===== FATO HISTÓRICO ===== Podemos considerar os fatos como históricos, desde que tenhamos uma [[lexico:p:perspectiva:start|perspectiva]] tal que nos permita [[lexico:v:ver:start|ver]] o cosmos como um acontecer, como um produzir-se. É preciso que saibamos distinguir [[lexico:b:bem:start|Bem]] [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] um [[lexico:f:fato-historico:start|fato histórico]] enquanto [[lexico:h:historico:start|histórico]], que nessa perspectiva o é [[lexico:t:todo:start|todo]] acontecer, de o [[lexico:f:fato:start|fato]] histórico, no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] que lhe dão os historiadores. Quando um fato ultrapassa ao [[lexico:c:campo:start|campo]] do [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] e do [[lexico:g:grupo:start|grupo]], e tem sua [[lexico:i:influencia:start|influência]], [[lexico:s:significacao:start|significação]] ou [[lexico:c:condicionamento:start|condicionamento]], quer sobre ou para outros grupos sociais maiores, penetrando na direção do seu [[lexico:d:destino:start|destino]], chamamo-lo de histórico. E, nesse sentido, tais fatos formam o historial, ou mostram seu [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] historial que é o conjunto dos acontecimentos, que tem ou tiveram certa significação ou influência sobre uma coletividade humana. Para os gregos a [[lexico:h:historia:start|história]] era concebida como o [[lexico:r:relato:start|relato]] dos fatos importantes que eles, devido à [[lexico:f:falta:start|falta]] de um sentir em profundidade do [[lexico:t:tempo:start|tempo]], envolviam, confundiam com os mitos criados sobre a sua [[lexico:o:origem:start|origem]] e sobre as épocas pretéritas (dos antepassados). Consideravam os gregos, o [[lexico:s:saber:start|saber]] de duas espécies: um [[lexico:t:teorico:start|teórico]] e um [[lexico:p:pratico:start|prático]]. O prático é o saber que é [[lexico:d:dado:start|dado]] pela [[lexico:e:experiencia:start|experiência]]. Toda [[lexico:t:teoria:start|teoria]] se funda numa [[lexico:e:especulacao:start|especulação]], num espelhar os fatos do passado, comparando-os com os do presente, para descobrir nestes como naqueles, o [[lexico:n:nexo:start|nexo]] que os liga. A teoria é assim uma construção do [[lexico:e:espirito:start|espírito]] feita sobre os fatos dados pela prática. A [[lexico:m:matematica:start|matemática]], a [[lexico:f:fisica:start|física]], a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]], etc., são saberes teóricos. Mas a história, para os gregos, é um saber prático. [[lexico:n:nao:start|Não]] procuravam eles uma teoria sobre ela, nem descobrir o nexo dos fatos, apesar das passagens de certos autores, onde encontramos comparações e a [[lexico:a:apreensao:start|apreensão]] de analogias, que já encerravam, em si, as possibilidades de ulteriores desenvolvimentos; tal se verificou no desenrolar dos estudos históricos, sobretudo em nossos dias, quando ela passa a adquirir novos métodos e novos instrumentos de [[lexico:t:trabalho:start|trabalho]], em suas combinações com a [[lexico:s:sociologia:start|sociologia]], e que lhe darão uma nova [[lexico:f:fisionomia:start|fisionomia]]. Como a perspectiva e a [[lexico:v:visao:start|visão]] do tempo varia de [[lexico:c:cultura:start|cultura]] para cultura, varia também sua perspectiva da história. Para os gregos ela é apenas dos homens. Mas na cultura fáustica já verificamos que aquela é concebida, não apenas como do campo antropológico, mas também dos animais e das [[lexico:c:coisas:start|coisas]], de todos os seres que se dão no tempo e no [[lexico:e:espaco:start|espaço]]. Dessa [[lexico:f:forma:start|forma]], temos uma visão histórica do [[lexico:m:mundo:start|mundo]]. Mas no [[lexico:e:estado:start|Estado]] [[lexico:a:atual:start|atual]] dos nossos conhecimentos sobre a história, como o produzir-se do acontecer cósmico e dos fatos importantes da [[lexico:v:vida:start|vida]] humana, podemos apontar a sua [[lexico:e:essencia:start|essência]]? Dizem alguns que a essência da história está em sua irrepetibilidade. O histórico não se repete, porque a perspectiva histórica é [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] da [[lexico:p:posicao:start|posição]] que tomamos, de cujo ângulo visualizamos apenas o aspecto irrepetível dos fatos. Cada fato que se dá é novo e [[lexico:u:unico:start|único]] em [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]. Mas cada fato também repete algo dos fatos passados, porque, do contrário, todo o [[lexico:e:existir:start|existir]] seria de uma [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] absoluta e não nos permitiria o [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]]. Conhecemos porque há aspectos que se repetem, e é sobre o repetível que construímos a [[lexico:c:ciencia:start|ciência]], construímos um saber. Mas o fato histórico como tempo é irrepetível, porque o minuto que passa, não retorna; é sucedido, é substituído. Sabemos que Napoleão Bonaparte não será repetido, não retorna; mas as condições que geram um Bonaparte, o bonapartismo, sob certos aspectos, se repetem. Por um lado a sociologia atualiza as notas que se repetem dos fatos, enquanto a história apenas atualiza as irrepetíveis. Quando dizemos que a história se repete, atualizamos apenas as notas que retornam, não o fato em sua [[lexico:u:unicidade:start|unicidade]]; olhamos mais o lado sociológico que propriamente o histórico. Diz-se: Não se dão os fatos históricos apenas no tempo; dão-se também em um local, no espaço, portanto. Sim, realmente se dão também no espaço, mas como algo que sucedeu no tempo. O que resta da história, no espaço, é o [[lexico:p:produto:start|produto]] e não o produzir-se. Ela é o produzir-se, porque é [[lexico:d:dinamica:start|dinâmica]], é tempo. O que produziu, o que ficou, monumentos, [[lexico:a:arte:start|arte]] realizada, obras em [[lexico:g:geral:start|geral]], são o produto, os quais nos permitem através deles captar algo daquele produzir-se. Assim é [[lexico:i:irreversivel:start|irreversível]] como produzir-se, mas [[lexico:r:reversivel:start|reversível]] como produto. [[lexico:q:quem:start|quem]] a vê apenas extensivamente, como [[lexico:o:objetivacao:start|objetivação]] do produto, tende a ver mecanicamente os fatos históricos, a atualizar uma [[lexico:c:causalidade:start|causalidade]] rígida, a sistematizar o acontecido. Quem a vê apenas como um produzir-se, aponta-lhe a direção, [[lexico:c:como-se:start|como se]] fosse uma vida, como se fosse uma [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] biológica, atualizando apenas o lado [[lexico:t:temporal:start|temporal]]. O [[lexico:e:estudo:start|estudo]] da história, para [[lexico:s:ser:start|ser]] um estudo proveitoso, não pode afastar-se de uma concepção que englobe ambos aspectos, que permita a [[lexico:f:formacao:start|formação]] de uma visão concreta, conexionando os aspectos meramente históricos, como irrepetíveis, com as realizações, as obras feitas, as quais servem para indicar um novo [[lexico:c:caminho:start|caminho]] capaz de permitir o vislumbrar dos aspectos sociológicos, para uma visão filosófica e histórica da cultura humana em geral, e da história em [[lexico:p:particular:start|particular]]. Assim considerar a [[lexico:m:morfologia:start|morfologia]] da história pelos dois lados que se antagonizam, e vê-la em sua [[lexico:u:unidade:start|unidade]], é [[lexico:t:ter:start|ter]] uma visão orgânica e, ao mesmo tempo [[lexico:s:sistematica:start|sistemática]]; é não deixar-se arrastar por valorizações apenas unilaterais, atualizando o lado extensista ou o intensista, o que nos levaria a uma [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] meramente abstrata, e não a uma posição concreta, capaz daí de poder captar da história os nexos que permitem concluir muito em benefício do [[lexico:h:homem:start|homem]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}