===== FILOSOFIA ===== Significa etimologicamente [[lexico:a:amor|amor]] da [[lexico:s:sabedoria|sabedoria]]. Com isso pretende-se dar a entender que o [[lexico:h:homem|homem]] nunca possui plenamente a [[lexico:c:compreensao|compreensão]] definitivamente válida de tudo o que se designa sabedoria, mas [[lexico:l:luta|luta]] sempre ansiosamente por atingir [[lexico:e:esse|esse]] alvo. Quanto ao conteúdo [[lexico:r:real|real]], filosofia denota o [[lexico:s:saber|saber]] da [[lexico:r:razao|razão]] humana, a qual, penetrando até às últimas razões, investiga a [[lexico:r:realidade|realidade]] global, especialmente o [[lexico:s:ser|ser]] e o [[lexico:d:dever|dever]] próprios do homem. Uma certa compreensão de [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] e do [[lexico:u:universo|universo]] [[lexico:a:anima|anima]] de [[lexico:c:continuo|contínuo]] a [[lexico:a:acao|ação]] do homem adulto. Esta espontânea [[lexico:o:orientacao|orientação]] da existín-cia constitui sua filosofia pré-científica, a qual ostenta um cunho instintivo e [[lexico:s:sentimental|sentimental]], mas nem por isso brota menos de um [[lexico:p:pensamento|pensamento]] que, enquadrado na conexão total da [[lexico:v:vida|vida]], [[lexico:n:nao|não]] se isola nem formula enquanto tal. Para [[lexico:a:alem|além]] desse [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]], o homem, em todos os séculos, tem-se [[lexico:s:sentido|sentido]] impelido para um saber seguro, [[lexico:s:sistematico|sistemático]], pormenorizado e mentalmente esclarecido, do real, precisamente para a filosofia científica. Sua missão pode ser nitidamente delineada, se a opusermos às demais ciências. Do mesmo [[lexico:m:modo|modo]] que estas, a filosofia é um saber pelas [[lexico:c:causas|causas]], mas de [[lexico:e:especie|espécie]] muito peculiar. As restantes ciências são ciências particulares, porque se circunscrevem a uma parcela da realidade e só pesquisam as causas últimas dentro desse sector (portanto são relativas). A filosofia, pelo contrário, é [[lexico:c:ciencia|ciência]] [[lexico:u:universal|universal]], visto que abarca a [[lexico:t:totalidade|totalidade]] do real e, por isso mesmo, penetra até às suas razões últimas, ou seja até às causas absolutamente últimas. — O [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida mais íntimo da filosofia é a ação humana, a só [[lexico:c:coisa|coisa]] imediatamente dada ao homem, na qual se lhe revela o seu [[lexico:e:eu|eu]] e tudo o mais. Encarada deste ponto de vista, a filosofia toda apresenta-se como [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] daquela ação humana levada até suas mais profundas raízes. Em sentido mais amplo, é ponto de partida do filosofar [[lexico:t:todo|todo]] e qualquer saber acerca do real, que preceda a filosofia, não só o implicado na vida cotidiana e na [[lexico:c:criacao|criação]] cultural, como também o subministrado pelas demais ciências. Se estas servem à filosofia, esta, por sua vez, lhes presta serviço, enquanto aclara e assegura as bases últimas delas. Acerca do [[lexico:m:metodo|método]] da filosofia, diremos somente que ela procura interpretar o [[lexico:m:mundo|mundo]], ao qual o homem também pertence, por [[lexico:m:meio|meio]] da razão humana, e sob este [[lexico:a:aspecto|aspecto]] pode ser considerada como ciência do mundo. Em frente dela, ergue-se a ciência que tem [[lexico:d:deus|Deus]] por [[lexico:o:objeto|objeto]] ou [[lexico:t:teologia|teologia]], a qual, apoiada na [[lexico:r:revelacao|revelação]] divina, se ocupa de Deus e de sua ação no mundo. O [[lexico:f:fato|fato]] de a filosofia ser [[lexico:o:obra|obra]] da razão não significa que ela fique