===== FATO ===== (in. Fact; fr. Fait; al. Talsache; it. Fattó). Em [[lexico:g:geral|geral]], uma [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] objetiva de [[lexico:v:verificacao|verificação]], constatação ou averiguação, portanto também de [[lexico:d:descricao|descrição]] ou [[lexico:p:previsao|previsão]] - objetiva no [[lexico:s:sentido|sentido]] de que todos podem fazê-la nas condições adequadas. "É fato que x" significa que x pode [[lexico:s:ser|ser]] verificado ou confirmado por qualquer um que disponha dos meios adequados, e que pode ser descrito ou previsto de [[lexico:f:forma|forma]] passível de aferição. A [[lexico:n:nocao|noção]] de fato é [[lexico:m:moderna|moderna]], sendo mais restrita e específica que a de [[lexico:r:realidade|realidade]]; nasceu sobretudo para indicar os objetos da [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] científica, que devem poder ser reconhecidos por qualquer pesquisador competente. Portanto, no que se refere à sua [[lexico:v:validade|validade]], o fato é [[lexico:i:independente|independente]] de opiniões, preconceitos e mesmo de juízos e valorações que [[lexico:n:nao|não]] sejam inerentes ao [[lexico:u:uso|uso]] dos instrumentos capazes de confirmá-lo. Assim, tem duas características fundamentais: d) [[lexico:r:referencia|referência]] a um [[lexico:m:metodo|método]] [[lexico:a:apropriado|apropriado]] de [[lexico:c:confirmacao|confirmação]] ou verificação; b) independência em [[lexico:r:relacao|relação]] a crenças subjetivas ou pessoais de [[lexico:q:quem|quem]] emprega o método. Precisamente em vista dessas duas características, a [[lexico:c:capacidade|capacidade]] de "olhar os fatos", de "considerar os fatos" ou de "aceitar os fatos" hoje é considerada um dos requisitos fundamentais não só do cientista e do pesquisador em geral, mas de qualquer cidadão. Não obstante a importância que assumiu na [[lexico:c:cultura|cultura]] moderna, essa noção raramente foi alvo da [[lexico:a:atencao|atenção]] dos filósofos. A [[lexico:h:historia|história]] de suas análises dessa noção é parca, podendo-se dizer que começa no séc. XVII, quando, com a [[lexico:d:distincao|distinção]] entre "[[lexico:v:verdade|verdade]] de [[lexico:r:razao|razão]]" e "verdade de fato", também se começa a distinguir — ao menos implicitamente — a [[lexico:e:esfera|esfera]] própria do fato. O primeiro a fazer essa distinção foi [[lexico:h:hobbes|Hobbes]]: "Há duas espécies de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]], das quais uma é o conhecimento de fato e outra é o conhecimento da [[lexico:c:consequencia|consequência]] de uma [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] relativamente a outra. A primeira é apenas sentido e [[lexico:m:memoria|memória]], sendo conhecimento [[lexico:a:absoluto|absoluto]], como quando vemos um fato acontecer ou o lembramos; [[lexico:e:esse|esse]] é o conhecimento exigido de uma testemunha. A outra tem o [[lexico:n:nome|nome]] de [[lexico:c:ciencia|ciência]] e é condicional..." (Leviath., I, 9)- Assim como Hobbes, [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] e [[lexico:h:hume|Hume]] concordam em considerar que essa esfera é a [[lexico:e:experiencia|experiência]]. Segundo Leibniz, as verdades de fatos são contingentes, ao passo que as de razão são necessárias porque baseadas no [[lexico:p:principio-de-contradicao|princípio de contradição]], de tal [[lexico:m:modo|modo]] que seu contrário é [[lexico:i:impossivel|impossível]] (Nouv. ess., IV, 2, 1). Para Hume, é sempre [[lexico:p:possivel|possível]] o contrário das verdades de fatos, pois nunca implica [[lexico:c:contradicao|contradição]], sendo concebido pelo [[lexico:e:espirito|espírito]] com a mesma facilidade e clareza que há na conformidade à realidade (Inq. Conc. Underst., IV, 1). Tanto Leibniz quanto Hume concordam em julgar que o [[lexico:f:fundamento|fundamento]] da verdade de fato é o [[lexico:p:principio-da-causalidade|princípio da