===== FILOSOFIA ANALÍTICA ===== Após a [[lexico:g:guerra:start|guerra]], a doutrina neopositivista continuou evoluindo no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] traçado por [[lexico:r:reichenbach:start|Reichenbach]]. Fala-se hoje de uma "[[lexico:f:filosofia-analitica:start|filosofia analítica]]", oriunda, por um lado, da doutrina de Moore e, por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, das [[lexico:i:ideias:start|ideias]] neopositivistas. Podem distinguir-se, dentro desta [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] [[lexico:a:analitica:start|analítica]], várias direções: 1) Os carnapianos que, prolongando a última fase de Carnap, empenham-se em estabelecer uma [[lexico:d:definicao:start|definição]] exata dos [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] fundamentais das ciências no quadro de uma [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] idealmente formalizada. 2) A [[lexico:e:escola:start|escola]] de G. E. Moore, ao invés, toma como base a linguagem quotidiana e propugna, com seu fundador, que a coincidência com o sentido comum é a primeira [[lexico:c:condicao:start|condição]] de uma [[lexico:a:analise:start|análise]] cientificamente correta. 3) Os "wittgensteinianos terapêuticos" consideram a filosofia uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de tratamento terapêutico [[lexico:l:logico:start|lógico]] dos pseudoproblemas, tratamento que deve [[lexico:s:ser:start|ser]] feito num sentido rigorosamente neopositivista. 4) Os dialéticos (cf. pág. 122). 5) Por vezes, é [[lexico:c:costume:start|costume]] considerar como representantes da "filosofia analítica" também filósofos independentes ou pertencentes a direções distintas da positivista, mas que se entregam à análise minuciosa dos conceitos e processos da [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] e da filosofia, valendo-se principalmente da ajuda da [[lexico:l:logica-matematica:start|lógica matemática]]. Mas tais pensadores e os "dialéticos" [[lexico:n:nao:start|não]] pertencem mais ao [[lexico:g:grupo:start|grupo]] dos filósofos da [[lexico:m:materia:start|matéria]]; só a [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]] do [[lexico:m:metodo:start|método]] os reúne aos representantes da "filosofia analítica". A mais recente [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] — que se verificou quase exclusivamente nos Estados Unidos — levou a abandonar o [[lexico:p:principio:start|princípio]] de [[lexico:v:verificacao:start|verificação]], o [[lexico:f:fenomenalismo:start|fenomenalismo]] e até o [[lexico:n:nominalismo:start|nominalismo]] e o [[lexico:f:fisicalismo:start|fisicalismo]]. [[lexico:a:alem:start|Além]] disso, [[lexico:t:todo:start|todo]] o [[lexico:m:movimento:start|movimento]] se achegou visivelmente ao [[lexico:p:pragmatismo:start|pragmatismo]]. O “[[lexico:e:espirito:start|espírito]] do [[lexico:t:tempo:start|tempo]]” inclui ainda a empáfia, na maioria dos casos nonchalante, ou simplesmente condescendente (na [[lexico:l:lingua:start|língua]] do Império, patronising), de uma variedade muito influente de contra ou antifilosofia, conhecida como “filosofia analítica”. A Filosofia Analítica se caracteriza, por um lado, por pressupor, acima da [[lexico:a:autoridade:start|autoridade]] da Filosofia, a autoridade da Ciência “dura” (seja a [[lexico:l:logica:start|Lógica]] e a [[lexico:m:matematica:start|Matemática]], seja a [[lexico:f:fisica:start|Física]] e a [[lexico:b:biologia:start|biologia]]); e, por outro lado, por pressupor a autoridade do [[lexico:s:senso-comum:start|senso comum]], que, longe de questionar, de [[lexico:f:fato:start|fato]] procura, em “última análise”, “racionalizar”. A [[lexico:i:ideologia:start|ideologia]] contrafilosófica da “filosofia analítica” tem-se expressado, historicamente, com a mesma arrogância do cientificismo, traindo com demasiada frequência seu desprezo pelos que não compartilham daquilo que não hesito em qualificar de sua cegueira para os verdadeiros problemas filosóficos. Os “[[lexico:a:analiticos:start|analíticos]]” são tão “niilistas” quanto qualquer “pós-moderno”: sua [[lexico:a:atitude:start|atitude]] ontologicamente “deflacionária” se expressa emblematicamente pela [[lexico:f:frase:start|frase]]: “As a matter offact, for all practical purposes, there’s no fact of the matter”. (“De fato, para todos os propósitos práticos, não há [[lexico:n:nada:start|nada]] que corresponda a [[lexico:e:esse:start|esse]] assunto”.) Embora não haja nada de intrinsecamente errado em argumentar hipotético-dedutivamente, inclusive complementando a [[lexico:a:argumentacao:start|argumentação]] com “experimentos de [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]”, nada de errado em usar a “[[lexico:n:navalha-de-ockham:start|navalha de ockham]]”, e reduzir ao [[lexico:a:absurdo:start|absurdo]] a [[lexico:t:tese:start|tese]] adversária, o [[lexico:u:uso:start|uso]] obsessivo e exclusivo desses expedientes, numa suposta, e subserviente “[[lexico:i:imitacao:start|imitação]] da ciência”, é um abuso que tem levado a “análise” à esterilidade. Por isso, dentre outras [[lexico:c:coisas:start|coisas]], não considero os “filósofos analíticos” típicos como autênticos filósofos. São cientificistas disfarçados de filósofos. [FERNANDES, Sérgio L. de C.. Ser Humano. Um ensaio em antropologia filosófica. Rio de Janeiro: Editora Mukharajj, 2005, p. 20-21] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}