===== FENOMENOLOGIA ===== (in. Phenomenology; fr. Phénoménologie, al. Phänomenologie; it. Fenomenologia). [[lexico:d:descricao:start|Descrição]] daquilo que aparece ou [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] que tem como [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] ou [[lexico:p:projeto:start|projeto]] essa descrição. É [[lexico:p:provavel:start|provável]] que [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:t:termo:start|termo]] tenha sido cunhado pela [[lexico:e:escola:start|escola]] de [[lexico:w:wolff:start|Wolff]]. Lambert utiliza-o como título da 4a [[lexico:p:parte:start|parte]] do seu Novo [[lexico:o:organon:start|Organon]] (1764) e com ele entende o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] das fontes de [[lexico:e:erro:start|erro]]. Aqui, a [[lexico:a:aparencia:start|aparência]], cuja descrição é a fenomenologia, é entendida como aparência ilusória. [[lexico:k:kant:start|Kant]], porém, utiliza esse termo para indicar a parte da [[lexico:t:teoria:start|teoria]] do [[lexico:m:movimento:start|movimento]] que considera o movimento ou o repouso da [[lexico:m:materia:start|matéria]] somente em [[lexico:r:relacao:start|relação]] com as modalidades em que eles aparecem ao [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:e:externo:start|externo]] (Metaphysische Aufangsgründe der Naturwissenschaft, 1786, Pref.). Por sua vez, [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] chamou de "[[lexico:f:fenomenologia-do-espirito:start|fenomenologia do espírito]]" a [[lexico:h:historia:start|história]] romanceada da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]], que, desde suas primeiras aparências sensíveis, consegue [[lexico:a:aparecer:start|aparecer]] para si mesma em sua verdadeira [[lexico:n:natureza:start|natureza]], como Consciência Infinita ou [[lexico:u:universal:start|universal]]. Nesse sentido, identifica a fenomenologia do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] com o "[[lexico:d:devir:start|devir]] da ciência ou do [[lexico:s:saber:start|saber]]", e nela descobre o [[lexico:c:caminho:start|caminho]] através do qual o [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] repercorre os graus de [[lexico:f:formacao:start|formação]] do Espírito Universal, como figuras já abandonadas ou etapas de um caminho já traçado e aplanado (Phänomen. des Geistes, Pref., ed. Glockner, p. 31). Hamilton atribuiu [[lexico:o:outro:start|outro]] [[lexico:s:significado:start|significado]] a esse termo (Lectures on Logic, 1859-1860,1, p. 17), o de [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] descritiva; foi com tal significado, de pura descrição da aparência psíquica, preliminar à [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] dos [[lexico:f:fatos-psiquicos:start|fatos psíquicos]], que esse termo foi usado com frequência pela [[lexico:c:cultura:start|cultura]] filosófica alemã da segunda metade do séc. XIX e nos primeiros anos do séc. XX. [[lexico:h:hartmann:start|Hartmann]] intitulou fenomenologia da [[lexico:c:consciencia-moral:start|consciência moral]] (Phänomenologie des sittliche Bewusstseins, 1879) a coletânea de dados empíricos da consciência [[lexico:m:moral:start|moral]], independentemente de sua [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] especulativa. Mas a única [[lexico:n:nocao:start|noção]] hoje viva de fenomenologia é a anunciada por [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] em [[lexico:i:investigacoes-logicas:start|Investigações lógicas]] (1900-1901, II, pp. 3 ss.), correlativa ao 3a significado de [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] e depois desenvolvida por ele mesmo nas obras seguintes. O [[lexico:p:proprio:start|próprio]] Husserl preocupou-se em eliminar a confusão entre psicologia e fenomenologia. Esclareceu que psicologia é a ciência de dados de [[lexico:f:fato:start|fato]]; os fenômenos que ela considera são acontecimentos reais que, juntamente com os sujeitos a que pertencem, inserem-se no [[lexico:m:mundo:start|mundo]] espácio-temporal. A fenomenologia (que ele chama de "pura" ou "[[lexico:t:transcendental:start|transcendental]]") é uma ciência de [[lexico:e:essencias:start|essências]] (portanto, "[[lexico:e:eidetica:start|eidética]]") e [[lexico:n:nao:start|não]] de dados de fato, possibilitada apenas pela [[lexico:r:reducao-eidetica:start|redução eidética]], cuja [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] é expurgar os fenômenos psicológicos de suas características reais ou empíricas e levá-los para o [[lexico:p:plano:start|plano]] da generalidade [[lexico:e:essencial:start|essencial]]. A [[lexico:r:reducao:start|redução]] eidética, vale dizer, a [[lexico:t:transformacao:start|transformação]] dos fenômenos em essências, também é redução