causalidade]]. Dessa [[lexico:a:analise|análise]] resulta portanto que o fato é: a) uma realidade [[lexico:c:contingente|contingente]], atingida ou testemunhada pela experiência; b) uma realidade fundada em certa conexão causal. Uma noção de fato assim configurada é a que hoje se chamaria de noção de [[lexico:a:acontecimento|acontecimento]], ou seja, de realidade contingente que pertence à [[lexico:o:ordem|ordem]] da [[lexico:n:natureza|natureza]]. Essa última qualificação é a que se expressa quando se julga que a verdade de fato baseia-se no [[lexico:p:principio|princípio]] causal. Portanto, essa ainda não é uma noção de fato suficientemente ampla, que possa valer em toda a [[lexico:e:extensao|extensão]] da pesquisa científica: para ela, as verdades matemáticas não seriam [[lexico:v:verdades-de-fato|verdades de fato]]. A extensão dessa noção foi realizada por [[lexico:k:kant|Kant]], para quem "os fatos são os objetos dos [[lexico:c:conceitos|conceitos]] cuja realidade objetiva pode ser provada tanto pela razão quanto pela experiência: no primeiro caso, com base em dados teóricos ou práticos; em qualquer caso, por [[lexico:m:meio|meio]] de uma [[lexico:i:intuicao|intuição]] correspondente" (Crít. do [[lexico:j:juizo|Juízo]], § 91)-Nesse sentido, segundo Kant, são fatos: as propriedades geométricas das grandezas, porquanto podem ser demonstradas [[lexico:a:a-priori|a priori]]; as [[lexico:c:coisas|coisas]] ou as qualidades das coisas que possam ser provadas pela experiência ou por testemunhas; a [[lexico:i:ideia|ideia]] da [[lexico:l:liberdade|liberdade]], cuja realidade, como uma [[lexico:e:especie|espécie]] [[lexico:p:particular|particular]] de [[lexico:c:causalidade|causalidade]], pode ser mostrada a partir da experiência [[lexico:m:moral|moral]] (Ibid., § 91). Essa análise de Kant é importante porque: d) permite distinguir nitidamente a noção de fato da noção de acontecimento como noção mais geral, correlativa à possibilidade de uso de qualquer [[lexico:i:instrumento|instrumento]] de verificação; desse [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista, o acontecimento é uma espécie particular de fato, mais precisamente um fato [[lexico:n:natural|natural]]; b) permite reconhecer o [[lexico:c:carater|caráter]] [[lexico:e:empirico|empírico]] do fato como algo diferente do seu confinamento à esfera da [[lexico:s:sensibilidade|sensibilidade]]: a própria razão deve tratar com fatos que não são externos a ela nem impostos do [[lexico:e:exterior|exterior]], mas que encontra em si mesma, como condições do seu funcionamento. A partir daí, a noção de fato às vezes se aproxima da noção de [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] e outras vezes de um [[lexico:e:elemento|elemento]] ou [[lexico:c:condicao|condição]] da razão. Aproxima-se do fenômeno quando se [[lexico:f:fala|fala]] de "fato [[lexico:p:puro|puro]]", "cru" ou de "[[lexico:s:simples|simples]] fato", pois nesse caso alude-se ao [[lexico:d:dado|dado]] [[lexico:i:imediato|imediato]], à [[lexico:a:aparencia|aparência]] simples ou grosseira, da forma como ela se apresenta à primeira vista. Mas está claro que não se pode ir muito longe nessa identificação. fato não é fenômeno: p. ex., o [[lexico:d:desvio|desvio]] da [[lexico:i:imagem|imagem]] de um bastão na água é um fenômeno, mas não um fato. Também é fenômeno o [[lexico:m:movimento|movimento]] [[lexico:a:aparente|aparente]] dos céus, que desde o princípio a [[lexico:a:astronomia|astronomia]] procurou, de vários modos, reduzir a "fato". O fato implica uma [[lexico:d:disposicao|disposição]] ou uma [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] do fenômeno que provoque uma [[lexico:m:mudanca|mudança]] capaz de tornar o fenômeno descritível, previsível e verificável. O [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:c:comte|Comte]], que na [[lexico:m:maioria-das-vezes|maioria das vezes]] emprega as duas [[lexico:p:palavras|palavras]] indiferentemente, parece