===== FILHO ===== Enquanto dura o seu fascínio, o [[lexico:u:unico|único]] espaço-entre que pode inserir-se entre duas pessoas que se amam é o filho, o [[lexico:p:produto|produto]] do [[lexico:a:amor|amor]]. O filho, [[lexico:e:esse|esse]] espaço-entre com o qual [[lexico:a:agora|agora]] os amantes passam a relacionar-se e que possuem em comum, representa o [[lexico:m:mundo|mundo]], na [[lexico:m:medida|medida]] em que também os separa; é uma indicação de que inserirão um novo mundo no mundo existente. do amor [[lexico:n:nao|não]] é o mesmo que a fertilidade, na qual se baseia a maioria dos mitos da [[lexico:c:criacao|criação]]. A seguinte [[lexico:f:fabula|fábula]] mitológica vai, ao contrário, buscar suas imagens claramente na [[lexico:e:experiencia|experiência]] do amor: o [[lexico:c:ceu|céu]] é visto como imensa deusa que ainda se debruça sobre o [[lexico:d:deus|Deus]] [[lexico:t:terra|Terra]], do qual está sendo separada pelo deus [[lexico:a:ar|ar]], que nasceu entre eles e que agora começa a erguê-la. Assim, passa a haver um [[lexico:e:espaco|espaço]] [[lexico:m:mundano|mundano]] [[lexico:c:composto|composto]] de ar, que se insinua entre a terra e o céu. Conferir H. A. Frankfort, The intellectual adventure of ancient [[lexico:m:man|Man]] (Chicago, 1946), p. 18, e Mircea Eliade, Traité d’histoire des religions (Paris, 1953), p. 212.] É [[lexico:c:como-se|como se]], por [[lexico:m:meio|meio]] do filho, os amantes retornassem ao mundo do qual o amor os expulsou. Mas essa nova mundanidade, o resultado [[lexico:p:possivel|possível]] e o único final possivelmente feliz de um caso de amor, é, de certa [[lexico:f:forma|forma]], o [[lexico:f:fim|fim]] do amor, que terá de dominar novamente os parceiros ou [[lexico:s:ser|ser]] transformado em outra [[lexico:m:modalidade|modalidade]] de pertencimento. [ArendtCH:C33]