===== FENOMENOLOGIA NÃO-INTENCIONAL ===== Quero precisar, em primeiro [[lexico:l:lugar:start|lugar]], qual é o [[lexico:s:sentido:start|sentido]] de uma [[lexico:f:fenomenologia-nao-intencional:start|fenomenologia não-intencional]]. O [[lexico:p:projeto:start|projeto]] desta [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]], à partida, parece crítico da fenomenologia [[lexico:i:intencional:start|intencional]]. E assim é, de facto, para dizer a [[lexico:v:verdade:start|verdade]]. Mais ainda: o seu alcance crítico de [[lexico:m:modo:start|modo]] nenhum se limita à fenomenologia intencional, quer dizer, clássica, mas, para lá desta, visa a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] em [[lexico:g:geral:start|geral]] numa [[lexico:p:parte:start|parte]] importante do seu [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]]. Neste sentido, a fenomenologia não-intencional assume um [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de pretensão que pode parecer excessiva, mas cujo [[lexico:r:risco:start|risco]] deve assumir. Tal pretensão [[lexico:c:critica:start|crítica]] consiste em circunscrever e em denunciar uma concepção redutora da [[lexico:f:fenomenalidade:start|fenomenalidade]], que deixa escapar os modos originais e fundamentais como a fenomenalidade se fenomenaliza. Se é sempre sobre o fundo de pressupostos fenomenológicos, conscientes ou inconscientes, que uma filosofia se desenvolve, que esta põe as suas questões e tenta resolvê-las, então uma crítica da fenomenalidade e, igualmente, da fenomenologia diz [[lexico:r:respeito:start|respeito]] necessariamente à filosofia em geral. Conceber a fenomenalidade de [[lexico:o:outro:start|outro]] modo é, no mesmo [[lexico:m:movimento:start|movimento]], [[lexico:n:nao:start|não]] apenas obrigar a uma nova maneira de [[lexico:p:pensar:start|pensar]], mas simultaneamente abrir novos campos de [[lexico:i:investigacao:start|investigação]]. Contudo, a fenomenologia não-intencional assume para si mesma a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] de fundar a própria [[lexico:i:intencionalidade:start|intencionalidade]]. Ela mostra, por um lado, que a fenomenologia intencional se desenvolveu deixando numa [[lexico:i:indeterminacao:start|indeterminação]] total — e mais: numa indeterminação fenomenológica —, o que ultimamente torna [[lexico:p:possivel:start|possível]] a intencionalidade. Por outro lado, restaurando fenomenologicamente o [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] da intencionalidade, arrancando a [[lexico:v:vida:start|vida]] intencional ao anonimato no qual, em [[lexico:h:husserl:start|Husserl]], se perde, a fenomenologia não-intencional reinscreve a intencionalidade num fundamento mais antigo que ela e reconhece na intencionalidade o não-intencional que, não obstante, permite a sua realização. Reinscrita no não-intencional, que assume a sua última [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] fenomenológica, a intencionalidade é subtraída à incerteza e à indeterminação, as únicas que permitem um [[lexico:u:uso:start|uso]] [[lexico:a:arbitrario:start|arbitrário]] ou aberrante do seu [[lexico:c:conceito:start|conceito]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}