aludir a uma distinção, como no seguinte trecho: "Esse fato geral (a gravitação) nos é apresentado como simples extensão de um fenômeno eminentemente familiar, que portanto consideramos perfeitamente conhecido, o [[lexico:p:peso|peso]] dos corpos na superfície da [[lexico:t:terra|Terra]]" (Phil. Pos., I, § 4). Mas no próprio âmbito do [[lexico:p:positivismo|positivismo]] Claude [[lexico:b:bernard|Bernard]] acentuou a [[lexico:s:subordinacao|subordinação]] dos fatos à razão: "Sem [[lexico:d:duvida|dúvida]], admito que os fatos são as únicas realidades que podem dar a [[lexico:f:formula|fórmula]] à ideia [[lexico:e:experimental|experimental]] e, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], servir para aferi-la, mas isso sob a condição de que a razão os aceite... No [[lexico:m:metodo-experimental|método experimental]], como em tudo, o [[lexico:u:unico|único]] [[lexico:c:criterio|critério]] [[lexico:r:real|real]] é a razão. Um fato não é [[lexico:n:nada|nada]] por [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]], mas vale apenas pela ideia a ele ligada ou pela [[lexico:p:prova|prova]] que fornece" (lntr. à l’étude de la médecine experimental, I, 2, 7). Essa interpretação do fato pareceu confirmada quando se notou o papel preponderante desempenhado pela [[lexico:t:teoria|teoria]] na construção do "fato científico" (P. [[lexico:d:duhem|Duhem]], La théorie physique: son objet e sa structure, 1906). A estreita conexão entre fato e [[lexico:a:atividade|atividade]] [[lexico:r:racional|racional]], expressa de vários modos, em geral é reconhecida pela [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] contemporânea. A feno-menologia elaborou a noção de [[lexico:e:estado|Estado]] de coisas ([[lexico:s:sachverhalt|Sachverhalt]]) como [[lexico:o:objeto|objeto]] correspondente de cada juízo válido e considerou como fato o estado de coisas em que está envolvida uma [[lexico:e:existencia|existência]] individual. Nesse sentido, uma [[lexico:c:coisa|coisa]] não é um fato, mas é fato que essa coisa existe e que tem este ou aquele caráter, etc. ([[lexico:h:husserl|Husserl]], Ideen, I, § 6). A noção de estado de coisas foi retomada por [[lexico:w:wittgenstein|Wittgenstein]] em [[lexico:t:tractatus-logico-philosophicus|Tractatus Logico-Philosophicus]], mas com uma concepção diferente sobre a relação deste com o fato, porque viu no "estado de coisas" o elemento simples que entra na composição do fato. O estado de coisas seria, portanto, o "fato [[lexico:a:atomico|atômico]]", o componente elementar dos fatos (Tractatus, 2). O que há de [[lexico:c:caracteristico|característico]] nessas concepções é a [[lexico:d:definicao|definição]] de fato (ou dos seus componentes) como objeto do juízo ou da [[lexico:p:proposicao|proposição]] válida. Segundo Wittgenstein, o estado de coisas ou fato atômico não é senão o objeto de uma proposição elementar (Ibid., 4, 21). Entende-se então por que, na linha de [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] dessa concepção, os fatos chegaram a ser identificados com proposições. A identificação foi proposta por Ducasse (em "Journal of Philosophy", 1940, pp. 701-11) e aceita por Carnap, no sentido de que fato seria uma proposição: la verdadeira, 2a dotada de certo [[lexico:g:grau|grau]] de completitude, ou seja, de [[lexico:d:determinacao|determinação]] (Meaning and Necessity, § 6, 1). É preciso notar que, para Carnap, o [[lexico:t:termo|termo]] proposição não significa [[lexico:e:expressao|expressão]] [[lexico:l:linguistica|linguística]] nem acontecimento mental ou [[lexico:s:subjetivo|subjetivo]], mas algo de [[lexico:o:objetivo|objetivo]] que pode ou não encontrar [[lexico:e:exemplo|exemplo]] na natureza, sendo portanto comparável a "[[lexico:p:propriedade|propriedade]]" (Ibid., § 6). Portanto, a "proposição verdadeira", que Carnap identifica com o fato, significa simplesmente "objeto válido" ou um "estado de fato" real. O esclarecimento que deriva