fenomenológica em sentido [[lexico:e:estrito:start|estrito]], porque transforma esses fenômenos em irrealidades (Ideen, I, Intr.). Com esse significado, a fenomenologia constitui uma corrente filosófica [[lexico:p:particular:start|particular]], que pratica a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] como [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] fenomenológica, ou seja, valendo-se da redução fenomenológica e da epoché. Os resultados fundamentais a que esta investigação levou, em Husserl, podem [[lexico:s:ser:start|ser]] resumidos da maneira seguinte: 1) O [[lexico:r:reconhecimento:start|reconhecimento]] do [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:i:intencional:start|intencional]] da consciência , em [[lexico:v:virtude:start|virtude]] do qual a consciência é um movimento de [[lexico:t:transcendencia:start|transcendência]] em direção ao [[lexico:o:objeto:start|objeto]] e o objeto se dá ou se apresenta à consciência "em [[lexico:c:carne:start|carne]] e osso" ou "pessoalmente"; 2) [[lexico:e:evidencia:start|evidência]] da [[lexico:v:visao:start|visão]] ([[lexico:i:intuicao:start|intuição]]) do objeto devida à [[lexico:p:presenca:start|presença]] efetiva do objeto; 3) [[lexico:g:generalizacao:start|generalização]] da noção de objeto, que compreende não somente as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] materiais, mas também as formas de [[lexico:c:categorias:start|categorias]], as essências e os "objetos ideais" em [[lexico:g:geral:start|geral]] (Ideen, I, § 15); 4) caráter privilegiado da "[[lexico:p:percepcao:start|percepção]] [[lexico:i:imanente:start|imanente]]", ou seja, da consciência que o [[lexico:e:eu:start|eu]] tem das sua,s próprias experiências, porquanto nessa percepção aparecer e ser coincidem perfeitamente, ao passo que não coincidem na intuição do objeto externo, que nunca se identifica com suas [[lexico:a:aparicoes:start|aparições]] à consciência, mas permanece [[lexico:a:alem:start|além]] delas (Ibid., §38). Nem todos estes [[lexico:p:principios:start|princípios]] são aceitos pelos pensadores contemporâneos que se valem da investigação fenomenológica: apenas o primeiro deles (caráter intencional da consciência, em virtude do qual o objeto é [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]] em relação a ela e todavia presente "em carne e osso") tem crédito não só entre esses pensadores como também junto a grande [[lexico:n:numero:start|número]] de filósofos contemporâneos. Foi com base na investigação fenomenológica que Nicolai Hartmann fundou seu [[lexico:r:realismo:start|realismo]] metafísico; o mesmo fizeram [[lexico:s:scheler:start|Scheler]] para a [[lexico:a:analise:start|análise]] das emoções e [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] (como [[lexico:m:metodo:start|método]] para sua [[lexico:o:ontologia:start|ontologia]]). Este [[lexico:u:ultimo:start|último]] expressa com toda a clareza o caráter próprio da fenomenologia quando afirma: "A [[lexico:p:palavra:start|palavra]] ‘fenomenologia’ significa antes de mais [[lexico:n:nada:start|nada]] um [[lexico:c:conceito:start|conceito]] de método. Ela não caracteriza a [[lexico:c:consistencia:start|consistência]] de fato do objeto da [[lexico:i:indagacao:start|indagação]] filosófica, mas seu como... Esse termo expressa um [[lexico:l:lema:start|lema]] que poderia ser assim formulado: às coisas mesmas! — por [[lexico:o:oposicao:start|oposição]] às construções soltas no [[lexico:a:ar:start|ar]] e aos achados casuais; em oposição à [[lexico:a:admissao:start|admissão]] de [[lexico:c:conceitos:start|conceitos]] apenas aparentemente verificados e aos falsos problemas que se impõem de [[lexico:g:geracao:start|geração]] em geração como problemas verdadeiros" (Sein und Zeit, § 7). Portanto, o que a fenomenologia mostra é aquilo que, acima de tudo e na maior parte dos casos, não se manifesta, o que está escondido, mas que é capaz de expressar o sentido e o [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] daquilo que, acima de tudo, e na maior parte dos casos, se manifesta. Nesse sentido, a fenomenologia é a única ontologia [[lexico:p:possivel:start|possível]] (Ibid., § 7 C). A fenomenologia é entendida de maneira análoga por [[lexico:s:sartre:start|Sartre]] (L ‘être et le néant, Intr., §§ 1-2) e por [[lexico:m:merleau-ponty:start|Merleau-Ponty]] (Pbénoménologie de la perception, Pref.). A formulação fenomenológica da filosofia não implica, portanto, a redução da [[lexico:e:existencia:start|existência]] à aparência e não pode ser confundida de maneira nenhuma com o [[lexico:f:fenomenismo:start|fenomenismo]]. O próprio conceito de fenômeno a que se faz [[lexico:r:referencia:start|referência]] é diferente neste caso. Por outro lado, tampouco implica a eliminação da [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] entre parecer e ser, embora esse antigo [[lexico:d:dualismo:start|dualismo]] seja eliminado. Sartre diz: "O fenômeno de ser exige a trans-fenomenalidade do ser, Isto não quer dizer que o ser está escondido atrás dos fenômenos (vimos que o fenômeno não pode mascarar o ser), nem que o fenômeno é uma aparência que remete a um ser distinto (só enquanto aparência o fenômeno é, ou seja, ele se indica sobre o fundamento do ser). Segue-se que o ser do fenômeno, conquanto coextensivo ao fenômeno, deve escapar à [[lexico:c:condicao:start|condição]] fenomênica — de só [[lexico:e:existir:start|existir]] na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que se nos revela — e, por conseguinte, excede e fundamenta o [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] que se tem dele" (L’être et le néant, Intr., § 2). A relação entre aparência e ser, na ontologia fenomenológica, pode ser definida ou analisada de maneiras diferentes, mas não se amolda à [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] que relaciona aparência e [[lexico:r:realidade:start|realidade]]. O estudo [[lexico:d:descritivo:start|descritivo]] de um conjunto de fenômenos. — A fenomenologia designa atualmente o [[lexico:s:sistema:start|sistema]] de Husserl (1859-1938) e toda uma corrente de [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] que se reclama, senão dos conceitos, ao menos do método de Husserl. A fenomenologia procede de uma critica da [[lexico:m:metafisica:start|metafísica]] clássica, e sua [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] fundamental é a de um [[lexico:r:retorno:start|retorno]] ao [[lexico:c:concreto:start|concreto]]. Husserl (matemático por formação) concebe esse retorno ao concreto como uma volta à "intuição originária" das coisas e das [[lexico:i:ideias:start|ideias]]. Explica essa intuição originária por um [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] matemático: constata, por exemplo, que se podemos [[lexico:r:representar:start|representar]] intuitivamente três ou [[lexico:q:quatro:start|Quatro]] objetos, não podemos intuitivamente representar mil deles; podemos somente "[[lexico:p:pensar:start|pensar]] nisso". Husserl distingue assim dois tipos opostos de relação com o [[lexico:d:dado:start|dado]] ou de "[[lexico:i:intencionalidade:start|intencionalidade]]": a percepção [[lexico:r:real:start|real]], que é "originária", e o pensamento, que só faz "visar" o objeto com uma "[[lexico:i:intencao:start|intenção]] vazia". Desenvolvendo essa diferença entre intuição originária e pensamento, intencionalidade plena e vazia, os fenomenólogos modernos colocam: 1.° ou o conteúdo da doutrina de Husserl: procuram então, na percepção real, o [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de contato entre o espírito e o real, o "além do realismo e do [[lexico:i:idealismo:start|Idealismo]]" (Merleau-Ponty, De [[lexico:w:waelhens:start|Waelhens]]); 2.° ou seu método, e aplicam então o [[lexico:p:principio:start|princípio]] de uma análise da intuição aos domínios do "conhecimento do outro", muito negligenciados por Husserl ([[lexico:l:levinas:start|Levinas]]); 3.° ou procuram justificar metafisicamente o próprio princípio de uma análise dos fenômenos. (E. [[lexico:f:fink:start|Fink]]). Uma teoria dos fenômenos só pode definir-se em relação a uma [[lexico:t:teoria-do-ser:start|teoria do ser]] [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]], ou ontologia. Nesse ponto, a fenomenologia especulativa de um [[lexico:f:fichte:start|Fichte]], na [[lexico:t:teoria-da-ciencia:start|Teoria da Ciência]], de 1804, é de uma profundidade e de uma [[lexico:f:forca:start|força]] inigualáveis. (V. epoché.) Termo empregado primeiramente por Lambert para significar a "teoria do fenômeno, da aparência. É, em sentido amplo, a ciência dos fenômenos (Phänomen) (v. fenômeno). Não obstante, como os objetos se nos revelam na consciência, chama-se fenomenologia, em sentido estrito, a ciência dos fenômenos que se manifestam na consciência. Como peculiar corrente filosófica, foi fundada por E. Husserl. A [[lexico:f:fim:start|fim]] de obter uma base inatacável de todas as ciências, Husserl serviu-se do [[lexico:m:metodo-fenomenologico:start|método fenomenológico]]. Este começa com uma dupla redução: a redução eidética começa por prescindir da existência do eu, dos atos apreensivos e dos objetos e considera somente a [[lexico:e:essencia:start|essência]] ([[lexico:e:eidos:start|eidos]]) dos mesmos em sua concreção integral. Na segunda, a redução fenomenológica, é também "posta em suspenso", a independência consciência] destes conteúdos. A fenomenologia considera seus objetos só "como" objetos ([[lexico:t:teoria-do-objeto:start|teoria do objeto]]), como correlatos