===== FANTASMOLOGIA ===== Nós, modernos, talvez pelo [[lexico:h:habito:start|hábito]] de ressaltarmos o [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] [[lexico:r:racional:start|racional]] e [[lexico:a:abstrato:start|abstrato]] dos processos cognoscitivos, há [[lexico:b:bom:start|Bom]] [[lexico:t:tempo:start|tempo]] deixamos de nos maravilhar com o misterioso poder da [[lexico:i:imagem:start|imagem]] interior desse inquieto [[lexico:p:povo:start|povo]] de “mestiços” (conforme o chamará [[lexico:f:freud:start|Freud]]), que [[lexico:a:anima:start|anima]] os nossos sonhos e domina a nossa vigília talvez mais do que estejamos dispostos a admitir. Dessa maneira, [[lexico:n:nao:start|não]] se torna fácil admitirmos imediatamente a obsessiva e quase reverencial [[lexico:a:atencao:start|atenção]] que a [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] medieval reserva à constelação fantasmológica aristotélica que, dramatizada e enriquecida pelas contribuições do [[lexico:e:estoicismo:start|estoicismo]] e do [[lexico:n:neoplatonismo:start|neoplatonismo]], ocupa um [[lexico:l:lugar:start|lugar]] central no firmamento espiritual da Idade Média. Nesse [[lexico:p:processo:start|processo]] exegético, no qual a Idade Média esconde uma de suas mais originais e criativas intenções, o [[lexico:f:fantasma:start|fantasma]] polariza-se e se converte em lugar de uma [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] extrema da [[lexico:a:alma:start|alma]], na qual ela pode elevar-se até ao [[lexico:l:limite:start|limite]] deslumbrante do [[lexico:d:divino:start|divino]], ou então precipitar no [[lexico:a:abismo:start|abismo]] vertiginoso da perdição e do [[lexico:m:mal:start|mal]]. Isso explica por que [[lexico:e:epoca:start|época]] alguma foi, ao mesmo tempo, tão “idólatra” e tão “iconoclasta” quanto a que via nos fantasmas “a alta [[lexico:f:fantasia:start|fantasia]]” a que Dante confia a sua [[lexico:v:visao:start|visão]] suprema e, contemporaneamente, as coptationes malae que, nos escritos patrísticos sobre os [[lexico:p:pecados:start|pecados]] capitais, atormentam a alma do acidioso, a mediadora espiritual entre [[lexico:s:sentido:start|sentido]] e [[lexico:r:razao:start|razão]], que exalta o [[lexico:h:homem:start|homem]], ao longo da escada [[lexico:m:mistica:start|mística]] de Jacó, referida por Hugo de São Vítor, e as “vãs imaginações” seduzindo o ânimo para o [[lexico:e:erro:start|erro]], o que [[lexico:s:santo:start|santo]] [[lexico:a:agostinho:start|Agostinho]] reconhece no [[lexico:d:desvio:start|desvio]] maniqueu dele mesmo. [AgambenE:138] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}