dessas reduções linguísticas é puramente verbal e, se chega a [[lexico:t:ter|ter]] alguma [[lexico:u:utilidade|utilidade]] num tratamento [[lexico:l:logico|lógico]], pouco ou nada diz sobre a natureza ou os [[lexico:c:caracteres|caracteres]] do fato. Denuncia, no máximo, a [[lexico:t:tendencia|tendência]] a reportar o fato a condições conceituais ou linguísticas. Por [[lexico:o:outro|outro]] lado, com [[lexico:d:dewey|Dewey]], o [[lexico:p:pragmatismo|pragmatismo]] insistiu no caráter "operacional" do fato, no sentido de que os fatos "são apenas resultados de operações e de observações efetuadas com a ajuda dos órgãos sensoriais e de instrumentos auxiliares produzidos pela [[lexico:t:tecnica|técnica]], sendo portanto escolhidos e organizados no intuito expresso de utilizá-los como dados para uma pesquisa ordenada" (Logic, VI, 5, § 4). Portanto, a análise que hoje se faz dessa noção ignora a [[lexico:a:antitese|antítese]] entre fato e razão. A eliminação dessa antítese sem dúvida também se faz sentir na elaboração do [[lexico:c:conceito|conceito]] de razão . No que tange à noção de fato em relação à noção de razão, o fato configura-se como condição limitativa das escolhas racionais. Por exemplo, em [[lexico:f:fisica|física]] fato é [[lexico:t:todo|todo]] objeto passível de [[lexico:o:observacao|observação]], ou seja, todo estado ou [[lexico:s:situacao|situação]] que pode ser verificada e examinada com os instrumentos de que a física dispõe. Mas os fatos físicos, nesse sentido, são os limites ou as condições da atividade racional no [[lexico:c:campo|campo]] da física, ou seja, de qualquer construção teórica ou [[lexico:h:hipotese|hipótese]]. Do mesmo modo, no campo da [[lexico:l:logica|lógica]], as implicações analíticas ou tautológicas valem como fatos, ou seja, como condições ou limites da [[lexico:i:investigacao|investigação]] lógica ([[lexico:a:abbagnano|Abbagnano]], Possibilita e liberta, VI, 7). Em geral, pode-se dizer que, enquanto é uma "possibilidade de verificação" que em cada campo assume o [[lexico:a:aspecto|aspecto]] específico ditado pelos instrumentos de investigação disponíveis, em relação à razão o fato também é condição de outras possibilidades, ou seja, de escolhas ou operações que, por sua vez, são determinadas ou especificadas segundo a natureza de cada campo de [[lexico:i:indagacao|indagação]]. Qualquer dado da experiência. — Os teóricos das ciências distinguem o "fato bruto", que corresponde à nossa [[lexico:p:percepcao|percepção]] comum (por exemplo: vejo um objeto que cai) e o "fato científico", ou seja. seu [[lexico:e:enunciado|enunciado]] em termos científicos (a [[lexico:l:lei|lei]] dessa [[lexico:q:queda|Queda]], conforme à lei geral da queda dos corpos, é um fato científico, com [[lexico:r:repeticao|repetição]] indefinida). Um [[lexico:f:fato-historico|fato histórico]], com as suas particularidades de tempo e de [[lexico:l:lugar|lugar]], denomina-se "acontecimento". De um modo geral, o fato designa um mero dado, opondo-se à lei, que enuncia um princípio geral. Esto termo designa um objeto de juízo (Sachverhalt) [[lexico:c:concreto|concreto]], perceptível, uma coisa e suas [[lexico:r:relacoes|relações]] em conexão eficiente concreta. Todos os fatos pertencem à ordem da realidade; contudo não esgotam o âmbito dos objetos de. juízo objetivos. Entre estes contam-se igualmente as puras relações essenciais. Ciências de fatos (em [[lexico:o:oposicao|oposição]] a ciências de [[lexico:e:essencias|essências]]) são aquelas cujo objeto é constituído por fatos experimentais. Por conseguinte, nem toda ciência se fundamenta em fatos, mas sim em objetos de juízo objetivos. VIDE experiência, positivismo, realidade. — [[lexico:b:brugger|Brugger]]. Que é um fato? Um fato não se define, intui-se. A [[lexico:p:palavra|palavra]] fato vem do latim factum, que significa feito, [[lexico:a:ato|ato]], coisa ou [[lexico:a:acao|ação]] feita, acontecimento. É uma palavra para nós