da consciência. Resta, portanto, a consciência pura, mas que de nenhum [[lexico:m:modo:start|modo]] está vazia. Constituem sua [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] o "ter-consciência" ([[lexico:n:noesis:start|noesis]]) e o "cônscio, tido na consciência" ([[lexico:n:noema:start|noema]]). O "cônscio" não se encontra contido na noesis como parte real, mas é [[lexico:c:construido:start|construído]] por ela como objeto. Donde, o noema pode ser apreendido e descrito numa intuição imediata da essência (Wesensschau, Idealion). Por isso, a filosofia deve ser definida como uma teoria puramente descritiva da essência das configurações conscienciais. Como todos os objetos da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] são regulados pelas essências a eles subjacentes, a toda ciência empírica corresponde uma [[lexico:c:ciencia-eidetica:start|ciência eidética]] da essência ou ontologia regional. Mas todas as regiões (ou esferas objetivas) se fundam, por seu turno, na consciência pura. Este é o ser [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] e absoluto, sendo a filosofia a ciência "primeira" a ele ordenada. Enquanto a fenomenologia de Husserl estuda principalmente o [[lexico:p:problema:start|problema]] da [[lexico:v:verdade:start|verdade]], M. Scheler volve-se para a [[lexico:f:filosofia-dos-valores:start|filosofia dos valores]]. A [[lexico:i:ideacao:start|ideação]] [[lexico:t:teoretica:start|teorética]] é substituída pelo [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] do [[lexico:v:valor:start|valor]] (como [[lexico:a:apreensao:start|apreensão]] não-racional do valor). Contra o [[lexico:f:formalismo:start|formalismo]] de Kant, propugna Scheler uma [[lexico:e:etica:start|ética]] material dos valores ([[lexico:e:etica-dos-valores:start|ética dos valores]]). Por fim com Heidegger, a fenomenologia converte-se em filosofia [[lexico:e:existencial:start|existencial]] ([[lexico:f:filosofia-da-existencia:start|filosofia da existência]]): a essência do ser não é consciência quiescente supra-temporal, mas [[lexico:h:historicidade:start|historicidade]] e [[lexico:t:tempo:start|tempo]]. Por mais que a fenomenologia (de Husserl), como método, tenha seus méritos na [[lexico:l:luta:start|luta]] contra o [[lexico:e:empirismo:start|empirismo]] e o [[lexico:p:psicologismo:start|psicologismo]], contudo, considerada como doutrina que mantém a redução como método, permanece dentro do [[lexico:s:subjetivismo:start|subjetivismo]] transcendental kantiano. Não consegue também equilibrar as tensões entre [[lexico:e:essencia-e-existencia:start|essência e existência]], entre [[lexico:s:ser-e-valor:start|ser e valor]]. — Em Hegel, a "fenomenologia do espírito" é a súmula de seu sistema ([[lexico:i:idealismo-alemao:start|idealismo alemão]]), considerado como [[lexico:m:metamorfose:start|metamorfose]] da consciência. — [[lexico:b:brugger:start|Brugger]]. Quando na [[lexico:e:epoca:start|época]] [[lexico:a:atual:start|atual]] se [[lexico:f:fala:start|fala]] de fenomenologia tende-se a entender por tal a fenomenologia de Husserl. Por este [[lexico:m:motivo:start|motivo]] referir-nos-emos exclusivamente à [[lexico:f:fenomenologia-husserliana:start|fenomenologia husserliana]], entendendo-a como método e como modo de [[lexico:v:ver:start|ver]]. Constitui-se o método após a depuração do psicologismo. É preciso mostrar que as leis lógicas são leis lógicas puras e não empíricas ou [[lexico:t:transcendentais:start|transcendentais]] ou procedentes de um [[lexico:s:suposto:start|suposto]] mundo [[lexico:i:inteligivel:start|inteligível]] de caráter metafísico. Sobretudo é preciso mostrar que certos atos como a [[lexico:a:abstracao:start|abstração]], o [[lexico:j:juizo:start|juízo]], a [[lexico:i:inferencia:start|inferência]], etc, não são atos empíricos: são atos de natureza intencional que têm as suas correlações em puros termos da consciência intencional. Essa consciência não apreende os objetos do mundo [[lexico:n:natural:start|natural]] com tais objetos, nem constitui o dado enquanto objeto de conhecimento: apreende puras [[lexico:s:significacoes:start|significações]] na medida em que são simplesmente dadas e tal como são dadas. A depuração mencionada conduz assim ao método fenomenológico e constitui, simultaneamente, esse método. Para o [[lexico:p:por:start|pôr]] em marcha é preciso adotar uma [[lexico:a:atitude:start|atitude]] radical: a da suspensão do mundo natural. Põe-se “entre parêntesis” a [[lexico:c:crenca:start|crença]] na realidade do mundo natural e as proposições a que esta crença dá [[lexico:l:lugar:start|lugar]]. Isso não quer dizer que se nega a realidade do mundo natural, como no cepticismo [[lexico:c:classico:start|clássico]]. Apenas sucede que se coloca um novo [[lexico:s:sinal:start|sinal]] na “[[lexico:a:atitude-natural:start|atitude natural]]”. Em virtude deste sinal, procede-se à [[lexico:a:abstencao:start|abstenção]] acerca da existência espaciotemporal do mundo. O método fenomenológico consiste, portanto, em examinar todos os conteúdos de consciência, mas em vez de determinar se tais conteúdos são reais ou irreais, ideais, imaginários, etc, procede-se a examiná-los, enquanto são puramente dados. Mediante a suspensão, a consciência fenomenológica pode ater-se ao dado enquanto tal e descrevê-lo na sua pureza. O dado não é, na fenomenologia de Husserl, o mesmo que na filosofia transcendental, um material que se organiza mediante formas de intuição e categorias. Não é, tão pouco, qualquer [[lexico:c:coisa:start|coisa]] de [[lexico:e:empirico:start|empírico]] - os [[lexico:d:dados-dos-sentidos:start|dados dos sentidos]]. O dado é a [[lexico:c:correlacao:start|correlação]] da consciência intencional. Não há conteúdos de consciência, mas unicamente fenômenos. A fenomenologia é uma pura descrição do que se mostra por [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com “o princípio dos princípios”: reconhecer que “toda a intuição primordial é uma [[lexico:f:fonte:start|fonte]] legítima de conhecimento, que tudo o que se apresenta [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmo na intuição (e, por assim dizer, em [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]]) deve ser aceite simplesmente como o que se oferece e tal [[lexico:c:como-se:start|como se]] oferece, embora apenas dentro dos limites nos quais se apresenta. (IDÉIAS) A fenomenologia não pressupõe o nada: nem o mundo natural, nem o sentido comum, nem as proposições da ciência, nem as experiências psicológicas. Coloca-se “antes de toda a crença e de [[lexico:t:todo:start|todo]] o juízo para explorar simplesmente o dado. é, como o declarou Husserl, um "[[lexico:p:positivismo:start|positivismo]] absoluto”. É possível aceder à fenomenologia husserliana de diversas maneiras. Pode-se organizá-la em torno da expressão-chave «o retorno às coisas elas próprias». Ser-se-á [[lexico:s:sensivel:start|sensível]], neste caso, à intenção que a atravessa de desembaraçar o conhecimento das «vestes de ideias» e das interpretações que dissimulam o objecto do pensamento, de que se trata. Com a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de um retorno à coisa, Husserl imprimiu à investigação filosófica, em oposição ao espírito do sistema, um [[lexico:i:impulso:start|impulso]] novo, que constitui uma aquisição insubstituível do seu método. Pode-se privilegiar na fenomenologia, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] aliás o [[lexico:c:corolario:start|corolário]] da primeira atitude, a concepção da intencionalidade da consciência: a consciência está orientada para as coisas, está toda nesta [[lexico:o:orientacao:start|orientação]], é «consciência de». Esta [[lexico:d:definicao:start|definição]] aparentemente [[lexico:s:simples:start|simples]] veicula igualmente em si toda a fenomenologia. Elimina o preconceito idealista segundo o qual a consciência está encerrada nas suas próprias representações, o preconceito filosófico segundo o qual a consciência é apenas um [[lexico:r:reflexo:start|reflexo]] à superfície do mundo real. A fenomenologia será caracterizada neste sentido como uma reabilitação do [[lexico:d:direito:start|direito]] da consciência ao conhecimento de si própria e do mundo. Pode-se também tentar definir a fenomenologia a partir da sua [[lexico:a:atencao:start|atenção]] ao [[lexico:v:vivido:start|vivido]]. Proceder a uma análise fenomenológica é, com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], antes de mais, substituir as construções explicativas pela descrição do «que se passa» efetivamente do ponto de vista daquele que vive esta ou aquela [[lexico:s:situacao:start|situação]] concreta. O específico da filosofia era [[lexico:t:ter:start|ter]] tradicionalmente eliminado este vivido em proveito de abstrações e de conceitos. Ora, o principal [[lexico:i:interesse:start|interesse]] pela fenomenologia — e, se assim se pode dizer, a sua voga — parece ter sido essencialmente motivado por esta orientação para o concreto. E talvez neste plano que ela responde ao nosso tempo à satisfação de uma [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] fundamental, ainda que vaga. A importância excepcional conferida a uma filosofia, cujo método e o programa põem em primeiro plano os direitos do vivido, e o fazem de algum modo sair da sombra, encontra a sua [[lexico:o:origem:start|origem]] nas múltiplas alienações ou reificações que privam o [[lexico:h:homem:start|homem]] da [[lexico:p:posse:start|posse]] de si mesmo e a [[lexico:v:vida:start|vida]] do seu sentido. Filosofia do vivido, a fenomenologia