===== FACULDADE MOTORA ===== Cf. [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], [[lexico:d:de-anima|De anima]], III, c. 9-11 e o Comentário de [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]]. A [[lexico:q:questao|questão]] da [[lexico:e:existencia|existência]] de uma [[lexico:f:faculdade|faculdade]] especial, relativa ao [[lexico:m:movimento|movimento]] local dos viventes, parece [[lexico:t:ter|ter]] preocupado seriamente a Aristóteles. Os animais, ao menos alguns entre eles, deslocam-se de [[lexico:m:modo|modo]] espontâneo. Isto é um [[lexico:f:fato|fato]]. Mas [[lexico:n:nao|não]] bastaria para explicá-lo recorrer às potências que já conhecemos? A faculdade nutritiva, a mais elementar de todas, é evidentemente incapaz de [[lexico:e:explicar|explicar]] tais fenômenos. O movimento é dirigido por um [[lexico:f:fim|fim]] e isto supõe a intervenção de atos psíquicos, como representações e desejos, que não são encontrados na planta que, efetivamente, permanece imóvel. A [[lexico:s:simples|simples]] [[lexico:s:sensacao|sensação]] é aqui igualmente ineficaz, pois não há animais que sentem e não se movem? Não se poderia dizer então, que é o [[lexico:i:intelecto|intelecto]], auxiliado pela [[lexico:i:imaginacao|imaginação]] e o [[lexico:d:desejo|desejo]] ou inclinação [[lexico:s:sensivel|sensível]], que está na [[lexico:o:origem|origem]] dos processos de deslocação? De maneira incontestável, atingimos a que os verdadeiros antecedentes deste modo de [[lexico:a:atividade|atividade]]: tenho o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] de ir para tal [[lexico:l:lugar|lugar]] e o desejo de chegar até lá e, sob este dúplice [[lexico:i:impulso|impulso]], ponho-me a [[lexico:c:caminho|caminho]]. Mas que se observe [[lexico:b:bem|Bem]] que [[lexico:p:por-si|por si]] sós, a [[lexico:r:representacao|representação]] e o desejo não podem bastar. Sem [[lexico:d:duvida|dúvida]] é exigido o concurso destes dois [[lexico:e:elementos|elementos]], mas, [[lexico:a:alem|além]] disso, é [[lexico:n:necessario|necessário]], para que [[lexico:e:eu|eu]] me coloque em marcha, a intervenção de uma [[lexico:p:potencia|potência]] encarnada nos órgãos motores do [[lexico:c:corpo|corpo]]. O paralítico, no qual estas potências encontram-se como que presas, não se pode mover, seja qual for seu desejo de o fazer e sejam quais forem as imagens motores que possa evocar. Para se deslocar, pois, o [[lexico:a:animal|animal]] deverá, sempre dirigido pelas potências superiores de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] e [[lexico:a:apetencia|apetência]], [[lexico:p:por|pôr]] em funcionamento uma potência orgânica especial que, de modo [[lexico:i:imediato|imediato]], provocará o movimento dos membros donde resultará a [[lexico:m:mudanca|mudança]] de lugar. Nesta [[lexico:a:analise|análise]], cujo [[lexico:i:interesse|interesse]] não passará despercebido a ninguém, Aristóteles parece ter tido diretamente em vista os movimentos de deslocamento conscientes e diretamente imperados, seja pela [[lexico:v:vontade|vontade]] deliberada (somente no caso do [[lexico:h:homem|homem]]), seja pelo psiquismo sensitivo (para [[lexico:t:todo|todo]] animal). De modo corrente admitem os psicólogos a existência paralela de [[lexico:r:reflexos|reflexos]] automáticos que acionam a potência motora sem a intervenção das [[lexico:f:faculdades|faculdades]] psíquicas superiores. Aqui seria o caso de se abrir todo um capítulo da [[lexico:p:psicologia|psicologia]] do [[lexico:s:subconsciente|subconsciente]] que Tomás de Aquino não escreveu e do qual consequentemente não temos [[lexico:n:nada|nada]] a dizer.