familiar. Embora todos saibam [[lexico:o:o-que-e|o que é]] um fato, não é fácil dizer o que é, em que consiste realmente. Fato é o que se nos apresenta aqui e [[lexico:a:agora|agora]], num lugar, num [[lexico:m:momento|momento]] determinado; quer dizer, condicionado pelas noções de [[lexico:e:espaco|espaço]] e tempo. [[lexico:e:estar|estar]] no tempo e no espaço é o que se chama [[lexico:e:existir|existir]]. Nós não atribuímos, não emprestamos existência ao fato; ele possui existência. Quando os fatos existem no espaço, eles são chamados corpos. Há outros que existem no tempo e são, por exemplo, os [[lexico:f:fatos-psiquicos|fatos psíquicos]], os estados de [[lexico:a:alma|alma]], etc. Os fatos atuais constituem a nossa própria existência e o âmbito no qual vivemos e atuamos. Os fatos transcorridos constituem os [[lexico:e:elementos|elementos]] da biografia ou da história. Diz-se de qualquer coisa que é um fato quando já está cumprido e não pode negar-se a sua realidade. Tem-se oposto frequentemente o fato à [[lexico:i:ilusao|ilusão]], à aparência ou ao fenômeno. A noção de fato tem sido usada amiúde em diferentes orientações filosóficas. Um fato pode ser, conforme os casos, natural (um fenômeno ou um processo natural) ou um fato [[lexico:h:humano|humano]] (por exemplo, uma situação determinada). Pode ser uma coisa, um [[lexico:e:ente|ente]] individual, etc. Por vezes destaca-se no fato a sua realidade situada e [[lexico:a:atual|atual]]; por vezes a ideia de um [[lexico:p:processo|processo]] especialmente [[lexico:t:temporal|temporal]]. Uma história filosófica da noção de fato seria muito extensa e peculiarment complicada, porquanto em numerosos casos se tem usado o termo sem grande [[lexico:p:precisao|precisão]] conceptual. Por exemplo Comte, insistiu muito em que só os fatos são objetos de conhecimento efectivo, em que só eles são realidades positivas, não esclarece em que [[lexico:m:medida|medida]] se podem equiparar fatos com fenômenos. Particularmente [[lexico:i:interessante|interessante]] é a noção de fato na [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]] contemporânea. Husserl estabeleceu uma distinção entre fato e [[lexico:e:essencia|Essência]] e sublinhou também a inseparabilidade de ambos. Segundo Husserl, as ciências empíricas ou ciências de experiência são ciências de fatos. Todo o fato e contingente, quer dizer, todo o fato poderia ser essencialmente algo diferente do que é. Mas isso indica que à [[lexico:s:significacao|significação]] de cada fato pertence justamente uma essência que deve apreender-se na sua pureza. As verdades de fato ou verdades fácticas caem deste modo sob as verdades essenciais ou verdades eidéticas. Que possuem diferentes graus de generalidade ([[lexico:i:ideias|ideias]]). De [[lexico:a:acordo|acordo]] com isso, o ser [[lexico:f:factico|fáctico]] contrapõe-se e subordina-se ao ser [[lexico:e:eidetico|eidético]] e o mesmo acontece com as ciências correspondentes. Para Wittgenstein os fatos são os chamados “fatos atômicos”, que são constituídos por uma combinação de objetos (entidades, coisas), (Tractatus). Cada coisa é uma [[lexico:p:parte|parte]] constitutiva de um fato atômico. Assim, o [[lexico:m:mundo|mundo]] não é a [[lexico:t:totalidade|totalidade]] das coisas, mas dos fatos. Os fatos atômicos em [[lexico:q:questao|questão]] exprimem-se por meio de proposições atômicas, as quais se combinam mediante funções de verdade, formando as chamadas “proposições moleculares”. Assim, por exemplo, “Pedro está sentado diante do espelho”, é uma proposição atômica que descreve o “fato atômico” - o qual é [[lexico:c:composto|composto]] de coisas tais como Pedro e o seu estar sentado diante do espelho. Em geral, os fatos, enquanto fatos atômicos, consistem em que uma [[lexico:e:entidade|entidade]] particular possua uma caraterística, ou na relação entre duas ou mais entidades. Os termos de uma proposição devem corresponder aos componentes de um fato atômico.