abre o [[lexico:c:campo:start|campo]] da [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] de maneira indefinida. A tarefa do fenomenólogo jamais pode ser fechada na edificação de um sistema, mas por princípio renova-se com o curso da própria vida e a cada metamorfose da [[lexico:r:reificacao:start|reificação]]. Finalmente — inventariação que aliás não é limitativa —, a fenomenologia husserliana pode ser compreendida a partir do papel central e [[lexico:f:funcional:start|funcional]] que confere à [[lexico:s:subjetividade:start|subjetividade]]. Neste sentido será interpretada como uma variante contemporânea do idealismo, correspondente ao empreendimento audacioso de fundar, face à [[lexico:m:multiplicidade:start|multiplicidade]] de disciplinas científicas, uma [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] [[lexico:r:racional:start|racional]] do mundo, de referencial [[lexico:u:unico:start|único]]. Sob a sua [[lexico:f:forma:start|forma]], em Husserl pelo menos, de «fenomenologia transcendental» ou idealismo do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] constituinte, ela é, com efeito a [[lexico:e:expressao:start|expressão]] de uma necessidade teórica de unificação e a satisfação [[lexico:i:ideal:start|ideal]] dada a essa necessidade. Estes diferentes pontos de vista acerca da fenomenologia podem sem [[lexico:d:duvida:start|dúvida]] ser adotados. Devem mesmo sê-lo necessariamente numa [[lexico:e:exposicao:start|exposição]], quer histórica do [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] da [[lexico:o:obra:start|obra]] de Husserl — desde as Recherches logiques de 1900 até à [[lexico:a:apresentacao:start|apresentação]] [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]] do [[lexico:i:idealismo-transcendental:start|idealismo transcendental]] nas Méditations Cartésiennes de 1930 —, quer [[lexico:m:metodica:start|metódica]]. Mas o que primeiramente importa para a compreensão do sentido da fenomenologia é a sua estreita articulação e, sobretudo, a [[lexico:d:descoberta:start|descoberta]] da [[lexico:p:problematica:start|problemática]] a partir da qual podem aparecer como expressões de um mesmo projeto. O retorno às coisas, ao vivido, ao concreto, à [[lexico:u:unidade:start|unidade]] do sentido do sujeito, não bastaria para fundar a fenomenologia como filosofia, se ela não tivesse satisfeito, ou, pelo menos, querido satisfazer, uma exigência que, só ela, podia indicar o lugar em que se inscreve. Esta exigência é a da cientificidade — não somente cientificidade do método, mas satisfação à ideia da ciência: «Desde os seus primórdios», escreve Husserl no início do artigo La philosophie comme science rigoureuse (1911), a filosofia sempre pretendeu ser uma ciência rigorosa, e mesmo a ciência que satisfaz as necessidades teóricas mais profundas...»; mas «em nenhuma época do seu desenvolvimento a filosofia pôde satisfazer essa pretensão...». A fenomenologia, para Husserl, marca o ponto de [[lexico:r:ruptura:start|ruptura]] em que a filosofia passa do [[lexico:e:estado:start|Estado]] pré-científico ao estado científico. A [[lexico:c:certeza:start|certeza]] de que esta passagem é possível, que é efetivamente realizada por ela, permite-lhe apresentar-se, não como uma «concepção do mundo» entre outras, uma [[lexico:i:ideologia:start|ideologia]], mas como a primeira realização da filosofia como ciência. [[lexico:c:compreender:start|compreender]] o que é a fenomenologia é antes de mais examinar esta ambição e constantemente fazê-la reviver. A cientificidade da fenomenologia husserliana pode ser já situada a partir da nova [[lexico:f:funcao:start|função]] concedida ao fenômeno no conhecimento. **História do termo «fenomenologia»** Pertence ao vocabulário filosófico clássico: este termo designa, desde o séc. XVII, um ramo particular da filosofia respeitante ao estudo dos «fenômenos». Os equívocos do conceito de fenômeno determinam então as diversas acepções de uma fenomenologia. O fenômeno (aquilo que aparece) pode ser identificado a uma aparência ou a uma [[lexico:i:ilusao:start|ilusão]]. Para Lambert (Neus Organon, 1764) há uma fenomenologia que trata das aparências, do tempo e do [[lexico:e:espaco:start|espaço]] sensíveis, por oposição a uma «doutrina da verdade», que trata dos conceitos objetivos da Natureza. Aquilo que aparece pode ser considerado como um dado da [[lexico:s:sensibilidade:start|sensibilidade]], não ilusório, portanto distinto da simples aparência, mesmo não sendo objectivo no sentido forte da palavra. O [[lexico:u:uso:start|uso]] que Kant faz da expressão fenomenologia em Os Princípios Metafísicos da Natureza (1786) liga-se a este segundo sentido: o movimento e o repouso são fenômenos [[lexico:r:relativos:start|relativos]] aos [[lexico:s:sentidos-externos:start|sentidos