosofia, como sendo demasiado racionalística, e a apresentar um "filosofar a partir da fé" como a única [[lexico:f:forma:start|forma]] [[lexico:p:possivel:start|possível]] de filosofia para o cristão; este [[lexico:m:modo:start|modo]] de [[lexico:p:pensar:start|pensar]] parece mover-se nas cercanias do [[lexico:t:tradicionalismo:start|tradicionalismo]]. [[lexico:m:maritain:start|Maritain]] exige, ao menos para a filosofia [[lexico:m:moral:start|moral]], que se tomem, como [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida, [[lexico:p:principios:start|princípios]] tomados da revelação. Para resolver o problema, precisamos distinguir entre o [[lexico:c:conceito:start|conceito]] [[lexico:g:geral:start|geral]] de filosofia e as formas históricas concretas de sua realização; o conceito de filosofia, enquanto tal, [[lexico:n:nada:start|nada]] tem que [[lexico:v:ver:start|ver]] com a "cristandade"; a [[lexico:q:questao:start|questão]] refere-se, portanto, só a determinadas formas históricas da filosofia, como a [[lexico:p:patristica:start|patrística]] e a escolástica. Nestas convém ainda distinguir entre a fundamentação [[lexico:l:logica:start|lógica]] ([[lexico:d:demonstracao:start|demonstração]]) de seus conteúdos doutrinais e a influência, o [[lexico:e:estimulo:start|estímulo]] e o fomento psicológicos que o pensamento recebe de tudo quanto influi na [[lexico:a:alma:start|alma]] do [[lexico:f:filosofo:start|filósofo]]. Para que se possa [[lexico:f:falar:start|falar]] de filosofia (não de teologia), exige-se que a fundamentação lógica estribe unicamente em proposições e objetos acessíveis à razão [[lexico:n:natural:start|natural]]; a partir de proposições de fé enquanto tais deixaria de ser filosofia. Mas isso não exclui que a fé cristã ajude psicologicamente de diversas maneiras, p. ex., estimulando a empostação de novas questões, insinuando novas tentativas de solução filosófica, facilitando a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] de verdades supra-sensíveis, mediante a [[lexico:f:formacao:start|formação]] de [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] "análogos". Sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]], a fé cristã influiu também por esta forma na filosofia escolástica. Neste [[lexico:s:sentido:start|sentido]], a [[lexico:e:expressao:start|expressão]] "filosofia cristã" tem plena [[lexico:j:justificacao:start|justificação]]. Daqui se infere que não podemos negar a uma doutrina o genuíno caráter filosófico, só porque ela foi professada unicamente por pensadores cristãos e permaneceu oculta aos maiores filósofos alheios ao cristianismo. Pense-se, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], na doutrina da [[lexico:c:criacao:start|criação]]. — De Vries. se a filosofia de [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], retomada e aprofundada por [[lexico:s:santo:start|santo]] Tomás e sua [[lexico:e:escola:start|escola]], pode, com razão, ser chamada a Filosofia cristã, porque a Igreja não cansa de recomendá-la como a única verdadeira e porque está de [[lexico:p:perfeito:start|perfeito]] [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com as verdades da fé, aqui, entretanto, propomo-la ao leitor não porque é cristã, mas por ser demonstrativamente verdadeira. A conveniência desta filosofia, fundada por um pagão com os dogmas revelados, é sem dúvida um [[lexico:s:sinal:start|sinal]] [[lexico:e:exterior:start|exterior]], uma [[lexico:g:garantia:start|garantia]] extrafilosófica de sua [[lexico:v:veracidade:start|veracidade]]; não é dessa conformidade com a Fé que ela tira sua [[lexico:a:autoridade:start|autoridade]] de Filosofia, mas da própria [[lexico:e:evidencia:start|evidência]] racional que possui. Contudo, a razão e a fé, embora distintas, não estão separadas, e, uma vez que nos dirigimos principalmente a leitores cristãos, achamo-nos com [[lexico:d:direito:start|direito]] de fazer alusão, algumas vezes, seja aos conhecimentos familiares ao católico em geral, seja a certas aplicações teológicas dos princípios filosóficos, a [[lexico:f:fim:start|fim]] de ajudá-los a manter o pensamento na [[lexico:u:unidade:start|unidade]] e a situar melhor a filosofia no [[lexico:e:espirito:start|espírito]]. Convém notar que, em nossas demonstrações e na própria [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] de nossa [[lexico:e:exposicao:start|exposição]] filosófica, não é a fé, é a razão e só a razão, que desempenha [[lexico:t:todo:start|todo]] o papel e toda a autoridade. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}