à mercê de um [[lexico:r:racionalismo|racionalismo]] hostil à vida; pois que a própria razão é um [[lexico:e:elemento|elemento]] da vida humana e está em intercâmbio [[lexico:o:organico|orgânico]] com os outros [[lexico:e:elementos|elementos]] desta. Pelo que, a filosofia não só satisfaz a [[lexico:t:tendencia|tendência]] do [[lexico:e:espirito|espírito]] para a [[lexico:v:verdade|verdade]], como também aclara, complementa e consolida a orientação da vida do homem, pela qual, por seu turno, ela é orientada e defendida contra loucos devaneios. — Tal filosofia nunca pode ser obra exclusiva do [[lexico:i:individuo|indivíduo]], que cede com demasiada facilidade às contingências do seu eu e do seu [[lexico:t:tempo|tempo]] e, de [[lexico:a:acordo|acordo]] com isso posterga a realidade. Só o [[lexico:d:dialogo|diálogo]], a um tempo, respeitoso e crítico, com a [[lexico:t:tradicao|tradição]] filosófica da [[lexico:h:humanidade|humanidade]] conduz à verdade integral, porque as eternas perguntas encontram eternas respostas que perduram através de todas as épocas e opiniões, formando uma [[lexico:p:philosophia|philosophia]] perennis. Não se trata contudo de uma [[lexico:f:fe|fé]] cega na [[lexico:a:autoridade|autoridade]] dos grandes pensadores, nem de uma aceitação rígida de suas fórmulas; pelo contrário, cada [[lexico:e:epoca|época]] tem de propor de novo os problemas eternos e de tentar dar-lhes uma solução. No que tange à [[lexico:d:divisao-da-filosofia|divisão da filosofia]], distinguimos com S. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], as ordens do ser, que a razão encontra perante si, e as ordens do operar, que ela fundamenta. Dentro do primeiro domínio, estuda a razão, enquanto descobridora do ser: ([[lexico:t:teoria-do-conhecimento|teoria do conhecimento]]). No [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:e:ente|ente]] penetra a [[lexico:m:metafisica|metafísica]]. Como metafísica [[lexico:g:geral|geral]], desenvolve as questões relativas a todo ente em geral, quer se refiram à sua [[lexico:e:estrutura|estrutura]] interna (ciências do ser ou [[lexico:o:ontologia|ontologia]]), quer se refiram à sua [[lexico:o:origem|origem]] primeira (ciência de Deus ou teologia [[lexico:n:natural|natural]]). Como metafísica especial, aplica os conhecimentos adquiridos aos círculos fundamentais do criado, dilucidando a [[lexico:n:natureza|natureza]] ([[lexico:f:filosofia-natural|filosofia natural]] ou cosmologia) e o espírito que, se nos depara só como [[lexico:a:alma|alma]] humana (filosofia da alma ou [[lexico:p:psicologia|psicologia]]). De ambas deriva a ciência filosófica do homem ([[lexico:a:antropologia|antropologia]]). — O segundo domínio estrutura-se de acordo com os modos de operar. A [[lexico:l:logica|lógica]] estuda a maneira reta e exata de [[lexico:p:pensar|pensar]]; a [[lexico:e:etica|ética]] e a [[lexico:f:filosofia-da-religiao|filosofia da religião]] (filosofia da [[lexico:r:religiao|religião]]), a [[lexico:b:bondade|bondade]] da [[lexico:o:operacao|operação]] interna, que aperfeiçoa o homem total; a [[lexico:f:filosofia-da-cultura|filosofia da cultura]] (filosofia da [[lexico:c:cultura|cultura]]), em seus vários ramos, considera a obra da criação externa, que desenvolve diversas atuações parciais. — Com os mencionados domínios não coincide inteiramente a [[lexico:d:dualidade|dualidade]] de filosofia [[lexico:t:teoretica|teorética]] [[lexico:t:theorein|theorein]] contemplar) ou especulativa e prática prattein fazer). A primeira abrange tudo quanto se refere ao saber, incluindo a lógica; a segunda, somente o operar propriamente [[lexico:d:dito|dito]], enquanto é mais do que saber. — Lotz.