externos]], não absolutos, e revelam, nesta medida, de uma fenomenologia. A doutrina do tempo e do espaço como «formas puras da sensibilidade» pode ser igualmente considerada como uma «fenomenologia» geral. Mas, ainda que ocupando-se também dos «fenômenos» entendidos como objetos que aparecem, a experiência objectiva faz intervir outros princípios além dos da sensibilidade, cujo «objecto» é «a aparição» como tal. O título de «fenomenologia» é, portanto, para Kant reservado a um domínio duplamente limitado: limitado ao que há de [[lexico:i:intuicao-sensivel:start|intuição sensível]] na objectividade, limitado igualmente em relação ao que não aparece, mas que é puramente pensado: o em si. Aquilo que aparece pode ser a experiência completa da consciência que deseja, que conhece, que pensa, etc. A fenomenologia de Hegel adota este sentido alargado. Mas a fenomenologia permanece uma parte simplesmente preparatória da ciência filosófica, pois que o fenômeno é sempre compreendido como [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] relativamente a uma realidade extra-fenomenal. A consciência é o «fenômeno do espírito». O seu domínio é o da Certeza, não é o do Saber, de que a fenomenologia do espírito não apresenta senão a formação progressiva ou o devir. Estes três exemplos mostram que, tradicionalmente, a ideia de uma fenomenologia permanece tributária da diferença metafísica entre o aparecer e o ser. Os binômios aparência / realidade, [[lexico:r:representacao:start|representação]] [[lexico:i:intuitiva:start|intuitiva]] / objeto, coisa fenomenal / coisa em si, consciência / espírito, determinam um contexto de [[lexico:p:pressuposicao:start|pressuposição]] especulativa. A «fenomenologia» do fim do século XIX, pelo contrário, obedece a uma intenção nitidamente anti-especulativa, que corresponde ao positivismo nas ciências da natureza. A sua origem encontra-se na orientação que Franz [[lexico:b:brentano:start|Brentano]] (1838-1917) dá à psicologia. Um ponto de vista radicalmente empírico opõe à [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] «[[lexico:g:genetica:start|genética]]» das [[lexico:r:relacoes:start|relações]] causais a «descrição» dos fenômenos psíquicos. Esta descrição, que se desenvolve à margem da [[lexico:e:experimentacao:start|experimentação]] psicofísica, permite definir o fenômeno [[lexico:p:psiquico:start|psíquico]] «interno» pela sua [[lexico:i:imanencia:start|imanência]] ou pela sua indubitalidade e pela relação intencional, ou referência a um objecto que ele contém. A psicologia empírica de Brentano abre o caminho a investigações respeitantes à descrição do campo fenomenal. Uma «fenomenologia» designará a exploração deste campo. Karl Stumpf (1848-1936) utiliza a expressão fenomenológica para a análise e a descrição do conteúdo imediatamente dado nas orientações intencionais. Os sons, as cores, são tratados como «fenômenos» independentemente das [[lexico:c:causas:start|causas]] físicas e fisiológicas. Este estudo é considerado por ele como «neutro», anterior a qualquer outra ciência especializada. A fenomenologia constitui pois uma «pré-ciência» positiva de que a função de pesquisa preliminar não explicativa marca os limites. [Schérer] Se tivermos em conta o sentido [[lexico:e:exato:start|exato]] que Husserl atribuiu à fenomenologia, não podemos pôr em dúvida que o método [[lexico:e:existencialista:start|existencialista]] de Heidegger e de Sartre se lhe opõe inteiramente. De resto, esta é a própria [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] de Husserl, que veio a protestar contra a profunda transformação a que Heidegger submeteu os seus pontos de vista. Heidegger, por seu lado, pensava que o método fenomenologia) era susceptível de comportar essa transformação, isto é, que podia conservar o seu sentido propriamente metodológico dentro do contexto existencialista e, mais ainda, que a fenomenologia devia, logicamente, tomar a orientação do [[lexico:e:existencialismo:start|existencialismo]]. Esta mesma [[lexico:t:tese:start|tese]] é também defendida, de forma muito hábil, por M. Merleau-Ponty, na sua Phénoménologie de la perception. «A fenomenologia, escreve, é o estudo das essências, e, segundo ela, todos os problemas acabam por definir essências : a essência da percepção, a essência da consciência, por exemplo. Entretanto, a fenomenologia é também uma filosofia que repõe as essências na existência, não admitindo que o homem e o mundo possam ser compreendidos senão a partir da sua « faticidade ». É uma filosofia transcendental que deixa em suspenso, para as compreender, as afirmações da atitude natural ; mas é também uma filosofia para a qual o mundo está sempre «já aí» antes da reflexão, como uma presença inalienável ; e o seu [[lexico:e:esforco:start|esforço]] dirige-se