===== FENOMENOLOGIA DO ESPÍRITO ===== Dada a [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]] de significados do vocábulo [[lexico:e:espirito|Espírito]], é recomendável utilizá-lo em [[lexico:g:geral|geral]], para designar todos os diversos modos de [[lexico:s:ser|ser]] que, de algum [[lexico:m:modo|modo]], transcendem o vital. Em [[lexico:p:particular|particular]], convém restringi-lo para designar um dos [[lexico:c:conceitos|conceitos]] fundamentais do [[lexico:i:idealismo-alemao|idealismo alemão]], que alcançou grande [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] com [[lexico:h:hegel|Hegel]] e se manifestou durante este século numa [[lexico:s:serie|série]] de doutrinas sobre o [[lexico:s:ser-espiritual|ser espiritual]], quer como um modo de ser específico, quer como a maneira de ser própria do [[lexico:h:homem|homem]] como "ser [[lexico:h:historico|histórico]]". Referir-nos-emos às correntes mencionadas. Espírito foi um dos vocábulos mais abundantemente usados pelos idealistas alemães. Era importante dentro desse [[lexico:p:pensamento|pensamento]] a [[lexico:i:ideia|ideia]] de uma [[lexico:c:contraposicao|contraposição]] entre Espírito e [[lexico:n:natureza|natureza]] e, por [[lexico:o:outro|outro]] lado, a ideia de uma conciliação dos dois mediante o Espírito. Hegel [[lexico:f:fala|fala]], por vezes, de ideia e de ideia absoluta [[lexico:c:como-se|como se]] fossem o mesmo que o Espírito. E, em certa [[lexico:m:medida|medida]], são o mesmo, só que a ideia é o [[lexico:a:aspecto|aspecto]] [[lexico:a:abstrato|abstrato]] da [[lexico:r:realidade|realidade]] concreta e viva do Espírito. A dificuldade de circunscrever a [[lexico:n:nocao|noção]] de Espírito deve-se a que, de certa maneira, o Espírito é tudo. Ora, antes de ser tudo ou, mais propriamente, "a [[lexico:v:verdade|verdade]] de tudo", o Espírito começa por ser uma verdade parcial que precisa de se completar. O Espírito aparece como o [[lexico:o:objeto|objeto]] e o [[lexico:s:sujeito|sujeito]] da [[lexico:c:consciencia|consciência]] de si. Mas o Espírito [[lexico:n:nao|não]] é algo particular e muito menos uma [[lexico:s:substancia|substância]] particular: o Espírito é o [[lexico:u:universal|universal]] que se desenvolve a [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]]. A "[[lexico:f:fenomenologia-do-espirito|fenomenologia do espírito]]" é a [[lexico:d:descricao|descrição]] da [[lexico:h:historia|história]] desse autodesenvolvimento, no decurso do qual se encontram os objetos em, por e também contra os quais se realiza o Espírito. Ao atingir o [[lexico:u:ultimo|último]] [[lexico:e:estadio|estádio]] do seu desenvolvimento, o Espírito reconhece-se como uma verdade que é tal só por que absorveu o [[lexico:e:erro|erro]], a [[lexico:n:negatividade|negatividade]] e a parcialidade. A [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] é, de certo modo, "[[lexico:f:filosofia-do-espirito|Filosofia do Espírito]]". Apoiando-se explicitamente em Hegel, mas por [[lexico:r:reacao|reação]] contra ele, Benedetto [[lexico:c:croce|Croce]] tentou uma [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]] do Espírito na qual a [[lexico:a:absorcao|absorção]] dos diferentes graus por uma [[lexico:s:sintese|síntese]] não equivaleriam a uma supressão, mas precisamente a uma [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] do distinto. Os diferentes graus do Espírito estão, segundo Croce, implicados entre si; constituem um [[lexico:c:circulo|círculo]] no qual não pode indicar-se qual é a [[lexico:r:realidade-primaria|realidade primária]], porque qualquer [[lexico:g:grau|grau]] se apoia nos restantes e, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], completa-os. Pode considerar-se o Espírito no seu aspecto [[lexico:t:teorico|teórico]] ou [[lexico:p:pratico|prático]]: no primeiro, é consciência do individual, e é este o [[lexico:t:tema|tema]] da [[lexico:e:estetica|estética]], ou consciência do universal [[lexico:c:concreto|concreto]], e é este o tema da [[lexico:l:logica|lógica]]; no segundo, pode-se considerá-lo como querer do individual, ou [[lexico:e:economia|economia]], ou como querer do universal, ou [[lexico:e:etica|ética]].