===== FERREIRA DA SILVA ===== Vicente [[lexico:f:ferreira-da-silva:start|Ferreira da Silva]] nasceu na [[lexico:c:cidade:start|cidade]] de São Paulo, a 10 de janeiro de 1916. Fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, ingressando a seguir na [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] de [[lexico:d:direito:start|direito]] da Universidade de São Paulo. Porém, a [[lexico:p:principio:start|princípio]], [[lexico:n:nao:start|não]] o direito, mas a [[lexico:m:matematica:start|matemática]] é que o seduziu. Tanto que em 1933 já havia se aproximado do grande matemático italiano Fantappié, então professor em São Paulo. Torna-se logo um dos primeiros leitores dos [[lexico:p:principia-mathematica:start|Principia Mathematica]] de [[lexico:r:russell:start|Russell]] e Whitehead, e, com a publicação de seu primeiro livro, [[lexico:e:elementos:start|elementos]] de [[lexico:l:logica-matematica:start|Lógica Matemática]], em 1940, o primeiro a introduzir a [[lexico:l:logica:start|lógica]] matemática no Brasil. Com a vinda, em 1942, do [[lexico:l:logico:start|lógico]] Orman Quine, da Universidade Harvard, Vicente é convidado para [[lexico:s:ser:start|ser]] seu assistente. Mas o contato com a [[lexico:f:filosofia-alema:start|filosofia alemã]] promove uma guinada em seu [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], que o aproxima cada vez mais das reflexões de cunho [[lexico:e:existencial:start|existencial]] e conscienciológico, que tomam [[lexico:c:corpo:start|corpo]] em seu segundo livro, [[lexico:e:ensaios:start|Ensaios]] Filosóficos (1948), [[lexico:b:bem:start|Bem]] acolhido pela [[lexico:c:critica:start|crítica]] e que, segundo José Geraldo Vieira, colocava Vicente como a maior [[lexico:v:vocacao:start|vocação]] filosófica brasileira desde Farias Brito. Nesse mesmo ano, estabelece contato com o Colégio Libre de Estúdios Superiores, na Argentina, que lhe inspira a [[lexico:c:criacao:start|criação]] do Colégio Livre de Estudos Superiores, em São Paulo, um dos mais importantes centros livres de conferências e (poucos lembram disso) um dos germes do [[lexico:f:futuro:start|futuro]] ISEB (Instituto [[lexico:s:superior:start|superior]] de Estudos Brasileiros), no Rio de Janeiro. Pensador filosoficamente solitário, mas incansável [[lexico:i:interlocutor:start|interlocutor]], Vicente não só estabelecia [[lexico:c:correspondencia:start|correspondência]] com pensadores brasileiros e estrangeiros das mais diversas correntes e [[lexico:i:ideologias:start|ideologias]], como promovia condições para a vinda destes a São Paulo. Dentre eles, alguns dos principais nomes do pensamento contemporâneo, como Von Rintelen, Bagolini, Grassi, [[lexico:g:gabriel-marcel:start|Gabriel Marcel]]. Isso para não [[lexico:f:falar:start|falar]] dos [[lexico:d:dialogos:start|diálogos]] infinitos com intelectuais amigos, como Vilém [[lexico:f:flusser:start|Flusser]], [[lexico:e:eudoro-de-sousa:start|Eudoro de Sousa]], [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]] da Silva, Miguel [[lexico:r:reale:start|Reale]], Hélio Jaguaribe, Guimarães Rosa, Renato Cirell Czerna. Paralelamente, desenvolveu uma [[lexico:a:atividade:start|atividade]] importante que o aproxima da [[lexico:p:pedagogia:start|pedagogia]] filosófica de [[lexico:o:ortega-y-gasset:start|Ortega y Gasset]]: o jornalismo. O seu debate filosófico [[lexico:p:publico:start|público]] tinha começado [[lexico:a:a-se:start|a se]] esboçar em 1945, no suplemento Letras e Artes e no jornal A Manhã, mas tornou-se assíduo e impetuosamente presente com os artigos filosóficos publicados na Folha da Manhã, no Diário de São Paulo, no Jornal do Comércio e no Jornal de Letras. É eleito membro da Allgemeine Gesellschaft für Philosophie in Deutschland em 1949 e, nesse mesmo ano, representa o Brasil no Congresso de [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] de Mendonza, ao lado de Eugen [[lexico:f:fink:start|Fink]], [[lexico:a:abbagnano:start|Abbagnano]], Delfim Santos, [[lexico:a:alem:start|além]] de exercer o cargo de diretor da [[lexico:d:divisao:start|Divisão]] de Difusão Cultural da Reitoria da USP e de organizar os Seminários de Filosofia do Museu de [[lexico:a:arte:start|arte]] [[lexico:m:moderna:start|moderna]]. Também é nesse ano que funda, com Miguel Reale e outros intelectuais, o Instituto Brasileiro de Filosofia e, em seguida, a Revista Brasileira de Filosofia. Seu [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] livro, [[lexico:e:exegese:start|exegese]] da [[lexico:a:acao:start|Ação]], sai em 1950, ano em que também finaliza um de seus mais importantes trabalhos, [[lexico:d:dialetica:start|Dialética]] das Consciências, onde expressa de [[lexico:m:modo:start|modo]] definitivo sua [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]] da [[lexico:e:existencia:start|existência]]. Essa [[lexico:o:obra:start|obra]] é apresentada na Faculdade de Filosofia da USP para concurso de professor, mas Vicente é impedido de concorrer ao cargo, com o aviltante pretexto de não possuir diploma de Filosofia, o que gera protesto público de diversos intelectuais. Também é desse ano [[lexico:i:ideias:start|ideias]] para um Novo [[lexico:c:conceito:start|conceito]] do [[lexico:h:homem:start|homem]] e, de 1953, [[lexico:t:teologia:start|teologia]] e Anti-Humanismo, o [[lexico:u:ultimo:start|último]] livro publicado em [[lexico:v:vida:start|vida]]. Em 1954, colabora na organização do primeiro Congresso Internacional de Filosofia realizado no Brasil, nos quais se reúnem [[lexico:p:paci:start|Paci]], Julián [[lexico:m:marias:start|Marías]] e Leopoldo [[lexico:z:zea:start|Zea]], e Vicente é escolhido para fazer [[lexico:p:parte:start|parte]] do Conselho Científico da coleção Rowohlts Deutsche Enzyklopaedie, ao lado de Eliade, Guardini, Kerényi, Oppenheimer, Walter [[lexico:o:otto:start|Otto]], Sedlmayr, Uexküll. Nesse mesmo ano funda em São Paulo, juntamente com sua esposa, a [[lexico:p:poeta:start|poeta]] Dora Ferreira da Silva, e com Milton Vargas, a revista [[lexico:d:dialogo:start|Diálogo]], onde publicou seguidamente seus ensaios mais importantes sobre filosofia da arte e da [[lexico:r:religiao:start|religião]]. A revista acaba se tornando o palco de uma nova guinada de seu pensamento, que havia sido deflagrada em inícios da década de 1950, e que encontra seu vértice no ensaio “introdução à Filosofia da [[lexico:m:mitologia:start|mitologia]]”. É no desenrolar dessa nova metanoia filosófica que o [[lexico:d:destino:start|destino]] o intercepta, em um [[lexico:a:acidente:start|acidente]] automobilístico, em 1963. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}