inteiramente no sentido de encontrar esse ingênuo contato com o mundo a fim de lhe conferir um [[lexico:e:estatuto:start|estatuto]] filosófico » (M. Merleau-Ponty, Phénoménologie de la Perception, Paris, Gallimard, 1945, pág. II). A redução eidética não pode, com efeito, ultimar-se e o fato de o próprio Husserl ter insistentemente encarado a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de completar a redução marca [[lexico:b:bem:start|Bem]] a [[lexico:f:fatalidade:start|fatalidade]] do fracasso. A profunda [[lexico:r:razao:start|razão]] deste fracasso reside no fato de, por mais que façamos e por mais rigorosa que se julgue a colocação entre parêntesis da existência, nos encontrarmos no mundo, tendo portanto «as nossas reflexões de ocorrer no fluxo [[lexico:t:temporal:start|temporal]] que elas procuram captar». Nenhum pensamento (a não ser o do Espírito absoluto, que nós não somos, uma vez que a nossa redução fica problemática ) poderá abarcar todo o nosso pensamento. Nos inéditos que deixou, Husserl diz que «a filosofia é um [[lexico:c:comeco:start|começo]] perpétuo». Ora isto quer unicamente dizer que a reflexão radical é necessariamente consciência da dependência de uma situação que condiciona inteiramente o esforço para nos apreendermos a nós mesmos. Por isso, «longe de ser, como se chegou a supor, a [[lexico:f:formula:start|fórmula]] de uma filosofia idealista, a redução fenomenológica é antes a fórmula de uma filosofia existencial : « o «In-der-Welt-Sein » de Heidegger só aparece tendo como fundo a redução fenomenológica » (Ibid., pág. ix). É isto mesmo que leva a Fenomenologia a renunciar à ambição de explicitar um ser prévio, como a tal se dedicam, sem qualquer êxito, as ontologias clássicas. A Fenomenologia abre-se para um mundo que é propriamente fundação do ser, realização da sua verdade. É certo que se poderia objetar que [[lexico:f:falta:start|falta]] determinar ainda a forma como esta realização é possível e, sendo assim, seríamos levados de novo ao mundo dos possíveis ou das essências ou, então, a uma Razão preexistente ao [[lexico:u:universo:start|universo]] das existências. Entretanto, contesta M. Merleau-Ponty, «o único [[lexico:l:logos:start|Logos]] que preexiste é o próprio mundo e a filosofia que o faz passar à existência manifesta não começa por ser possível; é atual ou real, como o mundo, de que faz parte, e nenhuma [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]] explicativa seria mais clara do que o próprio [[lexico:a:ato:start|ato]] pelo qual retomamos esse mundo inacabado com o fim de o totalizar e de o pensar ... O mundo e a razão não constituem problema ; se quisermos, poderemos dizer que constituem um [[lexico:m:misterio:start|mistério]] ; mas esse mistério é a sua definição e não poderemos desvendá-lo por [[lexico:m:meio:start|meio]] de qualquer «solução» porque ele está para aquém de todas as soluções. A verdadeira filosofia consiste em aprender a ver o mundo e; assim, qualquer história contada pode vir a interpretar o mundo tão «profundamente» como qualquer tratado de filosofia. Nas nossas [[lexico:m:maos:start|mãos]] tomamos a nossa [[lexico:s:sorte:start|sorte]] ; da nossa história tornamo-nos responsáveis, não só pela reflexão mas também por uma [[lexico:d:decisao:start|decisão]] em que fica comprometida a nossa vida ; e, em ambos os casos, estamos perante um ato de [[lexico:v:violencia:start|violência]] que se verifica ao exercer-se»[Ibid., págs. xv-xvi — M. Merleau-Ponty diz que estas considerações se encontrara assim formuladas nos inéditos de Husserl ( Rückbeziehung der Phänomenologie auf sich segst)]. Sendo assim, pode-se dizer que « a fenomenologia, como [[lexico:r:revelacao:start|revelação]] do mundo, assenta sobre si mesma ou, ainda, funda-se a si mesma». « Sempre inacabada, porque a [[lexico:i:interrogacao:start|interrogação]] que a si próprio dirige é realmente de [[lexico:o:ordem:start|ordem]] infinita, a [[lexico:p:posicao:start|posição]] em que desde o início se coloca, de nunca poder saber para onde vai, não constitui sinal de fracasso mas, antes pelo contrário, a forma do seu [[lexico:p:progresso:start|progresso]], que é revelar progressivamente, sem ter a [[lexico:e:esperanca:start|esperança]] de o poder esgotar, o duplo e solidário mistério do mundo e da razão [A. de Waelhens acaba de publicar em Le Choix, Le Monde. l’Existence ( Cadernos do Colégio filosófico, Paris, Arthaud, 1948 ), págs. 37-70, um estudo, muito claro, sobre as relações da Fenomenologia e do Existencialismo, no qual a doutrina de Husserl é apresentada na sua gênese e no seu desenvolvimento histórico, embora nós, para a nossa exposição, nos tenhamos limitado a seguir as Meditações Cartesianas.]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}